CEOs brasileiros recalibram investimentos e aceleram iniciativas estratégicas

O ambiente global desafiador tem gerado uma reformulação de rota em diversas empresas e, no Brasil, não tem sido diferente. Segundo a CEO Outlook, pesquisa da EY, nos últimos 12 meses, 8% dos CEOs brasileiros interromperam investimentos planejados, enquanto 32% optaram por adiá-los.
Em contrapartida, 40% dos executivos aceleraram iniciativas estratégicas, “demonstrando que, mesmo em meio às incertezas, há espaço para movimentos de expansão. Além disso, 18% decidiram sair de determinados mercados geográficos, ao passo que 20% entraram em novos territórios.
A pesquisa indicou ainda que 30% dos ativos foram realocados para outros mercados e 20% das companhias mudaram o fornecimento ou os fornecedores para regiões diferentes, evidenciando uma adaptação contínua às pressões externas.
Essa realocação de investimentos reflete um misto de fatores, com maior peso para o ambiente de incerteza e elevado nível de juros, na visão de Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY-Parthenon.
Segundo Berbert, embora o patamar ainda elevado das taxas de juros, tanto no Brasil quanto globalmente, aumente o custo de capital e torne menos atrativos projetos de longo prazo, o elemento decisivo tem sido a volatilidade do cenário macroeconômico e geopolítico.
Essa volatilidade, marcada por tensões internacionais, tem causado mudanças na política comercial, fragmentação das cadeias globais de suprimentos e maior imprevisibilidade cambial.
“Nesse contexto, os CEOs não deixaram de investir, mas passaram a adiar ou reavaliar iniciativas de maior porte e menor previsibilidade de retorno”, diz.
CEOs de olho no caixa
Os investimentos mais frequentemente colocados em espera são aqueles intensivos em capital e com ciclos longos de maturação, como expansões greenfield, projetos industriais de grande escala, investimentos internacionais em mercados menos conhecidos e aquisições transformacionais de grande porte.
Em grande medida, esses recursos que deixaram de ser alocados nesses projetos estão sendo direcionados para o reforço da resiliência financeira das empresas.

PUBLICIDADE
“O fortalecimento de caixa e balanço se tornou uma prioridade estratégica, funcionando como um colchão de proteção diante de um ambiente ainda volátil”, diz Berbert, acrescentando que muitas companhias estão aproveitando o momento para reduzir endividamento, alongar prazos e reorganizar sua estrutura de capital.
Apesar da volatilidade, o foco de investimentos dos CEOs brasileiros permanece concentrado no Brasil e na América do Norte. A pesquisa destaca cinco principais prioridades de capital para os próximos 12 meses: Brasil, México, EUA, Argentina e Canadá.
Para o executivo da EY, a volatilidade, em muitos casos, reforçou a atratividade do Brasil e da América do Norte. O Brasil segue sendo um mercado grande, diversificado e com oportunidades relevantes, além de ser um ambiente onde os CEOs brasileiros possuem conhecimento dos riscos operacionais e regulatórios.
Já a América do Norte combina escala, profundidade de mercado, segurança jurídica relativa e liderança tecnológica, especialmente nas áreas de inovação e inteligência artificial.
Por outro lado, as iniciativas estratégicas aceleradas pelos CEOs estão concentradas em fortalecer a base competitiva das organizações, incluindo, sobretudo, investimentos em inteligência artificial, digitalização de operações, redesenho de processos internos, reconfiguração das cadeias de suprimento, etc.
Os executivos, inclusive, mostram preferência por parcerias estratégicas em detrimento de fusões e aquisições para impulsionar o crescimento de curto prazo.
O levantamento aponta que, nos próximos 12 meses, 82% planejam joint ventures ou alianças estratégicas, enquanto 40% consideram M&A e apenas 8% desinvestimentos ou IPOs.
Há uma percepção de desalinhamento entre expectativas de valuation e o novo patamar de custo de capital, o que dificulta a formação de transações atrativas de M&A. Além disso, o aumento da complexidade regulatória e geopolítica torna operações transfronteiriças mais arriscadas e difíceis de estruturar.
Os comportamentos observados na pesquisa, no entanto, variam de forma significativa tanto por porte quanto por setor. Empresas maiores tendem a reforçar a liquidez e, simultaneamente, acelerar iniciativas estratégicas e parcerias. Já empresas médias costumam adotar uma postura mais defensiva, priorizando eficiência e preservação de caixa.
Leia também: FIDCs têm fronteira promissora de crescimento no Centro-Oeste


