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Americanas deve sair da Recuperação Judicial, mas otimismo do mercado é contido

Amanda Meneses

Após três anos de uma luta para se reerguer diante de um escândalo financeiro que abalou o mercado, a varejista Americanas deve, finalmente, dar fim ao processo de recuperação judicial. 

O mercado não vê grandes resistências ao encerramento, mas observa a empresa ainda com cautela.

A empresa anunciou a entrada no pedido à 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Estado do Rio de Janeiro no dia 25 de março, tendo em vista o cumprimento de todas as obrigações previstas no Plano de Recuperação Judicial, segundo o comunicado.

Isso marca, possivelmente, o fim de um capítulo iniciado em janeiro de 2023, quando o mercado foi surpreendido com a notícia de um rombo contábil bilionário na empresa. 

Bruno Boris, sócio fundador do Bruno Boris Advogados, lembra que a RJ não é um processo com duração eterna, visto que a legislação prevê que o judiciário acompanhe o adimplemento do plano aprovado pelos credores pelo período máximo de dois anos. 

“Encerrado esse período ou mesmo antes, se houver uma antecipação das obrigações previstas por parte da recuperanda, existe a possibilidade de saída da RJ”, conta. 


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Com o encerramento da RJ, a empresa exclui a menção "em recuperação judicial" de sua denominação e documentos e passa a ser considera recuperada para o mercado, com impacto positivo no acesso facilitado a crédito e melhores condições de negociação com os credores.

Ainda há obrigações pendentes a serem cumpridas, mas o risco de convolação em falência, com o encerramento da RJ, está afastado. A Americanas alega ter cumprido substancialmente o plano de recuperação, tendo quitado boa parte das dívidas renegociadas, retomando sua capacidade operacional.

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“O mercado não vê grandes resistências ao encerramento da recuperação judicial. Ao longo do processo não tiveram grandes questionamentos o que indica que o processo correu bem e tem condições de evoluir para a próxima fase”, comenta Marcos Camilo, CEO da Pulse Capital. 

Agora, caso aprovado o fim da recuperação judicial, encerram-se as proteções judiciais contra novas execuções e os financiamentos também perdem a proteção judicial. “A necessidade de garantias reais aumenta”, diz o executivo, acrescentando que credores serão mais rigorosos no fornecimento de crédito. 

Por outro lado, o encerramento da RJ pode viabilizar reestruturações societárias e vendas de ativos complexos ou unidades de negócio. A Americanas, inclusive, planeja vendas de ativos, em especial, o desinvestimento da Hortifruti Natural da Terra (HNT).

Mas com os juros altos e a sistemática de recebimento de varejo, que depende muito de parcelamentos e cartões de crédito para vender ao consumidor, o setor ainda vive período de altos custos financeiros, o que mantém a empresa em uma situação de risco.

“O mercado até olha com algum viés construtivo no headline, no sentido de virar a página e reduzir a incerteza jurídica, mas na prática ainda há bastante cautela. A companhia segue operando bem pressionada, com estrutura de capital fragilizada e uma recuperação operacional ainda incipiente”, pontua Caroline Sanchez, analista da Levante Inside Corp.

Para a analista, sair da RJ por si só não resolve o centro do problema, que é geração de caixa e sustentabilidade do negócio no longo prazo. Caroline reitera que uma eventual saída pode até ajudar a destravar negociações com credores e dar mais visibilidade, mas também aumenta a cobrança por execução. 

“Nas ações, o papel continua muito mais uma tese tática/especulativa do que fundamentalista. Deve reagir a notícias, fluxo e eventos, mas ainda sem trigger claro de rerating sustentável. É um passo importante no processo, mas ainda longe de mudar a tese”, opina.