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Copasa promete privatização versão 2.0 da Sabesp e acionista de referência deve ditar tom do mercado

Amanda Meneses

A privatização da Sabesp sob o ponto de vista do mercado abriu precedente para que outras companhias, em especial do setor de saneamento, entrem na fila para repassar o controle ao segmento privado. Agora é a vez da Companhia de Saneamento de Minas Gerais, a Copasa, realizar sua oferta secundária de ações para a privatização. O modelo, que deve seguir o processo feito pela Sabesp em SP, com alguns ajustes, deve ter um acionista de referência e é visto de maneira positiva pelo mercado. O tamanho da alta das ações, no entanto, deve depender da companhia que assumir o papel de investidor de referência.

Segundo o governo de Minas, a modelagem adotada estabelece a possibilidade de haver um investidor estratégico, “que deve atestar capacidade financeira, experiência em infraestrutura e compromisso com as metas de universalização previstas em lei”. Neste caso, além da possibilidade de participar na oferta a mercado, esse investidor poderá adquirir 30% das ações da empresa em uma parcela da oferta, mediante compromisso contratual de não realizar revenda pelo período de quatro anos. Na parcela da oferta ao mercado, o Estado transferirá a propriedade de 15% das ações da empresa, podendo chegar à totalidade das suas ações, caso não haja investidor estratégico de referência.


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O mercado reagiu bem ao anúncio, com casas como Santander e Itaú avaliando a “estrutura como positiva, com a Copasa mantida entre as top picks na América Latina”. O projeto de lei da privatização da empresa foi aprovado no final de 2025 e a expectativa é que o processo seja finalizado até o fim do primeiro semestre de 2026. O molde será similar ao da Sabesp, mas com algumas diferenças como a fixação de preço das ações e a renovação de contratos. 

Lucas Sant'Anna, sócio de Direito Público e Regulatório do Machado Meyer, pontua que, normalmente, o investidor que adquire uma empresa estatal busca ter o controle da companhia para maximizar resultados e implantar uma política de saneamento, seguindo os padrões de universalização, e cuidar dos investimentos. “Na Sabesp, a Equatorial fez a oferta, levou, e hoje está fazendo todas as melhorias no controle total da companhia. E quais são as preocupações com a Copasa? Ainda existe algum trabalho a ser feito em relação à renovação de contratos, principalmente com o município de Belo Horizonte, o contrato mais importante. O grande valor do ativo está efetivamente nos contratos de prestação de serviços de saneamento para os municípios”, diz o advogado, lembrando que a Copasa, assim como a Sabesp, é uma empresa estadual que presta serviços para municípios. O Estado de Minas está correndo para renovar esses contratos. 

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Segundo o advogado, existe “alguma lição de casa” ainda a ser feita em relação a esses contratos. Ainda que as chances de renovação sejam grandes e efetivas, isso pode gerar alguma dificuldade na precificação da privatização da companhia. Dadas as informações circuladas até agora, o processo estabelece 30% de ações para o investidor de referência e depois 15% para investidores pulverizados, sem a fixação de valor para esses papeis, diferentemente do processo na Sabesp, em que o valor para os acionistas que adquiriram as ações da companhia após a privatização era o mesmo, fixado pela Equatorial. “Essa estratégia de precificação não está errada. Está perfeita. Acho que a grande preocupação, conhecendo a maturidade do mercado brasileiro, é essa história dela dizer que pode, eventualmente, se não tiver um investidor de referência, vender de forma pulverizada no mercado para se transformar em uma corporation. E esse caminho já acho mais difícil, justamente porque o investidor vai querer controlar a maioria de assentos do conselho, poder de indicação do CEO”, opina.

Para Flávio Conde, analista da Levante Investimentos, o modelo ideal para a Copasa também é o modelo do acionista de referência, o mesmo utilizado na Sabesp. “A corporation não é o melhor modelo, principalmente nessas empresas que você precisa fazer um turnaround, precisa reduzir custo, despesa, e aumentar receita não apenas ampliando o serviço, já que a Copasa de Minas Gerais só tem 67% da população de Minas como cliente da empresa”, afirma o analista. “Tem muito para crescer dentro do próprio estado de Minas Gerais. Com novo investidor/ acionista de referência tal qual São Paulo, é o melhor modelo para as empresas de saneamento.”

Na visão de Enrico Cozzolino, CEO da CZZ Capital, o modelo de acionista de referência, no caso da companhia, em que o investidor estratégico entra com 30% das ações, com até 45% de poder de voto, e o Estado mantém o golden share com 5%, é ideal para Copasa, evitando takeover hostil (risco em utilities reguladas), e atraindo grandes players, além de maximizar valuation sem diluição.

Segundo a Bloomberg Linea, empresas como a própria Sabesp, Aegea, Perfin e Veolia estão de olho da Copasa, a depender dos detalhes da privatização. Esse, inclusive, é um ponto importante para determinar a alta das ações. Nos últimos 12 meses, os papeis da Copasa subiram 153,32%, de acordo com dados da Elos Ayta, enquanto o Ibovespa subiu apenas 45,2%. 

“Parte disso [valorização com a privatização] já está no preço, mas pós-oferta, ocorrendo como esperado, teremos um múltiplo bem mais interessante de investimento, melhora na expectativa de dividendo e payout, e por valuation ainda atrativo”, diz Cozzolino.