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BRB entra no radar de reguladores após rombo bilionário ligado ao Banco Master

Bloomberg

O Banco de Brasília (BRB) vem sendo alvo de escrutínio crescente depois que reguladores estimaram que transações ligadas ao fracasso do Banco Master deixaram um rombo de quase US$ 1 bilhão em suas finanças.

O BRB ficou com ativos de baixa qualidade após tentar trocar carteiras de crédito adquiridas do Master, afirmou o diretor de Supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, à Polícia Federal, em audiência realizada no dia 30 de dezembro.

Os depoimentos de Aquino, do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, foram tornados públicos nesta quinta-feira (30) pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, responsável por conduzir o caso envolvendo o Master.

“É provável que o ajuste seja superior a R$ 5 bilhões (US$ 951 milhões)”, disse Aquino, citando a “qualidade dos ativos” que o BRB recebeu do Master, segundo vídeo divulgado pelo STF.

A liquidez do BRB está sendo monitorada de perto pelo Banco Central, de acordo com uma fonte familiarizada com o assunto. O governo do Distrito Federal, que controla o banco, está preparado para realizar eventuais aportes de capital que se façam necessários, afirmou o secretário de Economia, Daniel Izaias, ao jornal Correio Braziliense.

Segundo as autoridades, o BRB adquiriu cerca de R$ 13 bilhões em créditos fraudulentos do Master, em operações que teriam sido estruturadas para sustentar as finanças do banco em meio a uma crise de liquidez. Os créditos teriam sido originados por empresas criadas poucos dias antes de vendê-los ao Master e que não tinham capacidade financeira para gerar tais operações, disseram os investigadores. O BRB afirmou que substituiu mais de R$ 10 bilhões desses ativos.

O BRB é um dos poucos bancos estaduais ainda em operação após o governo brasileiro ter incentivado a privatização da maioria dessas instituições no fim dos anos 1990. O banco tinha R$ 83,5 bilhões em ativos em setembro, segundo dados do Banco Central, e atua em segmentos como crédito imobiliário e serviços de depósitos judiciais.

Essas atividades podem representar riscos mais amplos ao sistema financeiro do que aqueles associados ao Master, que tinha um balanço de tamanho semelhante, mas operava em nichos mais isolados do restante do setor bancário.

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Originalmente focado no mercado de Brasília, o BRB iniciou uma expansão agressiva para outros Estados em 2019, sob a gestão de Costa. No ano passado, o banco anunciou planos de adquirir o Master, em uma operação amplamente criticada pelo mercado como um resgate a uma instituição em dificuldades. Os reguladores barraram a transação em setembro, e o Master foi liquidado dois meses depois, desencadeando desdobramentos que ampliaram as preocupações com a saúde financeira do BRB.

O BRB e representantes de Costa não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.

Costa, que foi afastado do cargo em meio às investigações sobre o Master, afirmou em seu depoimento que o BRB alertou o Banco Central após identificar “padrões diferentes” na documentação relacionada a parte dos créditos adquiridos. Segundo ele, a tentativa de compra do Master foi uma decisão técnica, sem influência política.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que indicou Costa para comandar o BRB, tem ligação com o bloco do Centrão no Congresso e é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em resposta por escrito, a assessoria de Rocha informou que o BRB contratou uma auditoria externa e que a Polícia Federal investiga o negócio com o Master.

Vorcaro reconheceu que conversou algumas vezes com Rocha, mas negou que decisões relacionadas ao acordo com o BRB tenham carecido de fundamentos técnicos. Ele também contestou a ideia de que suas conexões políticas fossem suficientes para protegê-lo.

“Se eu tivesse tantas relações políticas assim e tivesse pedido ajuda, o negócio com o BRB não teria sido barrado, eu não estaria aqui com tornozeleira eletrônica e não teria sido preso”, disse Vorcaro durante seu depoimento.

Ele foi detido em São Paulo em 17 de novembro, ao tentar embarcar em um voo para Dubai, e posteriormente liberado sob monitoramento judicial. Representantes de Vorcaro se recusaram a comentar.

As audiências de dezembro foram marcadas após Toffoli determinar a realização de um confronto entre Aquino, Costa e Vorcaro no mesmo dia. O encontro acabou ocorrendo apenas entre os dois executivos, depois que Toffoli deixou a decisão a cargo da polícia, em meio a controvérsias públicas sobre sua condução do caso.

Durante o confronto, Vorcaro afirmou que o BRB tinha conhecimento de que as carteiras vendidas pelo Master haviam sido originadas por terceiros, versão contestada por Costa.


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