Gestores de fortunas reforçam uso de ETFs na alocação, que ultrapassa 50% na renda variável
O mercado brasileiro de ETFs – fundos de índices negociados em bolsa – ganha corpo ano a ano com diversificação das casas que ofertam o produto e das sub-teses dentro da renda fixa e variável. No Brasil, segundo boletim da B3 de agosto/25, o patrimônio dos ETFs estava em R$ 65 bilhões, volume 20,4% maior do que o registrado em dezembro de 2024, de R$ 54 bi. Do volume sob custódia, 55% dos recursos alocados em ETFs vêm dos investidores institucionais e 35% da pessoa física. Os gestores de fortuna são parte deste movimento. A Capital Aberto ouviu casas focadas na alta renda para entender o crescimento no uso dos ETFs para alocação de recursos – aqui e no exterior – e as principais teses que sustentam o movimento.
Na alocação internacional, em renda variável, ETFs chegam a responder por mais de 50% da exposição dos clientes das casas. Na local, a participação do instrumento nas carteiras é menor, mas ainda assim ganha espaço na medida em que o mercado vê surgirem novos players e teses diversificadas. Na Cimo Family Office, no mercado local, 50% da alocação em renda variável é feita por ETFs, no exterior, ultrapassa 80% da exposição dos clientes.
“Dividimos os retornos em duas partes, os sistêmicos, fruto do crescimento do país, da economia, das empresas etc., e os característicos de cada um dos ativos, individuais. Na nossa visão, na alocação que busca o beta (retorno/sistêmico), ETFs são um ótimo instrumento”, explica Caio Athié Teruel, gestor Patrimonial na Cimo Family Office. Teruel acrescenta que, no exterior, os preços dos ativos são mais próximos do valor justo. “Quando você pensa em uma alocação de bolsa nos Estados Unidos, por exemplo, faz muito mais sentido olhar para um ETF que segue o S&P do que tentar escolher ações individuais”, comenta o gestor, acrescentando que são poucos os gestores que conseguem, de fato, encontrar oportunidades e gerar um retorno para além do que seria a média de mercado. “Eles têm que gerar um retorno não só um pouquinho melhor, mas melhor o suficiente para pagar o custo.”
Sobre os aportes nos ETFs locais, negociados na B3, o gestor da Cimo lembra que após 2020 houve maior desenvolvimento do mercado com produtos e players, colaborando para maior liquidez. “Começa a gerar demanda em quem busca o retorno sistêmico com um instrumento mais barato, transparente. O custo dos ETFs no Brasil vai cair mais, na medida em que avança a competição”, comenta. Na B3, a Cimo aloca recursos dos clientes tanto na renda fixa quanto na variável. “Para travar um retorno com IPCA+, a gente pode comprar título público direto, mas faz sentido um fundo passivo que já tem estas posições, que opera nesta curva de juros. Para alocações passivas, o ETF é excelente.” Na renda variável, o family office utiliza ETFs para exposição em S&P e MSI World, por exemplo, pelo acesso “barato a uma exposição global”. No Brasil, perto de metade da alocação dos clientes da Cimo utiliza ETFs.
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Na Integrity Wealth Management, a maior presença dos ETFS na carteira dos clientes ocorre na renda variável (que inclui cripto), perto de 50%, mas com alguma exposição na renda fixa. “A época da remuneração por rebate, em que produtos não tão bons eram oferecidos, está ficando para traz, o que abre espaço para os ETFs, mais baratos e transparentes”, comenta Catherine Menezes Cruz, CIO da Integrity. “Com custo mais baixo, os ETFs ganham espaço na parcela passiva da renda variável dos portfólios, em alguns casos até na ativa.” O instrumento, pelo custo, faz sentido para clientes com menor renda, explica Catherine, para os primeiros acessos a bolsas do exterior. “Para montar uma estrutura lá fora teria IOF, câmbio, que vão encarecendo.”
Outro atributo importante do instrumento, lembra a CIO, é o diferimento tributário. “Na renda fixa, se compararmos um produto (fundo) DI versus um ETF, é bom lembrar que na bolsa não tem o come cotas e acaba melhorando o retorno para o cliente”, explica, acrescentando que a menor exposição da RF via ETF é fruto de “termos bons gestores que buscam retorno acima”, falando de fundos RF/crédito privado. Atendendo clientes a partir de R$ 3 milhões de patrimônio, na Integrity, o ticket médio está em R$ 17 milhões.
Na área de wealth da G5 Partners, ETFs são usados na parcela líquida das carteiras dos clientes. “Dentro da parcela de investimentos tradicionais, a gente usa ETF, principalmente em ações. Na renda fixa internacional também usamos, mas com maior cautela pelo risco fruto do tamanho da dívida das empresas, às vezes muito alavancadas”, comenta Mario Nevares, sócio e gestor de Portfólios Offshore da G5. “Na alocação offshore temos ETFs do S&P, de ações de valor e de outras teses. A gente também aloca em ETFs ativos, algo que cresce muito nos últimos anos” comenta Nevares, lembrando que neste caso (ativos) exige seleção mais apurada do gestor. Na G5, 70% da alocação em ações internacionais é realizada via ETFs.
Na visão do executivo, comparando o mercado local com o internacional, há muito o que avançar. “Ainda vai crescer muito, teremos além dos ETFs passivos, também os ativos que hoje são muito acessados lá fora. A demanda vem aumentando.” Nevares lembra que mesmo com custo menor e mais transparência, a liquidez é um elemento essencial na escolha dos ETFs. “Dependendo do tamanho do investidor, você aloca num ETF que faz sentido para ele no longo prazo, mas não tem liquidez, é uma preocupação”, afirma, lembrando que os ETFs mais antigos são mais líquidos. “É um bom instrumento sob diversos aspectos e que ganha espaço, desde que tomados alguns cuidados que incluem a escolha do gestor, confiar que ele replique bem a carteira.”
