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Asset1 lança fundo de crédito com prazo de resgate alongado e dribla spreads amassados

Amanda Meneses

Fundada em 2020 e “com muito de Itaú Asset”, visto a origem de seus executivos e a posterior entrada do banco como sócio, a Asset 1 está lançando agora mais dois fundos para complementar sua estratégia. Sem influência do cenário macroeconômico na criação das teses, a abertura dos produtos faz parte de um planejamento de longa data em ser uma gestora multiestratégia, mas o prazo de resgate alongado do A1 D30, o novo fundo de crédito privado da casa, é oportuno em um momento de spreads apertados. Já o segundo fundo, de debêntures incentivadas, apesar de descorrelacionado com o evento, surge após a onda de títulos emitidos nos últimos meses diante do susto com a MP 1.303, mas vem a mercado com postura diferente e mais conservadora, com gestão ativa no risco de renda fixa. 

Enquanto o A1 debêntures incentivadas teve início em 31 de outubro, com expectativa de retorno entre 110% e 130% do CDI ao ano, o A1 crédito privado D30 foi colocado de pé em 10 de novembro, com uma expectativa de rentabilidade de 115%. 

“Novembro foi um mês importante para nós, porque lançamos algumas novas estratégias, sempre tendo em mente a tese de ir do mais conservador para o mais agressivo. Lançamos agora um fundo D30, de crédito High Grade D30, com mais liberdade de atuação, principalmente em alguns aspectos de gestão”, conta Marcelo Fatio, sócio-fundador da Asset 1, esclarecendo que, por ser um fundo D30, o veículo de crédito pode tomar mais risco. “Lançamos também o segundo fundo isento, de debêntures incentivadas, mas esse com gestão ativa na parcela de renda fixa, no risco de renda fixa.”

Segundo Fatio, a casa já havia discutido com alguns alocadores importantes, parceiros da gestora, qual deveria ser a dinâmica de lançamento de fundos, e fechou esse conceito de iniciar a tese com um produto mais conservador e “ir cascateando” o lançamento de outros com mais risco. A tese de crédito, inclusive, trabalha com duas visões de alfa dentro da gestão: análise fundamentalista, processo mais tradicional da análise empresa por empresa, e uma segunda fonte de alfa, chamada book do trading, onde faz uma gestão bastante ativa de papéis de crédito no portfólio. Para a Asset 1, essa é uma vantagem competitiva, especialmente no atual desenho de mercado com spreads a um nível muito baixo. Com isso, a casa “prefere estar mais leve no book do carrego e ser mais ativa no book do trading”.


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Daniel Palaia, CIO de crédito da Asset 1, lembra que o momento do ciclo de taxa de juros alta, já há algum tempo, está afetando o balanço das empresas via despesas financeiras, bem como a atividade econômica, que está arrefecendo. “Isso é normal e faz parte do ciclo. Dado esse momento, reduzimos a posição de crédito dos fundos, estamos com muito mais caixa. O prazo médio dos nossos papéis está muito menor. Não só por conta desse contexto macroeconômico, mas também porque quando olhamos o nível dos spreads, ele não conversa com esse ciclo, com esse momento que estamos. Os spreads estão em níveis muito baixos”, comenta, acrescentando que não significa ficar conservador para sempre. “No momento em que os spreads abrirem e passarem a um nível interessante, voltaremos a ser mais agressivos. Fizemos esse movimento algumas vezes ao longo desses últimos 12 meses.”

Daniel Palaia, CIO de crédito da Asset 1

Para a casa, as dificuldades econômicas dado o cenário macro, juros altos por período prolongado, devem perdurar por algum tempo, e mais empresas devem se mostrar em dificuldades. Casos como Ambipar, Braskem e Raízen devem se repetir ao longo dos próximos meses, mas sem impactar o mercado significativamente ou o desempenho dos fundos. 

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“Se pegarmos períodos de 2014 a 2016, Covid, Americanas, é natural ter aqueles emissores, setores que estavam mais alavancados, ou mais afetados pela redução da atividade, com esses casos de estresse. E isso vai continuar acontecendo. Nossa visão é essa”, opina Palaia, acrescentando que, até o Banco Central terminar o ciclo de redução de juros e a atividade começar a voltar a ficar mais forte, há um tempo de pelo menos uns 12 meses. “Então, nos próximos 12 meses, enxergamos que terá mais emissores com problema. Mas não enxergamos isso causando um problema geral no mercado de crédito. Percebemos em todos esses casos, que foram eventos importantes, mas que não chegaram a afetar de forma relevante a performance dos fundos de crédito.”

Em relação ao público ao qual os fundos de crédito da casa são voltados, a maior parte dos clientes são pessoa física, até pelo perfil da distribuição dos produtos. Segundo a casa, o maior fluxo de clientes dos produtos vem das plataformas de distribuição, especialmente de Itaú, XP e BTG. “Tem alguma coisa de pessoa jurídica também, de pequeno, médio porte, principalmente no produto high grade, que é um produto de liquidez, é um produto que paga o resgate em D1, mas a maioria é pessoa física”, conta Fatio.

Já o fundo de debêntures incentivadas surge em complemento à estratégia da casa, que já possui na grade um fundo isento “hedgeado” (todo indexado ao CDI), consequentemente, o passo natural seria lançar um veículo que agregasse o risco da gestão da renda fixa. Segundo a Asset 1, a gestão de duration, de perfil de risco e perfil de volume de caixa, é a mesma ou talvez até mais ativa em relação ao fundo de crédito high grade. A casa, inclusive, do ponto de vista de duration, está em uma ponta um pouco mais conservadora, trabalhando com uma duration entre três e quatro anos, que, para esse perfil de fundo, é baixa. “Justamente porque enxergamos algum espaço ainda para abertura de spreads. Não de forma tão relevante como foi outubro, por exemplo, mas tem algum espaço”, conta Palaia, complementando que a casa está aguardando o tamanho dessa correção dos spreads e monitorando o volume de resgates dos concorrentes. Do ponto de vista de caixa, de percentual de crédito, a casa tem trabalhado em uma média entre 70 e 80%.

Para a casa, o ano de 2025 foi positivo do ponto de vista de captação. A gestora, inclusive, tinha expectativas de captação ao longo do ano que estão sendo atingidas e muito bem, tanto no fundo high grade quanto no anterior, segundo Fatio. Agora, entrando nessa fase com os novos produtos, a expectativa de captação no curto prazo é boa. A perspectiva é positiva sobre a captação do fundo D30, visto o feedback que a Asset 1 recebe de seus principais alocadores e a preferência das plataformas de distribuição pelo fundo D30 em relação ao fundo D1. Para o fundo de debêntures incentivadas, que deve pegar o movimento de juros e melhora da rentabilidade aos investidores, a visão também é positiva.

Histórico da Asset 1

A Asset 1, que iniciou com a tese de multimercados, segmento há algum tempo numa janela difícil, avançou para a renda fixa e, no último ano, criou a vertical de crédito. O nascimento da área, segundo o sócio-fundador, ocorreu de forma diferente ao ser estruturada por Daniel Palaia e toda sua equipe, advindos da Schroders Brasil, com quem já havia trabalhado por mais de uma década no Itaú. “Então, tem um nível de sinergia, de conhecimento, bastante grande. Em dezembro de 2021, lançamos o primeiro produto de crédito. E dentro do nosso planejamento, começaríamos com um produto mais conservador e vamos lançando novos produtos, subindo o grau de risco desses produtos de crédito”, esclarece Fatio, complementando que o primeiro fundo, de crédito high grade, completa um ano este mês.

O fundo Crédito Privado High Grade, primeiro da tese de crédito da casa, está completando um ano este mês. Até agora, a rentabilidade do produto versus a chamada da concorrência relevante está com 111% do CDI desde o início, até outubro deste ano. Já o primeiro fundo de debêntures incentivadas da gestora entregou 123% do CDI até outubro deste ano, com uma volatilidade de 0,58 desde seu nascimento, no primeiro trimestre de 2024. “É o segundo melhor fundo em termos de retorno, 123% do CDI. Mas a hora que comparamos o nível de risco, a volatilidade do produto em relação aos concorrentes, ele é um produto com uma volatilidade bastante menor. A qualidade, o risco retorno aqui, acho que fica bastante boa. É um diferencial”, conclui Fatio.