Após captar R$ 9 bi com fundo Confianza, Mapfre Investimentos prepara versão Plus, menos líquida
Originária do grupo espanhol Mapfre, um dos maiores conglomerados de seguros e serviços financeiros do mundo, a gestora Mapfre Investimentos se mantém fora dos riscos e da volatilidade do crédito privado corporativo, estratégia que rendeu à casa um crescimento expressivo de 52% nos últimos 12 meses, em especial, devido ao seu fundo Confianza, cuja carteira é focada em crédito bancário. O plano, agora, é colocar no mercado uma versão diferente do fundo somente em 2026. Recentemente, a asset atingiu R$ 25 bilhões sob gestão e mais de 140 mil cotistas.
“A casa está bastante dedicada ao crédito, mas não é o crédito corporativo convencional que muitas casas fazem. Por exemplo, nosso portfólio de crédito corporativo é bem pequenininho, não chega a R$ 100 milhões. O que temos bastante é o crédito bancário, mas não operamos qualquer coisa. Só naquele segmento que chamamos de high grade, bancos com um nível de classificação creditícia bastante elevado”, comenta Carlos Eduardo Eichhorn, diretor de gestão de recursos da Mapfre Investimentos.
Dentro do portfolio de crédito, a gestora só possui bancos com classificação de rating de AA para cima. “Por que a gente atua nesse segmento? Porque é o segmento que os clientes valorizaram, sinalizaram para nós que eram naqueles ativos que eles gostariam que a gente atuasse. Então, por onde que chega isso? Pelos mandatos exclusivos e também pela sinalização dos agentes autônomos”, conta o executivo.
O principal vetor do crescimento da casa entre 2024 e 2025 foi o fundo Confianza, dessa tese de crédito bancário, lançado em 2023, mas que ficou rodando durante um ano para formação do portfólio e cumprir prazos regulamentares da Anbima. O fundo, aberto a mercado oficialmente em agosto de 2024, acumula R$ 9 bilhões atualmente.
Esse é o produto mais novo da casa, e representa o avanço da Mapfre na estratégia, que será precedida pelo Confianza Plus em 2026. “Ele não está lançado comercialmente ainda, faremos esse lançamento para os próximos meses. Estamos conversando com assessores, com as plataformas. Ainda está no período de formação do portfólio”, diz o executivo. O fundo, também criado a pedido de assessores de modo a atender a demanda dos clientes, tem um pouco menos de liquidez de resgate que o Confianza, de modo a entregar um pouco mais de rentabilidade.
“O assessor fala que o cliente busca por esse produto com um pouquinho mais de rentabilidade. Uma parcela dos clientes quer ter menos liquidez, estar fora do D0. E, para isso, a gente precisa ter uma regra de resgate um pouquinho maior para ter uma duration um pouquinho maior na composição da carteira, mais concentração nas operações que estivermos fazendo”, explica o executivo sobre o racional do produto.
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A casa está dividida em 47,6% em crédito privado, 48,5% em renda fixa (títulos públicos), 3,8% em multimercado, 0,1% em ações e 0,1% em fundo cambial. Embora possua fundos de outras classes, a principal aposta da casa é o segmento de crédito bancário. Em comparação com o fundo de Renda fixa, Eichhorn destaca que o Confianza apresenta uma volatilidade 5 vezes menor, com entre 0,10 e 0,20 de volatilidade anualizada.

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“A gente precisa se adaptar ao mercado local. Tivemos estratégias muito mais sofisticadas: ações, multimercado, ações small, que é uma bem nichada. Também é um produto passivo. O renda fixa ativo, que toma risco de mercado. E o produto que mais captou foi justamente o de menor risco”, diz o executivo da Mapfre, acrescentando que a casa notou nos últimos 3, 4 anos, a busca dos investidores no Brasil por sair da volatilidade, o que afetou a indústria de multimercados. “Acho que tiveram mais de R$ 500 bilhões de resgate no multimercado. Isso migrou para onde? Para produtos como o Confianza.”
Com a estratégia, a Mapfre ficou blindada de eventos de crédito como Americanas e Light, em 2023, e mais recentemente, Ambipar, Braskem e Raízen, mas não por coincidência. Pouco antes da pandemia, em 2019, a asset tinha uma carteira de crédito corporativo mais relevante dentro do portfólio, mas começou a notar que as empresas estavam piorando sua estrutura de capital, ou seja, se alavancando, e a taxa de rentabilidade oferecida para o mercado não compensava o nível de risco que apresentavam. “Ali, fomos deixando de lado o crédito corporativo, a estrutura de capital piorou, então fomos ficando de fora e nos concentramos no bancário de curto prazo. Essas operações bancárias não passam de dois anos, em sua maioria”, conta o diretor de investimentos da gestora.
Agora, com a aproximação da queda de juros, a perspectiva da casa é que o interesse por produtos de renda variável, como os multimercados, reacenda. “Se o investidor for buscar esse tipo de produto, a gente já tem nas plataformas e na nossa prateleira também. O Confianza e o Confianza Plus foram produtos para aproveitarmos os movimentos de mercado que o cliente precisou”, diz Eichhorn.
A casa é cautelosa ao divulgar dados de captação, mas a equipe mantém em mente que possui a capacidade de captar R$ 120 milhões por mês, fazendo o trabalho convencional de visitar clientes e assessores, e realizando evento de divulgação do produto para grupos de investidores. “Achamos que uma medida boa são R$ 120 milhões por mês, o que daria um pouquinho mais de 1,2 bi por ano. Esse é um bom número. Provavelmente entre R$ 1 bi e R$ 1,5 bi para o próximo ano. Pegando os dados deste ano, a gente ultrapassou bastante isso. Mas entendemos que é bastante atípico “, conta o executivo.
A casa, que surgiu em 2003 com o objetivo de fazer a gestão de recursos para o grupo Mapfre, expandiu a atividade oferecendo serviços a terceiros, como outras empresas e fundos de pensão e, hoje, possui uma parcela de quase metade dos clientes (47,7%) com perfil aberto (oriundos de plataformas, corporativos etc.), enquanto 31,8% é capital de origem da Mapfre Seguros, 11,6% da previdência e 8,9% de institucionais.
A casa ainda não possui investidores estrangeiros, devido a restrições regulatórias e a questão fiscal para esse público, que ficaria encarecida. No entanto, há estudos para lançamento de um produto em Luxemburgo, que permita o investimento direto pelo público não atendido lá fora.


