Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

Filantropia cresce nas famílias de grandes fortunas e 77% delas já apostam no tema

Amanda Meneses

Juliana de Paula e Cássio Aoqui, autores da pesquisa

A filantropia tem se tornado um tema relevante nas famílias de alto patrimônio brasileiras, as chamadas "famílias de grandes fortunas". Segundo o estudo “Perspectivas e Oportunidades da Agenda de Filantropia em Family Offices”, realizado sobre o papel de Single e Multi Family Offices (SFOs e MFOs) no Brasil na agenda de impacto social, 77% das famílias entrevistadas afirmam que seu principal motivador para doar é gerar transformação social efetiva. No entanto, o tema é tratado de forma muito reativa (33% SFO e 47% MFO) e/ou ainda nem é abordado (23% entre SFO e MFO), um contraste que revela o tamanho da oportunidade.

A pesquisa, que contou com a participação de 103 colaboradores, entre eles 70 Family Offices e 23 famílias filantrópicas, entre agosto e outubro de 2025, revelou que, embora o número de FOs formais venha crescendo, falta de tempo e priorização é o principal entrave do tema (36% nos MFOs e 37% nos SFOs) — um reflexo da predominância de rotinas financeiras e operacionais que ainda ocupam o centro da gestão patrimonial. Por outro lado, em relação às famílias, pela perspectiva do MFO, o principal entrave é a falta de conhecimento e de como começar (78%), o que mostra a importância de uma parceria entre o mercado financeiro e o campo filantrópico.

Entre os fatores do entrave, o primeiro - e mais determinante - segundo os insights da pesquisa, é a demanda das próprias famílias, destaca Cássio Aoqui, pesquisador e doutor em Ciências pela USP e um dos responsáveis pela pesquisa. Nos Single Family Offices, o tema costuma surgir justamente porque é a família quem traz a pauta. Já nos Multi Family Offices, que atendem dezenas de famílias simultaneamente, a pesquisa mostra que muitos clientes já chegam pedindo apoio em filantropia, e isso é o que costuma destravar o assunto inicialmente. O segundo ponto envolve incentivos e apoio especializado.

"O terceiro ponto diz respeito ao preparo interno. Tanto SFOs quanto MFOs reconhecem falta de conhecimento técnico para lidar com filantropia - algo que as famílias também identificam, somado à falta de tempo. Ou seja, ampliar capacidades internas é visto como condição fundamental para o avanço dessa agenda", esclarece Aoqui.


Última semana da Black November Capital Aberto: Aproveite! Os cursos que você sempre quis com os descontos que você nunca imaginou


Os resultados do estudo, realizado com patrocínio do Movimento Bem Maior e apoio do Instituto ACP, mostram que o tema já é uma demanda nas conversas patrimoniais: 55% dos multi family offices afirmam que já tiveram clientes perguntando sobre o tema, mas apenas 22% dos MFO estimulam o tema de forma ativa.

Os Single family offices, apesar de a grande maioria dos entrevistados já atuar de forma mais planejada na agenda (52%) e 62% dessas famílias já possuírem instituto ou fundação próprios, ainda possuem oportunidades para serem mais estratégicos na agenda, envolvendo, principalmente, diferentes gerações. 

Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

A pesquisa aponta insights importantes a respeito dos produtos que atraem a atenção desse público. Por exemplo, muitos FOs e MFOs demonstram vontade de criar fundos ou veículos próprios - como institutos ou fundações familiares. Também valorizam curadoria de organizações confiáveis, mentoria em filantropia estratégica e conexão com o ecossistema. Outro tema forte é apoio para programas de legado e sucessão, porque filantropia é vista como um vetor relevante para a continuidade intergeracional.

"De forma sintética, a pesquisa mostra que a agenda já está dentro dos Family Offices, mas tende a avançar ainda mais quando houver: demanda das famílias, apoio técnico, incentivos, clareza no relacionamento e oportunidades reais de aprendizado, conexão e institucionalização. Esses elementos, hoje, estruturam o interesse dos Family Offices e das famílias pela filantropia no Brasil", opina Aoqui.

Mulheres e novas gerações lideram o interesse pela Filantropia

O levantamento aponta que mulheres e herdeiros(as) das novas gerações estão liderando a conversa sobre filantropia. Entre os Multi Family Offices, 47% indicam sucessores (as) e 25% apontam mulheres como principais impulsionadoras da pauta.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), o número de Family Offices formais cresceu 82,5% em três anos, passando de 80 para 146, com R$ 457 bilhões sob gestão. Globalmente, estima-se que US$ 124 trilhões serão transferidos entre gerações até 2048, com 70% do público herdeiro formado por mulheres.

Essa redistribuição patrimonial impulsiona o papel dos Family Offices como mediadores de propósito, educação financeira e impacto socioambiental. “A sucessão patrimonial é também uma sucessão de valores da família. E a filantropia tem se mostrado o espaço mais fértil para cultivar esse diálogo entre gerações”, observa Juliana de Paula, conselheira em Filantropia para Famílias e Family Offices e coautora do estudo.

Da execução à estratégia: o papel de influência dos Family Offices

Hoje, tanto SFOs quanto MFOs já atuam, em alguma instância, sobre a gestão operacional das doações nacionais - 63% (de forma mais recorrente) e 53% (de forma mais pontual), respectivamente, operam em aspectos financeiros e jurídico-tributários -, mas poucos oferecem curadoria de parceiros ou apoio estratégico. Apenas 7% dos SFOs e menos de 5% dos MFOs fazem acompanhamento ou aconselhamento em filantropia, o que reforça a necessidade de evoluir do modelo “backoffice” para o modelo consultivo e relacional. 

Entre as famílias entrevistadas, 77% apontaram o impacto social efetivo como principal motivação para doar, seguido por legado e perpetuação de valores (55%) e engajamento das novas gerações (18%). As principais barreiras, porém, são culturais e técnicas: 78% das famílias afirmam que os FOs não estão preparados para lidar com o tema, e 57% criticam o foco excessivo em performance financeira.