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Com novos FIDCs e SAFs, OutField acelera estratégia no mercado esportivo

Jiane Carvalho

São 10 anos de estrada, três FIDCs rodando — um quarto em construção —, investimentos em clubes de futebol no Brasil e no exterior, além de aportes em equities que vão de Liga de Esporte a produtora de conteúdo para plataformas de streaming. Na OutField Holding, seja na vertical de dívida ou de equity, a atuação é 100% focada no esporte. A casa participou, ao lado da Galapagos Capital, da estruturação do primeiro FIDC para um clube de futebol, o São Paulo, em 2019, além de estar presente em Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) como as do Coritiba (PR) e do Maringá (PR). A Capital Aberto conversou com Pedro Oliveira, sócio fundador da OutField, sobre as novidades de 2025 e os planos de acelerar o passo nos próximos anos.

“A gente é um bicho um pouco diferente dos negócios mais tradicionais porque somos um player 100% setorial, e tudo que a OutField faz é voltado para esporte e as conexões de esporte com entretenimento, mídia e tecnologia”, resume Oliveira. “Evoluímos bastante e hoje temos um braço de serviços, consultoria e M&A, que ganhou força após a aprovação da SAF há quatro anos, e outro de dívida, que oferece uma estrutura melhor para o passivo dos clubes.”

A OutField tem, hoje, cerca de R$ 700 milhões sob gestão. O plano é chegar, até 2030, a R$ 2,5 bilhões. “As duas áreas, de equity e dívida, devem crescer em paralelo, de forma equilibrada. Atuamos em um setor, o esporte, que no Brasil como mercado existe há mais de 120 anos, mas como indústria, formalmente falando, tem seis, sete anos. Agora, nossa ideia é consolidar o que já vínhamos fazendo e ter mais capilaridade e soluções que ajudem a financiar o crescimento da indústria, seja no equity ou no crédito.”

Neste ano, a OutField deu passos importantes nas duas verticais. Em dívida, a casa lançou no primeiro semestre o FIDC Futebol e captou R$ 100 milhões. O produto faz a antecipação de recebíveis de clubes de futebol e levantou recursos junto a family offices e investidores institucionais. O FIDC Futebol, informa Pedro Oliveira, já fez operações com três clubes da Série A, quatro da B e um da Série C.

“É um FIDC multicedente multisacado, usamos um pool de garantia diversificada, pulverizada o que é bom para o investidor”, explica o sócio da OutField, sem citar nomes. O América Mineiro, que disputa a segunda divisão do Campeonato Brasileiro, foi um dos clubes que já falou publicamente que tem operações no produto. Há outras cinco operações sendo avaliadas para o fundo.

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O FIDC Futebol se junta a outros dois já estruturados pela OutField: o do São Paulo, com R$ 400 milhões de PL, e o FIDC OutField, de R$ 50 milhões que investe em legal claims de jogadores contra clubes na Câmara Nacional de Resolução de Disputas (CNRD), uma espécie de câmara de arbitragem da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O novo FIDC em estruturação pela OutField será também neste mesmo modelo, com o intuito de adquirir direitos creditórios oriundos de litígios na CNRD da indústria do futebol.

OutField foi do Paraná à França

O movimento mais importante da OutField em 2025 foi a compra, ainda de participação minoritária, do Le Mans Football Club, recém-promovido à Ligue 2, segunda divisão do futebol francês. “Entramos como um parceiro estratégico, minoritário, mas o acordo inclui uma cláusula que possibilita assumir o controle no futuro”, explica. No Brasil, a OutField já fez um investimento na SAF do Maringá, com um evento de saída com venda aos próprios acionistas do clube, e com o Coritiba, clube que acaba de conquistar o acesso à Série A do Brasileiro.

“No Coritiba, iniciamos em 2023 como investidor minoritário e no começo desse ano a gente ajustou um pouco o formato e assumimos a congestão do ativo junto com a Treecorp, acionista majoritária da SAF", diz.

Na área de equity, destaca o executivo, outros movimentos foram importantes, citando em particular dois realizados no exterior. A OutField tem investimentos, via seu fundo de VC OTF Capital 2, na Religion of Sports (ROS), que entre seus fundadores tem o astro da NFL Tom Brady, e foca na produção de conteúdo relacionado ao segmento esportivo. A casa também investiu na Hexagon Cup, liga espanhola de padel, um dos esportes que mais crescem no mundo, uma mistura de squash com tênis. “Quando ampliamos os investimentos setoriais, dentro do esporte, a gente explora novas tendências, oportunidades. Avançamos também com parceiros, como a Spectra, Galapagos e outros alocadores, como Itaú Asset.”