Vinci Compass vê risco em alocação concentrada em NTN-Bs e alerta fundos de pensão
O ambiente desafiador, diante de pressões econômicas e geopolíticas no Brasil e no exterior, tem afastado os grandes investidores da diversificação, gerando uma concentração em títulos de renda fixa (RF), considerados “mais seguros”. Executivos veem, no entanto, um risco na carteira com pouca ou nenhuma diversificação, focada na RF, prática comum às Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs), conhecidas como fundos de pensão, e outros grandes institucionais. A análise é de especialistas da Vinci Compass, que veem na alocação concentrada em NTN-Bs um risco.
A avaliação foi feita durante o 46º Congresso de Previdência Privada, realizado na capital paulista nesta quarta-feira (22) pela Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp). Com os juros altos e investidores acreditando que outras classes de ativos além da renda fixa não fazem sentido, gestores defendem a alocação offshore, não apenas para diversificação de portfolio, mas para diversificação de risco e proteção contra eventos de cauda (hedge).
“Estamos entrando em uma conversa sobre se o dólar é a moeda global, mas nunca fizemos a análise se o real é uma moeda global de reserva. Não podemos esquecer que a constância é do dólar e a volatilidade do real”, diz George Kerr, head de Distribuição de Produtos - Brasil da Vinci Compass, citando dados que apontam um mercado superestimando continuamente a valorização do real, a exemplo das previsões do boletim Focus. “A matemática aqui é inegável. Nossa inflação é mais alta que nos EUA, e a tendência é que a moeda vá se desvalorizando.”
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O executivo ressalta que nos fundos de pensão o viés é de longo prazo e, no longo prazo, o timing de “quando” investir no exterior não importa. Ainda que o S&P esteja no all time high, Kerr reforça que a alocação seja feita visando o longo prazo, “em empresas e mercados que crescem”. “A provocação aqui é, por que não pensar qual o tipo de setor, país, região que a gente deveria querer investir e então buscar os melhores veículos para isso, independente se está no Brasil ou se está no exterior?”, defende.
Durante o painel, a Vinci Compass destacou que o mundo segue avançando em market cap, enquanto o Brasil permaneceu estável nos últimos 10 anos. Segundo o executivo, a evolução do S&P é visível, enquanto localmente, a participação das empresas no Ibovespa continua mais perene, com maior presença das mesmas companhias, maiores e mais significativas no mercado. Para ele, dependendo do tamanho da exposição ao exterior, deve haver hedge ou não. “Considerando que hoje a média da indústria tem menos de 1%, a minha sugestão é que sim”, diz. Já numa exposição de 10%, como no caso dos fundos de pensão, estruturalmente, o executivo acredita que não seja necessário o hedge.

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Embora os EUA sejam a economia que ganha os holofotes, os executivos da Vinci acreditam que é necessário analisar outros países para diversificar os investimentos. Inclusive, este ano, o movimento ganhou alguma força desde o anúncio das tarifas
“A diversificação não deve ser feita comprando só ETF de S&P, o Spy, que funcionou nos últimos 15 anos. Desde o Liberation Day, percebemos os grandes institucionais se diversificando para fora dos EUA. Vemos uma reorganização dos fluxos dos grandes investidores, e isso, inclusive, favoreceu o Brasil este ano”, diz Fernando Lovisotto, head de IP&S Brasil e Chile da Vinci Compass, pontuando que o mercado está no pior momento de diversificação nos últimos mais de 20 anos, visto que cerca de 80% das carteiras está em renda fixa, mais especificamente em NTN-Bs. “Com todo esse dinheiro preso em NTN-B na curva, o ativo tá dado, o passivo vai disparar, nós vamos nos machucar. Enxergo um grande risco para esse asset allocation atual, modelo que as fundações adotaram e foram empurradas nos últimos anos”.
Lovisotto também lembrou que o tempo de permanência no investimento importa. “Essa brincadeira de fazer market timing não funciona. Ela é muito perigosa e destrói o resultado final”. Na conta da Vinci Compass, o “portfolio ótimo” teria 70% de exposição em Brasil e 30% ao exterior. “Sabemos que cada caso é um caso, mas onde achamos que cabe mais ou menos hedge? Plano BD e renda fixa internacional”, pontuando que plano CD, ativos de risco no Brasil e exposição a bolsa internacional, podem dispensar o hedge.
Para os executivos, os fundos de pensão ainda mantêm uma alocação majoritária em NTN-Bs não apenas pelo nível dos juros, mas pela cobrança em relação aos resultados das EFPCs e o fator cultural. “Na minha visão, isso é matemática, os ativos com maior risco do indivíduo deviam estar na fundação, porque é o veículo correto para carregar mais volatilidade ao longo do tempo, porque não tem come-cota, não tem cobrança de tributo, nada”, opina Lovisotto. “Quando vejo o participante no perfil conservador na fundação, e a pessoa física tomando risco, está tudo errado. Ele deveria, na física, comprar LCI e LCA, e na fundação, um perfil agressivo.”
Walter Mendes, diretor-Presidente da Vivest, da Vivest, pontua que não há incentivo para esse investimento, visto que o déficit, a cobrança sobre os resultados, é anual, ainda que a visão dos investimentos seja de longo prazo, o que dificulta a diversificação. “No Brasil, fala-se em investimento de longo prazo, mas não se pratica”, opina.
No painel, os executivos ainda citaram uma suposta bolha em relação às empresas norte-americanas, especialmente atreladas à Inteligência Artificial (IA). Para eles, ainda é cedo para afirmar isso, mas que o mercado deve estar na “última pernada” antes de uma realização.
