Petrobras paga 61% menos proventos em 2025; JBS e Ambev mais que dobram valores
O volume de proventos – dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) – pagos a acionistas de empresas listadas na B3 cresceu pelo segundo ano consecutivo e atingiu um valor 7% maior do que o registrado no mesmo período de 2024. Entre janeiro e agosto de 2025, foram distribuídos R$ 218 bilhões em proventos ante R$ 204 bilhões no ano passado, segundo informações divulgadas pela plataforma Meu Dividendo na quarta-feira (8). Apesar do crescimento, o número fica abaixo do observado no ano recorde de 2022, quando foram pagos R$ 245 bilhões em proventos.
O bom desempenho se deu mesmo em meio à perda de fôlego da Petrobras (PETR4), maior pagadora de proventos da B3. Neste ano, a gigante do setor petrolífero distribuiu 61% menos proventos em relação ao ano passado – uma diferença de cerca de R$ 60 bilhões a menos para os acionistas. A Vale (VALE3) também diminuiu seus pagamentos, que foram de aproximadamente R$ 12 bilhões em 2025, 45% a menos que no mesmo período de 2024.
Entre as principais pagadoras da B3, o Banco do Brasil (BBAS3) foi outro destaque negativo, com uma distribuição de proventos 52% menor neste ano – foram pagos pouco menos de R$ 6 bilhões aos investidores até o mês de agosto.

Entre as empresas que registraram aumento no pagamento de proventos nos últimos doze meses, destacam-se o Itaú (ITUB4) – que pagou 27% mais proventos aos seus acionistas em 2025, totalizando cerca de R$ 12,2 bilhões –, a BB Seguridade (BBSE3) – com crescimento de 60% – e o Bradesco (BBDC4), distribuiu 17% mais proventos em relação ao ano passado.
Empresas de consumo se sobressaem
As grandes responsáveis pelo crescimento neste semestre, no entanto, foram as empresas de consumo, como a Ambev (ABEV3), cujos proventos aumentaram 177%, e a JBS (JBSS32), que distribuiu 100% a mais de proventos em relação ao ano anterior.
No crescimento percentual, o principal destaque fica com a Eletrobras (ELET6), que pagou 532% mais proventos em 2025, totalizando pouco mais de R$ 8,4 bilhões. A companhia elétrica também registrou o maior aumento no valor por ação, que saltou de R$ 0,40 para R$ 3,52 – um crescimento de 771%. Veja a tabela abaixo:
“Não podemos afirmar que esse excelente resultado dos primeiros oito meses irá se manter até o final do ano, tendo em vista as incertezas geopolíticas e econômicas que pairam no momento”, afirma Wendell Finotti, CEO da Meu Dividendo, plataforma especializada de antecipação de dividendos.

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“A SELIC nos patamares atuais desestimula os investimentos por parte das empresas, o que pode representar um represamento de caixa no primeiro momento, mas no longo prazo, significa que as companhias poderão ter crescimento menor do que o esperado no futuro, afetando sua percepção de valor pelo investidor”, acrescenta Finotti.
“Todo o setor produtivo está apreensivo sobre o endereçamento do equilíbrio fiscal por parte do governo e se preparando reativamente para as mudanças impostas pela reforma tributária que começará a surtir efeito a partir de 2026”, conclui o empresário.
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Prazo médio de recebimento de proventos tem aumentado
Ainda de acordo com os dados divulgados pela Meu Dividendo, o prazo médio para o investidor receber seus proventos quase dobrou: de 63, passou para 110 dias. A média foi puxada para cima por um aumento no volume de proventos distribuídos por empresas que têm um histórico de pagamento com prazo mais elevado, como a Telefônica (VIVT3), Iochpe Maxion (MYPK3), Odontoprev (ODPV3) e SANEPAR (SAPR11) que, em 2025, levaram mais de 150 dias para realizar seus pagamentos.
Na visão de Finotti, CEO da Meu Dividendo, o prazo mais longo também tem a ver com um receio do mercado.
“As empresas estão mantendo recursos em caixa por mais tempo, segurando o pagamento de proventos, devido às incertezas do mercado brasileiro e global”, afirma.
“Não existe nenhuma legislação pertinente ao prazo máximo ou mínimo para que a empresa possa fazer o pagamento aos seus acionistas”, acrescenta o empresário. “Varia muito de empresa para empresa e suas estratégias de gestão do fluxo de caixa.”
Ainda abaixo de valor de 2020, proporção dos JCP voltou a crescer
A proporção de pagamentos realizados no formato de juros sobre capital próprio voltou a crescer neste ano, totalizando 40% do total de proventos distribuídos no primeiro semestre. O valor, registrado após uma leve diminuição dessa proporção em 2024 (36%), iguala o número de 2023 e fica acima dos percentuais de 2021 e 2022. Apesar do aumento, o número ainda fica distante do de 2020, quando a proporção dos JCP sobre o total de proventos foi de 50%.
Para Finotti, a oscilação pode ser explicada pelo ponto de vista tributário.
“Os dividendos têm sua obrigatoriedade conforme o disposto na política de distribuição de dividendos de cada companhia. O que está na política deve ser executado”, afirma.
“Uma grande parcela das companhias que auferem um resultado superior e querem compartilhar esse lucro com seus acionistas de forma extra, ou seja, um valor além do obrigatório, acaba fazendo essa distribuição no formato de JCP que traz uma vantagem tributária para a empresa, visto que este valor pode ser abatido para fins de pagamento do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro líquido”, conclui Finotti.
