Patrimônio de fundos de pensão deve atingir R$ 1,4 trilhão até dezembro, diz Abrapp

Apesar da volatilidade para o mercado em geral, com juros altos e tensões geopolíticas, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar (EFPCs), os famosos fundos de pensão, seguem surfando boa onda. O sistema de fundos de pensão encerrou o primeiro semestre de 2025 com resultados positivos e indicadores de solidez, com rentabilidade média do sistema em 6,48% e ativos ultrapassando R$ 1,33 trilhão, o equivalente a 11% do PIB nacional. A previsão é terminar o ano com cerca de R$ 1,4 trilhão de patrimônio e pagando R$ 125 bilhões em benefícios.
Durante coletiva de imprensa da entidade, Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp, citou os números do segmento de fundos de pensão, destacando o “ano muito positivo para a Previdência Complementar fechada”. “Nosso patrimônio deverá atingir um R$ 1,4 trilhão em dezembro. Também vamos bater a nossa meta atuarial, hoje, estimada em 10,36%. Devemos chegar em dezembro com 14,45%”, diz o presidente da entidade, considerando o Ibovespa na ordem de 154 mil pontos, projeção moderada no mercado de EFPCs. “E com isso, nós deveremos ter um ano superavitário na ordem de R$ 5,2 bilhões”.
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A rentabilidade média acumulada até junho foi de 6,48%, superando a meta atuarial de 5,1% e os principais índices de referência, como o CDI (6,27%) e o Ibovespa (6,01%). Neste recorte do primeiro semestre, a renda fixa segue predominante na carteira consolidada, representando 84,4% dos ativos, enquanto a renda variável responde por 8%, e 7,6% estão distribuídos entre imóveis, investimentos estruturados e aplicações no exterior. Historicamente, essa é a menor participação em renda variável desde 2020, quando o segmento iniciou trajetória de queda após alcançar 20,4% das alocações. Desde então, a exposição vem diminuindo gradualmente — 15,8% em 2021, 13,7% em 2022, 12,3% em 2023 e 9% em 2024, refletindo uma postura de gestão mais conservadora diante da volatilidade dos mercados e das mudanças no cenário de juros e inflação.

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“Claro que ainda tem uma concentração grande em títulos públicos. Estamos basicamente com quase 80% do nosso patrimônio, mas eu considero isso episódico. Taxa de juros no patamar que está, não é bom para ninguém. Então, queda de taxa de juros abre ótimas oportunidades, para os investimentos chamados produtivos, no agro, na infraestrutura, na indústria”, diz Silva.
O executivo reforça que a “vocação” das EFPCs é investimento no longo prazo, e que “investimento produtivo” é o que traz retorno e resultados. A expectativa do segmento para 2026 é de uma queda de taxa de juros, em linha com o mercado. “A perspectiva é que, em abril, ela já atinja em torno de 13,75%. Há uma sinalização na política de investimentos, e os fundos estão antenados nisso. As políticas de investimentos estão em sintonia com o mercado. Hoje, uma remuneração dessa em renda fixa é atrativa, mas para uma foto. Sabemos que essa foto muda, e nosso interesse é justamente o filme todo”, comenta.
Mesmo em um ambiente econômico desafiador, o setor manteve equilíbrio financeiro, registrando redução do déficit líquido de R$ 8,9 bilhões em dezembro de 2024 para R$ 5,9 bilhões no primeiro semestre de 2025.
O executivo da Abrapp ainda rememorou os planos de incluir profissionais informais e “pejotizados”, como motoboys e outros, em um plano sem finalidade lucrativa para o autônomo. Hoje, a entidade está colocando esforços na empreitada para atrair esses profissionais e conscientizar a população. Outro ponto tocado foi o problema fiscal brasileiro e a questão demográfica brasileira, desafios estruturais do país. O plano é ampliar a cobertura das EFPCs, inclusive para entes federativos.
Segundo o presidente da Abrapp, o foco é de ampliação dessa previdência. “A visão que tenho hoje de previdência complementar fechada é uma visão otimista. Em muitas sociedades, temos patrimônios superiores a PIB, e precisamos, aqui no Brasil também, levar isso adiante. Aliás, osso plano estratégico para os próximos 10 anos, é 100% do PIB. Temos condição, por que não? E temos produto para isso, temos governança”, diz o executivo, citando que o índice de solvência dos planos está em 99% e deve passar de 100% em dezembro. “Isso quer dizer que nós estamos muito bem na foto internacional. Essas coisas precisam ser divulgadas.”
Silva também respondeu a perguntas, inclusive sobre os recentes eventos de crédito com os quais o mercado foi atingido. No entanto, segundo ele, as entidades não sofreram com isso. “Zero investimento no Banco Master, nunca tivemos. Poderia ter, estamos no mercado, mas não aconteceu. Eu diria que, o olhar hoje, em uma gestão baseada em risco, fundamentalmente, você tem que ter análise de risco todo o tempo”, conta. Na coletiva, o presidente da entidade também afirmou acreditar que não haja um efeito do IOF para as EFPCs, visto uma possível migração de participantes dos planos VGBL, citando que “possuem propósitos diferentes”, mas diz que “pode ocorrer”.
