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Multiplica planeja triplicar FIDC de consignado privado para R$ 600 milhões

Jiane Carvalho

A Multiplica Capital, boutique de crédito focada em ativos reais, com R$ 17,2 bi de capital sobre gestão, R$ 7 bi apenas na vertical de crédito, e 52 FIDCs na praça, está pronta para escalar seu produto de consignado privado. A casa atua desde 2018 com a modalidade e “testou” em seu FIDC o novo sistema de repasses dos valores, um dos grandes receios de outras gestoras especializadas em fundos de direito creditório que optaram por aguardar antes de montar estruturas voltadas ao segmento. O receio não era a toa. Houve dificuldades operacionais, comenta José Eduardo Barbosa, sócio e diretor da Multiplica - Crédito & Investimento, “mas já superados”. No plano da casa está acelerar captações a partir de janeiro de 2026.

Com as regras do crédito consignado privado atualizadas pela Lei 15.179/25, o limite de comprometimento da renda do trabalhador é de até 35% do salário para o pagamento das parcelas, podendo usar até 10% do saldo do FGTS como garantia ou até 100% da multa de rescisão, em caso de demissão durante o pagamento do empréstimo. “No produto que já tínhamos adotávamos um rigor muito alto em concentração política de concessão até porque a inadimplência não é baixa. Antes da mudança ele variava entre 12% a 15% de inadimplência na carteira”, comenta Barbosa. O FIDC da Multiplica sempre trabalhou na faixa de R$ 200 milhões a R$ 220 milhões de crédito concedido. “O novo consignado privado ficou muito sustentável em termos de risco, de escalabilidade. A gente se preparou muito para essa mudança, as taxas vão cair, mas claro que exige uma adaptação do produto.”


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A Multiplica tem um braço de originação de consignado privado para seus fundos e o mercado, que já colhe os frutos das novas regras. O Grupo H, que trabalha plugado com diferentes instituições financeiras, tinha uma média de R$ 8 milhões a R$ 9 milhões de originação por mês e só no primeiro mês após as novas regras saltou a R$ 25 milhões. O problema inicial, explica o CIO da Multiplica, foram os repasses.

“Muitos (outras gestoras) não quiseram correr o risco, mas decidimos desbravar o mercado. O primeiro repasse foi muito ruim o sistema atrasou e o repassou foi 20% menor. Agora em outubro, já veio impecável, ocorreu de forma adequada”, comenta Barbosa. Nos planos da Multiplica, está iniciar rodadas de captação a partir de janeiro ou fevereiro de 2026. “Testamos mais um pouco neste final de ano e depois escalamos.” Na expectativa de Barbosa, o FIDC tem potencial para atingir em torno de R$ 400 milhões até junho do próximo ano, fechando 2026 na casa de R$ 600 milhões. “Este é o nosso target.”

FIDC de infra

Outro produto no universo dos FIDCs que ganha espaço na estratégia da Multiplica é voltado a financiar construção de galpões logísticos: o Soldi, estruturado para a Rosh. “É nosso primeiro FIDC voltado para a construção de galpões logísticos. São duas estratégias, uma de built to suit, com dois galpões locados para a Shopee, e outro especulativo, para locação fracionada”, explica o executivo.

Trata-se de um FIDC exclusivo, montado para o construtor – Rosh. No caso das duas unidades para locação à Shopee, já houve a securitização de todos os contratos de aluguel, diz o executivo. “O FIDC fica como um banqueiro da construção do galpão. Os investidores basicamente são institucionais.” O fundo levantou neste primeiro ano R$ 200 milhões. “Foi a primeira experiência de um FIDC para infra e foi surpreendente o ritmo de captação.”