Mercado de crowdfunding pode bater R$ 4 bi em 2025, afirma CVM
A reforma da Resolução CVM 88, que estava em consulta pública, deve abrir novas portas para a tokenização de ativos mobiliários e a atuação de securitizadoras neste ambiente, além de fomentar o crowdfunding. Em um ambiente marcado por juros estruturalmente altos, tomar risco deixou de ser uma escolha e se tornou uma necessidade. O uso da tokenização no credito privado também pode ser relevante neste ambiente ao fornecer recursos a empresas pequenas e medias que não teriam a credito a taxas mais competitivas. O tópicos – avanços regulatórios e a importância da tokenização para acesso a crédito – foram destaque no primeiro painel do 9º Painel GCB, realizado nesta quarta-feira (29).
O ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), João Pedro Nascimento, destacou uma série de resoluções que fomentarem o crowdfunding nos últimos anos. “A partir de 2022, a CVM desenvolve parecer de orientação, o de número 40, com cripto considerados valores mobiliários e entrando no perímetro regulatório da CVM. Foi um parecer que reconhece a possibilidade de tokenização”, resume Nascimento. “Depois tivemos outros ofícios circulares que abrem o debate sobre credito privado, ativos mobiliários, e token.”
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A nova fronteira para a tokenização de ativos deve ser aberta com a Resolução 88 que está em revisão. Em setembro, a CVM lançou uma consulta pública a respeito de mudanças nas regras que orientam a tokenização de recebíveis. “No Brasil, o custo do crédito é elevado. Por isso o mercado de capitais tem a oportunidade de aproveitar a demanda por capital e fornecer produtos capazes de aproximar o emissor do investidor”, acrescentou Nascimento. “Este mercado saltou de R$ 200 milhões em 2023 para os atuais R$ 2,2 bilhões, e pode ultrapassar os R$ 4 bilhões até o final do ano. Esse crescimento é resultado da entrada das securitizadoras”.
O CEO da Associação Brasileira de Criptoeconomia (Abcripto), Bernardo Srur, destacou o forte avanço das negociações realizadas pelo crowdfunding que movimentava R$ 200 milhões há alguns anos. “As mudanças regulatórias deram certo, hoje o mercado no primeiro semestre movimentou R$ 2,2 bilhões. Tem dado certo”, afirmou Srur. Bruno Gomes, superintendente de Securitização da CVM, previu um avançou ainda mais expressivo neste segundo semestre. “Acredito que passará de R$ 4 bilhões até dezembro. E com a possibilidade de tokenizar o credito privado, colocando as securitizadoras na jogada, há muito espaço para crescer.”
A reforma da 88 propõe uma série de mudanças – entre elas, a de trazer as securitizadoras registradas para dentro da norma, podendo atuar no crowdfunding. Hoje apenas as não registradas podem fazê-lo. Outra mudança, destaca Gomes, é a que acaba com limite de faturamento do emissor, que não pode ser companhia aberta, não tem limite de R$40 milhões de faturamento que tinha antes. ‘”Isto viabiliza mais captações de qualquer recebível. Abre um horizonte muito maior para emissores.” Entre os exemplos de ativos a serem tokenizados estão a CPR de produtor rural pessoa física, destacou o superintendente. “Produtor pessoa física poderá emitir, sociedades cooperativas também. Queremos ver como se comporta, como se conecta. Os mundos da tokenização e do agro vão se aproximar.”
