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Ibracon: 77% dos relatórios de sustentabilidade de empresas abertas foram submetidos à asseguração em 2025

Amanda Meneses

Com a COP 30 se aproximando e o Brasil no centro das discussões sobre transição sustentável, especialistas e reguladores internacionais defenderam nesta terça-feira (14) que relatórios de sustentabilidade sejam assegurados por profissionais de contabilidade, para garantir a credibilidade e a comparabilidade das informações reportadas. Segundo pesquisa do Ibracon, 77% dos relatórios de sustentabilidade divulgados por companhias de capital aberto este ano foram submetidos a algum tipo de asseguração ou verificação, sendo que em 74% dos casos o procedimento foi conduzido por auditorias independentes. A partir de 2027, a asseguração por auditorias independentes será obrigatória. 

O tema foi foco debates do evento “Rumo à COP 30”, organizado pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e pelo Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon) em Brasília. Participaram integrantes dos principais organismos globais da profissão, responsáveis por emitir as normas adotadas em cerca de 40 países.  

“O profissional de contabilidade é o mais preparado para fazer a auditoria e asseguração dos relatórios de sustentabilidade, porque ele tem o conhecimento técnico necessário para trabalhar com dados financeiros e de sustentabilidade de forma integrada”, afirmou Francisco Sant’Anna, representante do International Federation of Accountants (IFAC).


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Segundo reguladores internacionais, o procedimento é essencial para garantir a correta aplicação das normas. “Não é permitido realizar o trabalho com base em padrões mais brandos ou menos exigentes. É uma questão de uniformização do quadro regulatório internacional, que assegura qualidade, consistência e confiança em todos os serviços de asseguração e reporte de sustentabilidade”, enfatizou Gabriela Figueiredo Dias, presidente do International Ethics Standards Board for Accountants (IESBA). 

A representante do International Sustainability Standards Board (ISSB), Elizabeth Seeger, reforçou a importância da padronização para o correto funcionamento dos mercados. “Queremos que a linguagem utilizada para fornecer informações aos mercados de capitais seja o mais padronizada possível, reduzindo as diferenças entre empresas, investidores e jurisdições quanto à forma como recebem e interpretam essas informações”, destacou. 

As entidades internacionais também destacaram o pioneirismo no Brasil na adoção voluntária das normas internacionais de sustentabilidade, que passam a ser obrigatórias a partir de 2027. “É seguro dizer que o Brasil e a profissão contábil estão na vanguarda, promovendo transparência, rigor técnico e alinhamento aos padrões globais”, disse Tom Seidenstein, chair do International Auditing and Assurance Standards Board (IAASB). 

O presidente do Ibracon Sebastian Soares também reforçou a importância da COP para o Brasil e de iniciativas para fomentar a relação entre o mercado e iniciativas sustentáveis. “Quando vemos o evento da COP sendo sediado aqui, o primeiro país do mundo a aderir voluntariamente às normas de divulgação de relatórios financeiros, assim como o primeiro a emitir uma norma de contabilidade para créditos de carbono, fica claro que o Brasil está numa merecida posição de protagonismo”, afirmou.