Em meio a cenário volátil, conselheiros defendem matriz de risco bem definida e gestão proativa

Em um mundo marcado por instabilidades geopolíticas, incertezas econômicas e transformações aceleradas, surgem desafios para os conselhos de administração, como a antecipação de riscos e, ao mesmo tempo, a garantia da resiliência estratégica das organizações. Para especialistas, o foco da gestão, muitas vezes, é direcionado ao “dia a dia”, mas deve haver uma matriz de risco bem estruturada e uma gestão proativa para mitigar os impactos do cenário.
Na quarta-feira (8), durante o 26º Congresso IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa), executivos com atuação no conselho de uma empresa de capital aberto e de empresa familiar, de setores distintos, comentaram sobre os desafios enfrentados em cada área e opinaram sobre a antecipação de riscos. Para Manoel Carnaúba Cortez, sócio-Diretor da Impacto Energia S.A. e presidente do conselho de administração da Petrobahia, no segmento de combustíveis, há uma preocupação com biocombustíveis e com a importação de combustíveis, visto que o Brasil não é autossuficiente.
“O principal player, a Petrobras, tem uma política para os seus produtos que não é muito clara. Nós ficamos tentando adivinhar o que ela aplicará para o diesel e para a gasolina. Estamos inseridos nesse contexto”, conta Cortez, citando alguns dos desafios que devem ser incorporados pelo conselho.

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Já no segmento de varejo têxtil, Andrea Menezes, presidente do conselho de administração das Lojas Marisa, pontua a dificuldade do setor, ponderando que em relação a temas como impacto da transição energética e cadeias globais há “uma educação muito bem construída”. Para ela, o risco surge do escopo 3, olhando a cadeia de fornecimento, um risco global. “Em relação a fornecimento vestuário, o mercado asiático hoje, olhando as empresas listadas e algumas não listadas que temos contato, em geral, contribuem com 30% a 40% do nosso fornecimento. Do ponto de vista global, para vestuário, um dos grandes problemas é o trabalhista”, diz a executiva, comemorando a implantação do FRSS1 e S2 e pontuando a dificuldade de garantia das políticas da empresa por fornecedores do mercado externo. No varejo, Andrea ainda cita questões logísticas, com o impacto das taxas de juros e do câmbio.
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Diante do cenário desafiador, os executivos citam a importância de uma postura proativa nas empresas e o gerenciamento de uma matriz de riscos. Para Cortez, a gestão da empresa tem se preocupado mais com o “dia a dia” e a pressão pelo resultado, mas é preciso “pensar de uma forma mais na retaguarda, olhando as consequências de cada uma dessas ações”.
Andrea, das Lojas Marisa, também opina que deve haver uma mudança na maneira como a matriz de risco é feita. Na visão da executiva, a primeira linha de defesa, diretores, deve ser educada. Ela lembra que deve haver uma matriz de risco bem-definida se antecipando a diversos cenários, comentando que atualiza essa matriz anualmente. Inclusive, para os especialistas, esse prazo de um ano é considerado muito tempo na atual dinâmica do mercado.
“É um desafio, porque na dinâmica dos negócios hoje, um ano é muito tempo. E com essa globalização que temos em todos os setores, talvez devêssemos fazer isso com mais frequência. Ter um pouco mais de um olhar sobre todos esses aspectos para que a gente possa ter um pouco mais de planejamento”, opina Cortez.
Na avaliação da conselheira da Lojas Marisa, questões como as tarifas devem ter um alto impacto no mercado. “A guerra tarifária está num ponto que vai ter uma mudança séria, não sei exatamente qual”, citando uma estagnação da globalização em relação ao seu avanço dos últimos 75 anos e que o papel do conselho, nesse momento, é “olhar com mais calma, na retaguarda” e apoiar a gestão nessas decisões estratégicas.


