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Escalabilidade de projetos sustentáveis é desafio, diz presidente da Schneider para América do Sul

Amanda Meneses

Com o tema ESG (Ambiental, Social e Governança, em português) em voga, especialmente diante da proximidade da 30ª Conferência das Partes da ONU sobre Mudanças Climáticas, a COP 30, especialistas reforçam a importância do papel do setor privado e conselhos nas COPs e no cumprimento das metas climáticas do Brasil. Há interesse do investidor e de empresas em investimentos sustentáveis, mas dar escala a projetos e mão de obra especializada em transição energética são desafios.

Estes foram temas abordados no 26º Congresso IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa). Na abertura do painel sobre a participação do setor privado na temática, Rafael Segrera, presidente da Schneider para a América do Sul, ressaltou que a atuação do segmento é essencial, especialmente, porque ele é responsável pela maior parte das emissões de gases poluentes. Valéria Café, diretora-geral do IBGC, relembrou uma pesquisa recente do instituto que revelou que uma parte significativa dos conselheiros respondentes já incorpora o clima à estratégia central, mostrando que o tema de investimentos sustentáveis tem ganhado maturidade e relevância no ambiente corporativo, mas que 60% dos respondentes dizem que metas climáticas ainda não estão integradas de maneira significativa e mensurável à remuneração variável. 

“Faz parte hoje, também, do nosso benefício econômico. A gente é remunerado pelo cumprimento dessas metas. Você consegue tempo. O fato que a capacidade de execução seja remunerada também para todos os executivos, todos os membros da empresa, você se envolve porque acredita ou porque também tem um impacto pessoal”, pontua Segrera, citando a remuneração atrelada a aspectos ESG, algo que foi implementado na Schneider, especialista global em gestão de energia e automação.

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Para o executivo, os desafios na adesão desses critérios e adoção da temática ainda são gargalos técnicos e de mão de obra, ainda que haja o desejo por parte das empresas. Há um “problema de conhecimento” e, para as empresas, integrar métricas e processos alinhados a essa transição tem um peso econômico. “É difícil integrar como prioridade e comunicar tudo isso. A primeira coisa a saber é que a gente tem que abraçar e adotar, não porque é uma obrigação, porque faz parte das regulações. O mais importante é como vou tomar isso como uma oportunidade para o meu negócio”, diz Segrera, apontando que transformar e assegurar essa estratégia deve ser um facilitador. “Vai me permitir crescer, ter mais clientes, melhorar a minha margem e de ser mais aceito na comunidade de business também.”

O executivo também citou o olhar para a cadeia de valor e as dificuldades de empresas menores nessa adoção. Do ponto de vista do mercado, durante o painel, foram discutidos os entraves para investimentos sustentáveis, visto a falta de uma oferta maior de projetos escaláveis e como superá-los para trazer financiamento para a COP30.

“Em geral, o tema de financiamento sempre é ‘não tem dinheiro’. Tive a oportunidade de conversar com muita gente do mundo financeiro e, na verdade, o problema não é o dinheiro. Há dinheiro. Ele vai aonde as condições estão dadas. Tem um país que tem que dar as condições. O dinheiro vai aonde sabe que pode ter um retorno, e uma parte chave desse retorno é a possibilidade de escalar”, opina o executivo, complementando que o problema não é financeiro nem tecnológico, mas em relação à competência e formação de pessoas com capacidade para implementar essas mudanças. 

Segundo o executivo, as empresas “não só podem, como devem” investir em pessoas para acelerar essa transição. “Se vemos que essa transição é uma oportunidade de negócio, temos que atacar todos esses gargalos.”