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B3 negocia com empresas de menor porte para abertura de capital, de olho em mercado destravado pelo Fácil

Amanda Meneses

Flavia Mouta, diretora de emissores e relacionamento da B3
Flavia Mouta, diretora de emissores e relacionamento da B3

Após a criação do Fácil, regime regulatório da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que oferece condições simplificadas para registro, oferta pública e divulgação de informações, o mercado passou a olhar mais atentamente para o potencial das companhias de menor porte (CMPs). O segmento de Pequenas e Médias Empresas (PMEs) agora também ganha a atenção da B3, a Bolsa brasileira, que está reunindo esforços para atrair esse público.

Durante coletiva realizada nesta quarta-feira (15), a B3 rememorou as regras do regime Fácil e anunciou suas ações voltadas ao programa. O Fácil, cujo objetivo é tornar o mercado de capitais uma alternativa mais interessante para essas empresas de menor porte, traz facilitação do acesso a capital e incentivos a listagens, mas também impõe regras para participação, sendo faturamento bruto anual de até R$ 500 milhões, existência de conselho de administração e apresentação de algumas informações ao mercado.

“O grande recado do Fácil é esse. Permite que a empresa se torne uma companhia aberta, acesse o mercado, com uma série de dispensas regulatórias que foram calibradas para equilibrar o porte econômico da empresa naquele momento com adequada informação aos investidores”, diz Fernando de Andrade Mota, superintendente de Desenvolvimento de Mercado para Emissores na B3, esclarecendo que a listagem do Fácil também vai funcionar diretamente na B3. “A listagem conseguida na B3 vai gerar automaticamente um registro de companhia aberta na CVM. Isso também é um ponto de facilidade no processo tradicional.”


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O executivo da B3 pontua que a CVM desenhou o regime com a possibilidade de “diversas alternativas de oferta diferentes”, e que “a B3 vai deixar aberto” qual utilizar. “Vamos deixar em aberto todos os sistemas que o mercado já conhece, está habituado, para que cada empresa possa optar pelo caminho que vai ser melhor para ela naquele momento”, conta Mota. 

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A negociação de ofertas por meio do Fácil será realizada no mesmo ambiente/plataforma das ofertas comuns. Não haverá uma plataforma específica só para negociar companhias de menor porte, elas serão negociadas no ambiente da B3, com identificação para o público investidor de que aquela empresa está inserida no Regime Fácil, e divulgação pelo mesmo sistema que as ofertas tradicionais (Empresas net da CVM), com algumas delas sendo divulgadas na B3. “Vão ter toda a visibilidade por estarem listadas aqui na B3. A negociação vai estar à disposição de todos os investidores que já investem na B3, pessoas físicas, investidores de varejo. Os sistemas são aqueles que a gente já usa no dia a dia”, explica Mota.

O Fácil admite oferta de ações, de equity, que a B3 considera promissor, mas também admite renda fixa, que tem sido uma alternativa cada vez mais procurada pelas empresas. A Bolsa vê interesse em ambas as frentes, mas a expectativa é que a renda fixa se sobressaia, inicialmente. A B3, inclusive, vai realizar evento com clientes nesta quinta-feira (16) para anunciar a entrada no segmento e rememorar regras do programa, lançando o guia. Também está no pipeline alguns programas de educação sobre o tema.

“Já conversamos com algumas empresas, até antes da própria edição da norma pela CVM. Durante a consulta pública, algumas já demonstraram interesse. A gente não pode dizer os nomes, nem dizer quantas são, mas temos interagido com algumas empresas nesse patamar de faturamento e também com alguns participantes do mercado que são obviamente pontes para conectarem essas empresas ao Regime Fácil aqui na B3”, conta Flavia Mouta, diretora de emissores e relacionamento na B3.

Segundo a executiva, a B3 tem conversado com empresas sobre o mundo de equity, IPO, mas também tem interagido bastante pelo interesse em emitir dívida corporativa pelo Fácil”. Para Flávia, o toque de campainha "é sempre muito encantador, mas há um mercado de dívida corporativa muito intenso, em particular nos últimos anos”. 

A B3 não é a única na empreitada. A BEE4, criada com foco no desenvolvimento do segmento de acesso, ou seja, empresas de menor porte. A BEE4, inclusive, está promovendo um reality show para selecionar um grupo de empresas apta à abertura de capital pelo Fácil. “A gente respeita o posicionamento que a B4 trouxe a público, mas não é a estratégia que a B3 está adotando”, diz Flávia. “No que a gente aposta para viabilizar o fácil aqui na B3? Ter um grupo de parceiros bastante amplo. Acreditamos na democratização do mercado. A gente não vai ter pré-seleção.”