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Futuro de casas de wealth e assets é em criptomoedas e tecnologia, dizem players

Amanda Meneses

O mercado de capitais evoluiu ao longo dos anos, dando espaço a ativos para além dos tradicionais. O potencial das criptomoedas, como stablecoins, inclusive, é de bilhões, enquanto o mercado de ativos digitais, globalmente, já atingiu trilhões. Apesar do avanço, diferentes entes da cadeia veem espaço para aumento da alocação em criptomoedas e outros ativos digitais, bem como em tecnologia, até mesmo para casas de wealth, que geralmente buscam ativos mais tradicionais, mas já tem realizado alocações ainda tímidas nos produtos.

Durante abertura do Digital Assets Conference (DAC), evento promovido pelo MB (Mercado Bitcoin) com apoio de parceiros nesta segunda-feira (22), Daniel Carneiro da Cunha, Corporate Development do MB, ressaltou os feitos já conquistados pelo mercado, pontuando que as stablecoins atingiram marketcap de mais de US$ 300 bilhões. “O mercado de ativos digitais, globalmente, atingiu no ano passado US$ 4 trilhões em volume movimentado. É bastante coisa. Só as stablecoins, um dos temas do momento, tem um market cap na ordem de US$ 300 bilhões, representam mais ou menos 7% do estoque das moedas que eles representam hoje em circulação”, disse o executivo.

Cunha pontua que, com a regulamentação, que ainda é incipiente no tema, evoluindo, a aceleração do crescimento deve ser ainda maior. “Este ano, já vimos quase R$ 30 trilhões de volume transacionado com os stablecoins, então, a velocidade de adoção, os casos de uso talvez estejam em fase inicial, mas, a partir desses números, que são superlativos, temos um vislumbre do potencial.”


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Já durante o painel Distribuição e Inovação, diferentes players citaram suas perspectivas para alocação em ativos digitais. Renato Breia, sócio-fundador e CEO na Nord Wealth, fala sobre o movimento de alocação em criptomoedas nas casas de wealth, tendência mais madura no exterior. “O quanto ter da carteira do cliente em cripto? No começo, nossa resposta foi o mais conservadora possível, de no máximo 5% se você for um investidor arrojado”, disse. “Hoje, temos R$ 8 bilhões sob gestão na Nord, e por volta de R$ 80 milhões dos nossos clientes em exposição a cripto”, contou Breia, apontando que a maior parte da alocação ainda é feita por meio de ETFs, mas que isso deve ser ampliado para outros produtos.

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Durante a discussão, Bernardo Bonjean, da gestora Metrix, focada em cripto, mencionou um certo atraso do investidor brasileiro em relação aos Estados Unidos, citando a tecnologia, mas comemora o advento de ferramentas como a Inteligência Artificial e a Blockchain. Para ele, “temos o privilégio de presenciar blockchain e inteligência artificial, mas quando olhamos o papel das plataformas que deveriam guiar capital onde há construção de valor, elas não estão fazendo isso”, opinou. “E se você pegar os escritórios multifamily office, estão falando de Tarcísio, de Vale, de Cosan. A gente tem que começar a falar de tecnologia. Tem que começar a investir em tecnologia”.

Os executivos citam esse foco em questões geopolíticas e macroeconômicas de muitos entes do mercado e um gap em oportunidades de investimento em teses de mais longo prazo que tendem a oferecer retornos significativos, como a própria revolução tecnológica. 

Breia, da Nord, lembra do atual momento de alocação, muito voltado para a renda fixa, e cita a procura por ativos em alternativa a essa tendência, como os ativos digitais em frações menores e spreads maiores. Ele também cita parceria com plataformas como o MB. “Hoje, o nosso share of wallet é 80%, então 20% do dinheiro dos clientes não está com a gente. Ou seja, se eu puder oferecer outras coisas além do que eu já ofereço para ele, de repente, eu posso aumentar esse share of wallet”, diz, citando o interesse em aumentar o relacionamento com o cliente desta maneira.

Os executivos também citaram produtos para os quais têm olhado. Além de tokens e cripto, a InvestSmart, por exemplo, tem visto oportunidade de investimento em produtos como stablecoins. “Se pegarmos hoje a tokenização e o stablecoin, com o aumento da regulação, esse negócio andando, acredito que vai ser uma nova onda de liquidez para os clientes. É algo em que acredito bastante”, opina Samyr Castro, fundador e CEO da InvestSmart, maior escritório de assessoria de investimentos da XP, citando a transferência de riqueza de gerações anteriores para os mais jovens, que possuem mais relação com blockchain e cripto.

Na visão dos executivos, o futuro dos family offices deve ser olhar para criptomoedas e tecnologia. Para Breia, da Nord, o Brasil tem um ambiente regulatório e também tributário muito mais complicado, mas é inevitável que o tema ganhe força nas casas de wealth. “Pode ser algo que vai acelerar, crescer mais rápido, ou vai crescer devagar, mas com certeza vai caminhar nessa direção”, opina.