Boutique de investimentos Araújo Fontes amplia portfólio da asset e lança FII Multiestratégia
Ainda tendo M&A como carro-chefe, a Araújo Fontes (AF) vem expandindo as demais áreas de atuação, como dívida, asset e equity, com um modelo cada vez mais parecido com um Investment Bank. A AF tem acelerado o passo nos últimos anos com a injeção de capital do sócio e cliente em 2021, o banco BMG, que permitiu atuar completando cheques em emissão de dívida ou com investimentos em equity. As duas iniciativas mais recentes da casa são um fundo imobiliário multiestratégia (FII AFHF11) e um fundo de Capital Solutions, a ser lançado com recursos próprios.
“Todos os nossos negócios estão literalmente ligados à estrutura de capital dos clientes, seja na física ou na jurídica. A gente vem evoluindo nesse sentido, complementando esse apoio que a gente dá estratégico e financeiro”, comenta Evaldo Fontes, sócio fundador da Araújo Fontes. “Parecemos cada vez mais um banco de investimento, mas sem poder captar no mercado. Há dois anos começamos a atuar como underwriting, com o lançamento público de cotas dos nossos fundos de CRI, sem precisar de uma instituição financeira.” Na entrevista à Capital Aberto, Evaldo Fontes deu detalhes dos próximos passos da casa, que completa 35 anos.
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Das diferentes áreas da Araújo Fontes, o braço de M&A ainda responde pela maior parte da receita, perto de 40%. Na sequência, estão a estruturação de dívida (30%), recursos próprios investidos (de 15% a 18%), e a asset, incluindo wealth, com algo entre cerca de 14% da receita do AF. No ano passado, a casa participou de 11 M&As com volume ultrapassando R$ 3 bilhões. Neste ano, já são 8 transações e R$ 7 bilhões de volume. “Eu tenho tido sorte nos M&As”, brinca Fontes se referindo às dificuldades em fechar operações neste momento de juro alto. “Fizemos algumas transações relevantes que trouxeram bons retornos, principalmente ligadas à mineração.” Em dívida, foram 39 transações em 2024, somando R$ 3,7 bilhões. “Em M&A, vamos fechar o ano com 10 ou 11 transações. Em dívida, temos mais de R$ 4 bilhões em estoque de operações em processo de readequação.” A principal operação de M&A assessorada pela AF foi a venda da mineradora Itaminas para a RDA Mineração.
A entrada do banco BMG no capital da boutique, em 2021, permitiu a ampliação na forma de atuar e abriu novos horizontes à Araújo Fontes. “Com o aporte, passamos a ter capital próprio para operações de dívida. O BMG gera leads, temos fundos com eles, e a parceria nos permitiu atuar como asset, criando produtos. São parceiros e clientes.”
A mais nova iniciativa é o lançamento recente do fundo AF Invest Real Estate Multiestratégia, o FII AFHF11, que se junta na vertical imobiliária a outro fundo negociado na bolsa, o FII AFHI11, destinado apenas à compra de CRI e com um PL de R$ 427 milhões. O novo produto, que acaba de ser lançado, tem inicialmente CRIs, mas liberdade para comprar ativos físicos e cotas de outros fundos. “É um fundo oportunístico. A gente criou o produto justamente para ter liberdade. Começou com CRI porque é mais fácil, mas já estamos olhando projetos no Sul, no Rio e em São Paulo para o fundo”, comenta Fontes.
Outra novidade na Araújo Fontes é o avanço na estratégia de investimento com capital próprio, seja em dívida ou equity. “Estamos virando também clientes do mercado. Estamos fazendo testes com mais ou menos R$ 50 milhões de capital e vamos crescer, não necessariamente apenas com nosso dinheiro. Começamos a testar no ano passado e avançando. Já investimos em geração distribuída, por exemplo.” Nos planos da asset está lançar um fundo de Capital Solutions, mas não focado em ativos já estressados. A ideia é entrar nas operações em dificuldade, mas antes desta fase. “O nosso fundo será de soluções de capital, que a gente quer lançar em breve, mas evitando ativos já estressados. O fundo poderá fazer equity, dívida, utilizando o nosso capital.”
