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Ambipar obtém proteção judicial de emergência enquanto credores atacam

Bloomberg

A empresa brasileira de gestão de resíduos Ambipar recebeu proteção emergencial contra credores após informar a um tribunal que estava em risco de colapso financeiro — coroando um mês difícil que levou seus títulos a níveis recordes de baixa.

Alguns dos credores da empresa estavam exigindo pagamentos que poderiam desencadear cláusulas de inadimplência cruzada em sua dívida, segundo a empresa em um documento apresentado ao tribunal do Rio de Janeiro. Nesta quinta-feira (25), um juiz suspendeu todas as cobranças, execuções e ações de execução contra a Ambipar e suas empresas relacionadas por 30 dias, renováveis ​​por mais 30 dias, conforme os autos.

Somando todos os seus contratos com diversas instituições financeiras, a Ambipar pode ser chamada a pagar imediatamente mais de 10 bilhões de reais (US$ 1,9 bilhão) em dívidas, dizem os documentos.


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“O objetivo da Tutela Preliminar é assegurar a continuidade das atividades empresariais do Grupo Ambipar e conferir proteção ao seu patrimônio, enquanto o Grupo Ambipar, em conjunto com seus credores, busca uma alternativa viável para a adequada resolução de suas obrigações financeiras”, afirmou a empresa.

As notas de dólar da Ambipar, que vinham caindo há dias em meio à crescente preocupação de que a empresa estaria reestruturando sua dívida, caíram até 22 centavos na quinta-feira, atingindo a mínima histórica de 14 centavos por dólar, de acordo com a Trace. Enquanto isso, as ações despencaram até 61% em São Paulo, a maior queda intradiária já registrada.

De acordo com os autos, o Santander enviou uma notificação exigindo que a Ambipar pagasse antecipadamente cerca de US$ 120 milhões devidos ao banco até quinta-feira. O não pagamento poderia gerar cláusulas de inadimplência cruzada na dívida do grupo. À medida que os credores começaram a saber que a empresa buscava proteção judicial, começaram a entrar em contato com a empresa, disse a Ambipar, aumentando ainda mais o risco de um efeito bola de neve em suas finanças.

Em um documento separado, a empresa disse que o Deutsche Bank também estava exigindo o pagamento de 60 milhões de reais em garantias, cujo não pagamento aceleraria US$ 550 milhões em dívidas e também arriscaria acionar cláusulas de inadimplência cruzada.

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O Santander e o Deutsche Bank não quiseram comentar.

Problemas crescentes

Foi uma rápida mudança de sorte para a Ambipar, que há menos de dois anos estava apresentando seus novos títulos verdes e credenciais ESG para investidores de Londres a Nova York.

No ano passado, a operadora da bolsa de valores brasileira, a B3, pediu à empresa que explicasse as “flutuações atípicas” depois que as ações subiram cerca de 94% em questão de dias.

Mas foram duas investigações da CVM nos últimos três meses que agravaram as preocupações com a governança. Em julho, a agência sinalizou potenciais compras coordenadas de ações, alegações que posteriormente desmentiu. Mas os títulos públicos começaram a despencar de fato quando a CVM sinalizou potenciais problemas de conformidade com o programa de recompra da Ambipar no início de setembro.

Em 12 de setembro, a Fitch Ratings revisou a perspectiva da Ambipar para negativa, citando problemas de governança, incluindo atrasos em declarações, investigação da CVM e fraca transparência contábil, alertando para maior escrutínio e custos de financiamento. Seis dias depois, a S&P repetiu as preocupações, afirmando que falhas de governança e a queda da confiança do mercado poderiam prejudicar a qualidade do crédito e travar a desalavancagem.

Todos esses fatores de estresse levaram a Ambipar a reformular sua governança, anunciando diversas mudanças na semana passada. Mas isso não acalmou os investidores, que ficaram ainda mais abalados depois que a Ambipar anunciou ter contratado um consultor para analisar um possível exercício de gestão de passivos, que levaria em conta os preços atuais da dívida nos mercados secundários. Diversas mudanças na diretoria ocorreram dias depois — incluindo a do diretor financeiro João Arruda —, agravando as preocupações.

Os títulos em dólar da empresa representam agora o crédito com pior desempenho entre as empresas de mercados emergentes, gerando aos investidores uma perda de 60% neste ano. Um indicador para títulos de empresas de países em desenvolvimento retornou 7% no mesmo período.