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Petroleiras têm balanços mistos com destaque para Brava e lucro de R$ 26 bi da Petrobras

Jiane Carvalho

O recuo dos preços do petróleo no mercado internacional foi o principal desafio das petroleiras no segundo trimestre, funcionando como um detrator dos resultados. No período, o preço médio do barril tipo brent ficou próximo a US$ 66, inferior aos US$ 75 do primeiro trimestre e dos US$ 84 em igual intervalo de 2024. Fora este ponto comum, os fatores que impactaram as petroleiras juniores - PRIO (PRIO3), PetroReconcavo (RECV3) e Brava (BRAV3) – são bastante diversos e incluem aumento da dívida, aquisições e paradas técnicas na produção. A Petrobras (PETR3/PETR4), pelo seu gigantismo e relevância no setor e na B3 é um caso à parte.

A Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 26,65 bilhões no segundo trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 2,6 bilhões verificado um ano antes. Quando comparado ao trimestre anterior, o lucro liquido recuou 24% por conta do impacto da valorização  cambial no período. A companhia atribuiu o resultado ao aumento da produção de petróleo, entre outros fatores. Os dividendos e os juros sob capital próprio (JCP) a serem distribuídos serão de R$ 8,66 bilhões.

A receita líquida da Petrobras no trimestre encerrado em junho chegou a R$ 119,1 bilhões, recuo de 1,6% na comparação anual. Sobre investimentos, Magda Chambriard, presidente da Petrobras, afirmou que “estamos acelerando nossos investimentos em projetos de alta qualidade”.Até o fechamento desta edição (22h), só haviam sido divulgados os números de produção: 2,91 MMboed no 2T25, somando óleo, LGN e gás natural, o que representa um aumento de 5,0% em comparação ao 1T25.

O principal avanço em termos operacionais, entre as petroleiras juniores, foi registrado pela Brava Energia. A companhia apresentou um lucro liquido de R$ 1,05 bilhão no segundo trimestre, revertendo o prejuízo de R$ 582 milhões no mesmo período de 2024. A melhora no desempenho, que embora aguardada surpreendeu pela magnitude, veio com recordes de produção, receita e resultados operacionais. O Capex foi reduzido, marcando o segundo trimestre consecutivo com redução na linha de investimentos.

A receita líquida da Brava somou R$ 3,14 bilhões, alta de 0,4% ante o mesmo período do ano passado. Do lado operacional, a Brava alcançou um recorde de 85,9 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) entre abril e junho, 21,3% acima do trimestre anterior. “A petroleira está em uma tendência de melhora no desempenho. Vinha de uma posição grande de queima de caixa no quarto trimestre do ano passado, reportou um primeiro tri deste ano com melhora, mas ainda com queima de caixa, e agora está positivo”, comenta Regis Cardoso, head de Óleo, Gás e Petroquímicos da XP. “É uma combinação das duas coisas, mais produção gera mais caixa e gasta menos com investimento.”

No relatório do Santander, os analistas Rodrigo Almeida e Eduardo Muniz reiteram a classificação de desempenho “superior para a Brava”, apontando a companhia em um importante ponto de inflexão. “Acreditamos que uma produção de 90 mil boed deverá impulsionar uma redução significativa da dívida líquida nos próximos trimestres, o que esperamos que se traduza em uma valorização significativa das ações. O preço-alvo dos papeis da Brava na análise do Santander estão em R$ 25,00, acima da cotação atual, na casa dos R$ 20.

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Já o desempenho da PRIO no segundo trimestre foi considerado fraco, mas o que, na visão de analistas que acompanham a companhia, não tira a perspectiva positiva para as ações. Menores volumes e preços mais baixos pesaram nos números. “Foi um resultado fraco com a produção afetada por uma série de paradas técnicas que quando ocorrem pesam mais sobre companhias menores por terem menos ativos produtivos, do que uma Petrobras”, comenta Vitor Souza, analista de ações da Genial Investimentos, acrescentando que desembolsos pontuais de aquisições contribuíram para a última linha mais fraca do balanço.


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A PRIO reportou uma receita líquida de US$ 508 milhões no segundo trimestre de 2025. A produção média da companhia recuou 8% em relação ao trimestre anterior, mas com um crescimento de 11% na comparação anual. Segundo relatório da Genial, a expansão anual reflete a consolidação da participação de 40% no campo de Peregrino, adquirido no final de 2024, enquanto a retração trimestral foi puxada pela parada programada no campo de Frade e por uma falha no sistema de compressão de gás durante a retomada das operações.

O lucro líquido ajustado da companhia foi de US$ 154 milhões, queda de 44% frente ao 2T24. Por outro lado, a dívida líquida da PRIO alcançou US$ 2,7 bilhões no trimestre com uma alavancagem medida pelo indicador Dívida Líquida/EBITDA ajustado de 1,8x (vs 1,3x no 1T25). O resultado foi impactado pelo pagamento da entrada na aquisição de Peregrino (US$ 335 milhões), execução do CAPEX elevado, aumento do capital de giro e recompra de 3,8 milhões de ações em abril (US$22 milhões).

Na visão de Vitor Souza, tudo “estava no script” e não afeta a boa perspectiva para a companhia “que faz tudo certo”. Ele lembra que no final do mês passado, a PRIO registrou o recorde de produção de 123 mil barris. A normalização de volumes vendidos já deve acontecer no próximo trimestre. “No curto prazo, a expectativa é saber se irá manter este nível elevado de produção, e se o volume vendido volta a pelo menos 10 milhões de barris, após cair 20% no período, para 8,2 milhões”, comenta Souza. Em um horizonte maior, de oito meses, foco no desenvolvimento do campo de Wahoo, incluindo a perfuração do primeiro poço. “Este projeto estava atrasado por conta da greve no Ibama, mas agora avançou. No meio do ano que vem, a PRIO deve incorporar os outros 60% da produção de Peregrino.”

Considerado por Souza, o “case preferido” do setor, a recomendação do analista para as ações da PRIO é de compra, com um preço alvo de R$ 69,00, potencial de valorização de 73,11% sobre a cotação desta quinta-feira (07), de R$ 39,86. Em relatório, o Santander esperar que a PRIO melhore gradualmente a produção, mas afirma que “continua a ver a ação carente de catalisadores de curto prazo” e que, apesar do licenciamento ambiental em andamento, o primeiro óleo de Wahoo em 2026 será o principal impulsionador para a ação. Na projeção do Santander, o preço-alvo é der R$ 55,00.

Regis Cardoso, da XP, trabalha com um preço-alvo para a PRIO de 66,00. “O que a gente chama de resultado ruim é porque na margem ele piorou, mas a PRIO vêm de um ritmo de geração de caixa forte e com projetos que devem gerar muito crescimento para o próximo ano e, portanto, aumentar os resultados operacionais e a geração de caixa. Tudo muito bem desenhados”, explica o analista destacando a perspectiva para a companhia no próximo ano.  

Na PetroReconcavo, o lucro líquido no segundo trimestre foi de R$ 238 milhões, alta de 75% sobre igual período do ano passado. Já o lucro líquido ajustado, descontados os efeito cambiais da marcação a mercado da dívida e impostos diferidos das operações de swaps, somou R$139,1 milhões no mesmo período, o que representou um declínio de 38% na base anual. A receita líquida da companhia recuou 6% no trimestre encerrado em junho, para R$ 806,30 milhões. A receita liquida da companhia recuou 6%, a R$ 806,3 milhões.

O presidente da PetroReconcava, José Firmino, afirmou em mensagem no balanço que o segundo trimestre foi marcado por volatilidade no cenario macroeconômico internacional, o que resultou em queda no preço medio do petróleo do tipo Brent em 10% na comparação com o primeiro trimestre.