De olho no institucional, Riza monta Fiagro de arrendamento de terras com opção de recompra
A Riza Asset, casa com R$ 15 bilhões de AUM em 17 fundos entre abertos e fechados, está colocando na rua sua mais nova iniciativa no universo do agronegócio. Trata-se de um Fiagro de terras, que espelha a tese de outro produto da casa, o FII Terrax (RZTR11), mas com alguns diferenciais pouco comuns neste universo – com prêmios pagos para garantir o direito de recompra da propriedade pelos vendedores, à semelhança do que ocorre no mercado de opções. O novo Fiagro da Riza está em fase de road show e tem como foco o investidor institucional.
“Estamos em captação do nosso Fiagro Institucional de terras agrícolas, neste momento junto a Family offices, Multi Family, wealth e privates e pretendemos finalizar até o começo de setembro. É um Fiagro que espelha a tese já comprovada do Terrax, mas com vários diferenciais”, comenta Paulo Mesquita, sócio responsável pelo núcleo de Agronegócio da Riza Asset. O Terrax, citado por Mesquita, é um fundo aberto, com R$ 1,8 bi de PL, que busca retorno com três estratégias: Sale & Leaseback, Buy to Lease e Land Equity.
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A tese do Terrax que o novo Fiagro da Riza assume é a de compra de fazendas com arrendamento (Sale & Leaseback) mas com algumas características próprias. Trata-se de um fundo com prazo determinado, de sete anos, cota única, focado no institucional, com opção de recompra pelo proprietário das terras. “É o primeiro fundo da Riza, na vertical de agro, voltado ao institucional. É um produto que terá chamada de capital. Nossa expectativa é levantar algo entre R$ 150 milhões e R$ 250 milhões com o Fiagro”, explica Mesquita.
Na estrutura de remuneração montada pela Riza há dois eixos. A asset compra a terra com um desconto grande, em torno de 50% do valor de mercado, arrenda para o produtor e dá a ele a opção de recomprar a área pelo mesmo valor. Para garantir este ‘direito’, o proprietário paga, além do arrendamento mensal, um prêmio anual para manter esta opção vigente. Algo que se assemelha ao mercado de opções. “A expectativa é que o Fiagro entregue retorno final ao cotista de CDI mais 3,75% ao ano. Estamos em diligência dos três primeiros ativos (terras) para o fundo e o objetivo é chegar a cinco”, detalha Paulo Mesquita, sem informar quais seriam os ativos alvo da casa. No FII Terrax, a Riza tem 20 operações com foco em regiões produtoras de grãos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

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O novo Fiagro que a Riza colocou em roadshow chega ao mercado no momento em que os fundos da cadeia do agronegócio tentam se recuperar após anos difíceis com quebra de safras, volume expressivos de Recuperações Judiciais (RJ) no campo e defaults em Certificados de recebíveis do Agronegócio (CRA). No ano passado, a captação líquida dos Fiagros somou R$ 1,1 bilhão, 73,4% menor do que o registrado em 2023 (R$ 4,3 bilhões). Em dezembro passado, foram registradas ofertas de Fiagro no montante de R$ 1,3 bilhão, o melhor desempenho mensal desde janeiro de 2023, o que sugere recuperação. Segundo dados da Anbima, o patrimônio dos Fiagros, que em dezembro era de R$ 41,5 bilhões, bateu em R$ 50,5 bi em junho.
Na visão do responsável pelo núcleo de Agronegócio da Riza Asset é incorreto afirmar que há uma crise no agro, destacando que os problemas foram pontuais, mais ligados à gestão do que ao setor. “Nos últimos anos, veio muito dinheiro para o agronegócio via mercado de capitais, mas com alocações mal feitas, o que resultou em algumas inadimplências. É preciso separar o joio do trigo”, comenta Mesquita.
O Fiagro da Riza, o RZAG11, tem R$ 670 milhões e compra apenas crédito, CRAS e CPRs, originados e estruturados pela casa. “Não tivemos nenhum default. A gente só trabalha com produtor rural de grande porte que temos relacionamento há bastante tempo e conhecemos a governança”, comenta Mesquita, acrescentando que há poucos profissionais que entendem do mercado de capitais e do agronegócio. O executivo “nunca viu sentido” nas estruturas montadas para financiar as revendas, como a Agrogalaxy, que entrou em RJ e potencializou os problemas nos Fiagros que carregavam produtos de dívida da empresa.
Sobre a perspectiva do mercado de Fiagro, o sócio da Riza destaca regulações mais recentes, como a CVM 214 que entrou em vigor em março deste ano, e a CVM 175, novo marco da indústria de fundos, de 2023. A 214 permite que fundos voltados para o segmento possam operar com Cédula de Produto Rural (CPR) física e financeira, explorar imóveis rurais e adquirir participações em sociedades da cadeia produtiva do agronegócio, além de credito de carbono.
“Acredito que o mercado vai caminhar para a criação de Fiagros com diferentes níveis de subordinação, como ocorre com os FIDCs. Pode ter diferentes públicos para as cotas sênior, para o investidor de varejo com mais proteção, e demais cotas para qualificados. Os próprios CRAs que vêm ao mercado também podem ter essa característica de trancheamento ou subordinação”, explica Mesquita, acrescentando que a Riza não vai alterar os fundos da casa que já existem. “A ideia é fazermos novos fundos. Já estamos em conversas com alguns distribuidores para ter um novo fundo nessa característica de trancheamento, mas ainda não tem nada concreto. Tende a ser um produto de prazo determinado para evitar a volatilidade na cota sênior.”
