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Vinci vê cenário ‘hiper ultra desafiador’ em crédito e opta por liquidez

Érica Polo

Bruno Spilberg, head de crédito research da Vinci Compass
Bruno Spilberg, head de crédito research da Vinci Compass

Sob a ótica de risco e retorno, o mercado brasileiro está ‘hiper ultra desafiador’ reiterou o head de crédito research da Vinci Compass, Bruno Spilberg. “Há três pilares básicos, risco, retorno e liquidez, e não dá para ter os três ao mesmo tempo”, disse, em evento que participou neste sábado (26) na capital paulista promovido pela XP. “Neste momento temos privilegiado liquidez”. É a forma de se mover com mais chance de ganho, caso o gestor “entre em papel errado” num cenário de mercado mais arriscado, com macro mais desafiador, concluiu.

O alto patamar de juros, que impacta os negócios (dívida e fluxo de caixa) das companhias, e os efeitos do tarifaço dos EUA e da alta do IOF foram citados por Spilberg como pontos que mexem com o mercado. São elementos que não poderiam ser previstos, o que reforça a volatilidade do ambiente econômico. “Temos ficado nos títulos mais curtos, privilegiando a liquidez. No crédito, dizemos que é preciso fugir dos perdedores, assim como em equity se diz que é necessário achar os vencedores”, continua o executivo da Vinci.

Em sua leitura, as empresas de capital aberto alongaram passivo e “hoje estão super bem”. Já que “fizeram a lição de casa”, hoje não dependem da taxa de juros para “surfar a onda”, disse Spilberg. “Temos olhado agora as companhias que não estão em bolsa. Aí de fato tem que separar joio do trigo, já que o mais importante não é entrar e sim conseguir sair”, resumiu. “Temos escolhido empresas com receitas mais resilientes, cujo resultado não dependa tanto de juros altos”.

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Em equity, de fato, a companhia aumentou o pente fino. Jose Luis Pano (Pepe), sócio da Vinci, disse que nesta divisão de negócios a lupa foi reforçada em negócios que “vão bem independentemente do macro” – ou seja, o foco está no micro. “Temos pouca posição em volatilidade, por isso não investimos no agro por exemplo. Buscamos modelos provados, com bom retorno sobre o capital, que já passaram por muitos ciclos e é essencial que tenha comprador em potencial. A análise é muito caso a caso”, resumiu Pepe. A Vinci Compass tem apostado em formar times de equity com perfis ‘mais empreendedores raiz e menos Faria Lima’.

Especificamente sobre concessão de crédito ao agro, a head Gabriela Chiste disse que, assim como para crédito de forma geral, a palavra da vez é seletividade. O agro é forte, mas bastante diversificado e as análises sobre os projetos são fundamentais para optar pelos riscos a correr. “É importante dizer que não falta capital, mas falta estrutura ainda no agro”, comentou ela.

“O setor vem ganhando governança com [a aproximação ao] mercado de capitais, para entregar segurança para o investidor. Mas o agro é novo em nosso universo, e está numa primeira fase. Acho que ainda é pouco tempo para gente olhar o mercado de capitais como um grande financiador do setor”, opinou a head.

A Vinci atua com aproximação maior junto aos produtores, e observa a forma de gestão do negócio: como o produtor toca sua produção e a resiliência diante de volatilidades, comuns ao segmento por variáveis como o clima. “Observamos o comportamento, como ele lidou com anos recentes desafiadores, como ele tratou patrimonialmente o negócio dele, já que o ativo fundamental é a terra. Tem sido uma forma de escolhermos as operações”, finalizou.


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