Países seguem exemplo do Brasil e 37 deles passarão a adotar normas de divulgação ESG
Segundo dados da IFRS Foundation, organização que define padrões de relatórios corporativos para os mercados de capitais em todo o mundo, há um avanço global na transparência das informações de sustentabilidade divulgadas pelas empresas. Após o Brasil sair na frente, 37 jurisdições, incluindo China, Reino Unido e Canadá, anunciaram planos para incorporar as normas internacionais de divulgação de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade em seus marcos legais ou regulatórios.
O Brasil foi o primeiro país do mundo a adotar as normas internacionais IFRS S1 e IFRS S2, relativas à divulgação de informações financeiras e não financeiras relacionadas à sustentabilidade e ao clima, respectivamente, por meio da resolução 193/2023 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que prevê a adoção pelas companhias abertas até 2026.
“A decisão colocou o país em posição de destaque internacional, demonstrando um compromisso concreto com a agenda ESG e a transparência corporativa”, disse o Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon), em nota. Segundo pesquisa do instituto e da PwC Brasil do ano passado, 91% das empresas de capital aberto no Brasil publicaram algum tipo de relatório de sustentabilidade em 2022.
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Em outra pesquisa mais recente do instituto, o Panorama das Divulgações Relatórios sobre Sustentabilidade no Brasil de 2024, cuja metodologia se baseou no IBrX 100 B3 (de maio a agosto de 2024), representando 95 companhias, cerca de 82% delas apontou ter divulgado o relatório, e mais de 81% indicou adotar ao menos um dos frameworks do ISSB na elaboração.
Após o pioneirismo brasileiro, 37 países anunciaram interesse na adoção do padrão. Algumas das jurisdições que estão em processo ou que já finalizaram a adoção das normas ISSB são Bolívia, Canadá, Chile, México, China, Taiwan, Coreia do Sul, Japão e União Europeia (que adota o padrão CSRD – Corporate Sustainability Reporting Directive, mas a tendência é de conversão com as ISSB).

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Para Sebastian Soares, presidente do Ibracon, esse avanço global é uma resposta direta tanto aos esforços internos quanto à crescente pressão internacional para políticas mais robustas em sustentabilidade. Na visão do executivo, a adoção das normas internacionais de sustentabilidade por tantos países reforça a consolidação de uma linguagem global comum para a divulgação de informações ESG.
“É um passo importante rumo à comparabilidade, transparência e qualidade das informações que orientam decisões de investimento e governança. O Brasil tem orgulho de ter saído à frente nesse movimento, mas o avanço dessa agenda depende da colaboração entre todos os atores que compõe o ambiente de governança, e é esse trabalho conjunto que vai garantir que o país mantenha sua posição de liderança e gere valor para toda a sociedade”, pontuou o presidente do instituto, em nota.
Segundo estudo da International Federation of Accountants (IFAC), divulgado este mês, as empresas tem buscado cada vez mais por serviços de auditorias para suas divulgações de sustentabilidade, especialmente no que se refere às emissões de gases de efeito estufa. Além disso, 98% das grandes empresas globais já divulgam algum tipo de informação sobre sustentabilidade e 73% dessas empresas implementaram auditoria externa em pelo menos parte dessas informações – em 2019, esse índice era de 51%.
O levantamento também indica que 55% desses trabalhos foram feitos por empresas de auditoria e que mais de 75% das empresas já integram informações de sustentabilidade aos seus relatórios anuais ou integrados — e, nesse caso, a maioria utiliza os próprios auditores independentes para realizar a verificação. O relatório analisou dados de cerca de 1,4 mil empresas em 22 jurisdições, cobrindo os anos de 2019 a 2023. Entre os países com maior crescimento na auditoria dos relatórios de sustentabilidade estão Hong Kong, Indonésia, México, Rússia e Arábia Saudita.


