Com spreads de crédito amassados, gestores ficam conservadores e olham para FIDCs na busca por retorno

A manutenção dos spreads baixos nos papeis de crédito privado, movimento que se iniciou em 2024 e prossegue em 2025, tem dado trabalho para gestores de fundos de investimentos da categoria. Com Selic a 15% ao ano e fluxo de recursos dos investidores para os produtos de renda fixa/crédito privado, a opção é elevar a seletividade na escolha dos títulos, uma gestão ativa no secundário e incorporar nos portfólios FIDCs que colaboram na geração de alfa. A dificuldade de gestão em cenário de spreads em níveis historicamente baixos e com recursos dos investidores para alocar marcou o painel “Ciclos do crédito privado: onde estamos e para onde vamos” durante a Expert XP 2025, comandado por Clara Sodré, da XP Asset.
“Começamos o ano com spreads já bem amassados e tivemos surpresas recentes como o IOF e depois a MP que pretende tributar em 5% os isentos. É um cenário difícil de navegar com o fluxo continuo de recursos dos investidores”, comenta Fayga Delbem, superintendente e head da mesa de crédito core da Itaú Asset Management, acrescentando que nas debêntures incentivadas o retorno tem saído a NTN-B mais 0,2% ou 0,3%, porém com “muita dispersão”. “Ainda assim tem como o investidor fazer boas escolhas, se posicionar em fundos de crédito privado. O desafio do gestor é entreegar retorno com muita seletividade na hora de compor a carteira.”
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Para Daniela Gamboa, head de crédito privado e imobiliário na SulAmérica Investimentos, o segundo semestre deve clarear o cenário com mais informações sobre a aprovação – ou não – da MP, lembrando que mesmo com a tributação de 5% dos produtos isentos eles seguem atrativos. “Devemos ter uma correria, que já começou, para a compra de papeis isentos antes da virada do ano. É algo que estamos vendo”, afirma Daniela. A cobrança de IOF, com disputa que foi parar no STF, gerou muita insegurança no mercado, disse Alexandre Müller, sócio e gestor responsável pelos fundos de crédito privado da JGP. “É um período difícil, com mudanças na CVM, a PEC 66 que afeta o tratamento de precatórios e disputas entre minoritários e controladores, tudo dificulta a gestão”, afirma Müller.
Na visão do executivo da JGP, contudo, o crédito privado continua competitivo pela indexação ao CDI. “Se pagarmos uma NTN-B pagando 7,5% mais inflação (4,5%) temos um carrego de 12%, importante para quem aguarda a normalização do juro doméstico.
Os spreads apertados, na visão de Daniela Gamboa, da SulAmérica, não são necessariamente um problema e há alternativas para os gestores. “Algumas emissões valem à pena com a busca de ganhos, retorno, vendendo no secundário. Na SulAmérica nossa estratégia é deixar a carteira leve, sem sair totalmente de setores como varejo ou saúde, mas mexendo na duration e nos percentuais”, explica.
As escolhas da JGP também ficaram mais conservadoras, com aquisições de papeis no grupo das companhias bem posicionadas em seus mercados e com balanços até alavancados, mas por questões cíclicas. “Evitamos companhias com dificuldades estruturais ou com risco de governança, neste momento.” Na Itaú Asset Management, a estratégia em cenário de spreads amassados é usar a escala a seu favor. “Fazemos private placement, deals exclusivos para conseguirmos recursos adicionais. Também buscamos vendas no secundário para capturar retorno, é importante sermos ativos”, afirma Fayga Delbem.
O forte crescimento dos FIDCs foi tema do encontro dos gestores. Mesmo com a tributação de 0,38% de IOF dos investidores, Muller, da JGP, acredita que a atratividade permanece e o produto tende a ganhar espaço antes ocupados por bancos. No Itaú, s FIDCs têm sido usados para compor a carteira de três fundos, como os da família Sinfonia, na busca por melhorar o retorno dos produtos. “Tem FIDCs pagando CDI mais 2%, 3%. Na família de fundos Sinfonia, temos algo entre 20% a 25% da carteira com FIDCs. Trazem retorno adicional”, explica Fayga Delbem.


