CADE aprova operação que pode transferir controle das Casas Bahia para a Mapa Capital
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) aprovou, sem restrições, a operação de transferência de debêntures conversíveis em ações das Casas Bahia (BHIA3) para a gestora Mapa Capital, o que abre caminho para uma troca de controle da varejista. A decisão do órgão antitruste, datada de 11/07, aguardava o prazo para eventuais recursos questionando o ato, o que se encerrou nesta terça-feira (29). A aprovação prévia do CADE para a operação, conforme consta do Fato Relevante de junho (27) quando a possibilidade veio a público, era um dos condicionantes para a continuidade do processo.
Em jogo, a transferência dos títulos da 2ª série da 10ª emissão de debêntures da Casas Bahia no valor de R$ 1,6 bilhão, de posse de Bradesco e Banco do Brasil (BB), para a Mapa Capital, empresa de gestão de participações e soluções de capital. A operação resultará na aquisição de participação majoritária pelo Grupo Mapa na Casas Bahia. Além da prévia autorização do CADE, para a operação ser concluída, é necessária a efetivação da transferência dos títulos e o início do período de conversão dos papeis em ações ordinárias, conforme definido na escritura de emissão das debêntures. Procurada pela Capital Aberto, a Mapa Capital preferiu não se manifestar sobre como caminham os demais pontos do acordo.
Na decisão, o CADE autorizou a transferência das debêntures para a Mapa Capital e afirmou que a “operação é incapaz de suscitar preocupações concorrenciais” e que dela não “decorrem sobreposições horizontais e/ou integrações verticais efetivas entre as atividades das requerentes”. A expectativa é que toda a operação, que dará o controle da varejista à Mapa Capital, esteja concluída até o final de agosto.
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Números sob pressão

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Em relatório sobre a expectativa do balanço do segundo trimestre, a ser divulgado pela Casas Bahia no dia 13 de agosto, o analista de varejo da Genial, Iago Souza, destaca que os números devem mostrar novo aumento das despesas financeiras, ainda sem efeito da conversão da dívida e “poluídos por várias linhas com resultado não caixa, como modificação de dívida e marcação a mercado de derivativos”. A expectativa é que o prejuízo líquido salte de R$ 408 milhões no trimestre anterior para R$ 510 milhões.
Iago Souza, em relatório, destaca uma alteração tática no papel, mencionando a “iminência de um trigger para a tese – conversão da 2ª série da 10ª debênture”, em referência ao acordo envolvendo Mapa e os bancos Bradesco e BB. Considerando o Preço Médio Ponderado pelo Volume (VWAP) de 90 dias de R$ 3,08 pelas ações da Casas Bahia e aplicando um desconto de 80%, previsto na cláusula de conversão dos títulos em ações de BHIA3, o relatório informa que a Mapa Capital poderia emitir perto de 609 milhões de ações da varejista, sendo responsável pelo controle de 86% da companhia.
“Desde o nosso último relatório (início de junho), o ativo caiu quase 25%, de forma que já acreditamos que o efeito negativo referente a diluição de minoritários possa ter sido precificada”, afirma Iago Souza. O relatório é de 28/07. Na visão do analista, à possibilidade de diluição, soma-se a tensão comercial que atingiu o Brasil na últimas semanas. “A iminência de uma das maiores diluições já vista nos últimos anos levou o short interest do papel voltar ao mesmo patamar do short squeeze que aconteceu em março, quando atingiu 32,1% do float”, comenta Souza no relatório, acrescentando que após o evento de conversão, “o nível de short possa arrefecer e, possivelmente, trazer uma recuperação de momentum para o papel”.
Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, tem visão semelhante sobre a queda das ações da Casas Bahia, após o anúncio da conversão das debêntures e transferência para a Mapa Capital, que “refletem a expectativa de diluição acentuada dos acionistas minoritários”. “A queda também embute incertezas quanto à aprovação da operação pelos debenturistas e da capacidade de execução do novo controlador. A reação negativa do mercado indica que parte substancial do risco de diluição já foi antecipada no preço”, afirma Mollo.
