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IFRS: Vale puxa a fila e divulga primeiro relatório financeiro de sustentabilidade

Amanda Meneses

A Vale, mineradora blue chip da B3, divulgou nesta segunda-feira (02) seu primeiro relatório financeiro de sustentabilidade relacionado ao clima. O documento, nos padrões internacionais do IFRS (Normas Internacionais de Relatório Financeiro, em português) destaca um investimento bilionário em iniciativas de descarbonização. Segundo o Instituto de Auditoria Independente (Ibracon), a empresa deve ser seguida por outras, como a Renner, que já anunciou publicamente que fará a divulgação do relatório antecipadamente.

Esta é a primeira divulgação de um relatório nos padrões internacionais (IFRS S2) por uma companhia no Brasil, que só será obrigatória a partir de 2027 (com dados de 2026) para todas as companhias abertas na B3 (IFRS S1 e IFRS S2). Segundo Reinaldo Oliari, líder do Grupo de Trabalho de Sustentabilidade e ESG do Ibracon, cada vez mais empresas farão essa avaliação de materialidade e impactos da sustentabilidade. Há duas maneiras de aplicar as normas do IFRS, em completude, ou, nesse primeiro ano de avaliação, falar especificamente de clima.

“A Vale é, talvez, a primeira de muitas. O mercado brasileiro tende a amadurecer, e para a mineração, a empresa é grande, tem uma área especificamente de clima, acredito que seja a mais madura para preparar especificamente esse relatório”, diz Oliari. “A visão do investidor fica muito mais fácil. Uma empresa desse porte incluir premissas de risco climático, de transição, ver qual é o posicionamento por conta da divulgação. Antes não tinha um relatório específico com essa visão. Se você, como investidor, quiser tomar a decisão, saber qual vai ser o foco da companhia de investimentos no curto, médio e longo prazo, hoje a informação está disponível.”

A Vale informou o investimento de R$ 7,4 bilhões em iniciativas de descarbonização entre 2020 e o 2024, dos quais R$ 1,38 bilhão foi destinado apenas em 2024. Entre as informações de compromissos com o clima, a companhia afirmou que pretende reduzir em 33% até 2030 (base 2017) as emissões Scopes 1 e 2, e zerar até 2050. Já em relação às emissões scope 3 (cadeia de valor), a meta é reduzir em 15% até 2035 (base 2018). Em 2023, a Vale já atingiu 100% de uso de energia renovável no Brasil e busca atingir o mesmo globalmente até 2030.

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A companhia ainda citou o investimento em produtos com baixa emissão, como briquetes de minério de ferro, e transição energética interna, por meio de processos como eletrificação de operações, biocombustíveis, e uso de gás natural.

O relatório conta com tópicos de governança, gerenciamento estratégico de riscos e oportunidades, estratégia de transição energética, riscos e oportunidades relacionadas ao clima, e métricas e metas, nos moldes da regulação que foi tropicalizada para o Brasil com a CBPS 2. No relatório de asseguração, inclusive, não há ressalva. Ou seja, o auditor externo não ressalvou nenhum aspecto faltante. 

“Esse aspecto de relevância que dá credibilidade para o documento, que há um terceiro desafiando a companhia. Talvez ser o primeiro relatório com uma asseguração dessa nova norma, que ainda é asseguração limitada, não asseguração razoável, porque estamos no período voluntário, hoje segue um procedimento muito mais para ver o processo de elaboração, veracidade das informações, de como foram coletadas”, opina Oliari.

Para o Ibracon, esse movimento deve ser seguido não apenas pela Renner, que já confirmou divulgação antecipada, como por outras cias abertas. Ter uma empresa desse porte fazendo uma avaliação sobre o quanto o clima afeta seus negócios, o que pretende fazer para a termos de transição, mostra ao acionista que a companhia terá mais lucro no futuro, ou, pelo menos, vai sobreviver diante de uma mudança de regulação. 

“Esse é o tipo de avaliação de risco para que, hoje, o investidor consiga tomar uma decisão se ele quer ou não comprar a ação da companhia, se quer ou não prover crédito, comprando debêntures, ou até fazer uma avaliação de risco adicional”, lembra o executivo do Ibracon, dizendo que a Renner deve ser a segunda a divulgar o relatório, mas que, segundo seu conhecimento, há várias empresas que estão auditadas ou estão em discussão nas associações, na Associação Brasileira das Companhias Abertas (Abrasca), ou até nas reuniões CBM e em eventos para fazer o mesmo.


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