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Mais de 60%, entre 34 companhias, começam ajustes às normas IFRS em 2026, indica Deloitte

Érica Polo

Uma pergunta que não quer calar no atual momento do mercado brasileiro é o grau de adaptação das empresas de capital aberto às Normas Internacionais de Relatório Financeiro e de Sustentabilidade (IFRS). A adoção mandatória das normas contábeis em padrões internacionais está prevista para 2027 – referente ao ano fiscal de 2026 – mas, por sua complexidade, o tema tem dominado agendas. Uma pesquisa apresentada pela Deloitte nesta segunda-feira (23) entrega contorno do timing do processo vivenciado pelas empresas no Brasil: 64%, de um universo de 34 companhias, a maioria listada, informaram que darão início ao processo de adequação a partir do próximo ano.

“É como dizer que vai preparar o Imposto de Renda (IR) na última semana antes da entrega. Há um desafio grande aí”, alertou Reinaldo Oliari, sócio da Deloitte, durante um evento que aconteceu em São Paulo para profissionais de Relações com Investidores (RI), promovido por Abrasca, representante de empresas de capital aberto, e pelo Instituto Brasileiro de Relações com Investidores (IBRI). Do total das empresas que responderam, 71% são listadas (50% delas na B3, 18% na B3 e no exterior, e 3% apenas no exterior).


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O sócio da Deloitte reiterou a necessidade de as companhias darem início ao processo de ajuste, já que o novo tipo de relatório vai ter de conectar, no mínimo, linguagens de dois mundos distintos: a de demonstrações financeiras, nas mãos de contadores e departamento financeiro, à do relatório de sustentabilidade, preparado por outras equipes. Um desses documentos conversa hoje muito mais com o investidor enquanto, o outro, é destinado a um público mais amplo, continua.

Um dos desafios no ajuste é de linguagem sucinta, ao mesmo tempo em que o documento entregue todas as informações necessárias para a tomada rápida de decisão do investidor, de modo que os relatórios não fiquem muito longos, disse.

Ainda segundo a pesquisa, 26% das companhias respondentes deram início (ou projetam começar esse trabalho) de adaptação das normas IFRS em 2025, e 10% se moveram já no ano passado. Apesar desse retrato, 45% das organizações consideram o ajuste às normas de sustentabilidade e clima o principal desafio dos RIs hoje, diante de uma lista que soma mais de uma dezena de tarefas, entre elas, até mesmo a de mapear novos investidores.

De conhecimento público, Vale e Renner já se adiantaram – sendo que a mineradora publicou o seu documento no início de junho. O documento foi bem avaliado por especialistas no assunto num evento promovido pelo Ibracon, que também aconteceu em São Paulo, há uma semana.

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Na ocasião deste encontro, vale lembrar, Neil Stewart, diretor de divulgação corporativa do Conselho Internacional de Padrões de Sustentabilidade (ISSB, em inglês), da Fundação IFRS, avaliou o Brasil como um país “bem posicionado” no ajuste das normas IFRS S1 e S2. Pesquisa recente do órgão indica que 49 jurisdições introduziram as normas, ou planejam fazê-lo, já que contribuem para o aumento do fluxo de capitais e, consequentemente, de mercados de investimentos locais.

Mesmo que a maior parte das companhias respondentes da pesquisa elaborada pela Deloitte pense em começar a adequar os relatórios a partir do próximo ano, o estudo mostra, ainda, que 57% das empresas indicam que o impacto das normas IFRS S1 e S2 na área de RI é alto; 27% consideram o efeito ‘médio’; 13% enxergam como ‘baixo’ impacto; e apenas 3% consideram nulo.  

Ainda segundo o estudo, para 63% do total das empresas que responderam, os dois maiores desafios no processo de ajuste normativo é o custo de adaptação dos sistemas internos, bem como fazer a conexão entre os relatórios de sustentabilidade e ESG ao financeiro. Atender o prazo estipulado pelo regulador foi citado por 56% delas; e 47% citam a mensuração financeira de métricas como mais uma tarefa desafiadora. Entre as preocupações que dominaram o topo da lista estão também a falta de ferramentas para a coleta de informações e a padronização de dados.

Em abril deste ano, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fez uma pesquisa para identificar qual era o grau de conhecimento das regras e a eventual necessidade de recursos ou facilitadores que os agentes do mercado pudessem precisar ao longo de 2025 e 2026.

Como o país é pioneiro, muito provavelmente os primeiros relatórios no formato ISSB vão ser divulgados por companhias brasileiras, afirmou, em abril, Nathalie Vidual, superintendente de Orientação aos Investidores e Finanças Sustentáveis da CVM, à frente da pesquisa elaborada pelo regulador.

Avanço de IA

Além do tema das normas IFRS, o estudo da Deloitte mostra, ainda, outros interesses apontados por RIs neste momento. Um deles é a implementação de inteligência artificial (IA). Para 41% delas, a incorporação de novas tecnologias, incluindo IA, é uma prioridade.

Nos departamentos de RI, as soluções são usadas prioritariamente para a produção ou melhoria de relatórios financeiros, fatos relevantes ou releases; seguido por elaboração de análise de dados e sumarização de informações; e busca de benchmarks.

Com o avanço do uso, 88% disseram que o maior desafio é a análise e interpretação de dados financeiros. Em seguida, governança de dados e segurança cibernética foram os próximos temas citados, por 63% dos respondentes.