Ganhos de escala e risco retorno são desafios para atrair capital para o clima, afirmam gestores
Os desafios para atrair recursos para o clima e estruturar produtos capazes de entregar soluções atrativas foram tema no painel “A perspectiva dos gestores de ativos”, durante a 2ª edição da Brazil Climate Investments Week (BCIW), organizado pela Converge Capital e pela plataforma internacional de investimentos Capital for Climate (C4C). Falta de escala e dificuldade em equalizar a relação risco retorno foram pontos comuns dos discursos durante o painel.
Representando a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), Cristina Penteado, diretora-geral e head Brasil da Blue Like an Orange Sustainable Capital, destacou pontos que ainda impactam nas iniciativas para atrair capital de investidores para iniciativas voltadas ao clima. “Temos alguns pilares da indústria de alternativos no Brasil e como mobilizar capital é o grande Calcanhar de Aquiles na tese climática”, comentou Cristina, acrescentando que no Brasil há uma indústria de alternativos sofisticada, madura e teses comprovadas.
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Na visão da executiva, três questões precisam ser endereçadas para que os investidores destinem recursos ao tema. A primeira é a escala: “para o estrangeiro, principal fonte de recursos para os ativos ilíquidos, alternativos, isto é muito relevante”. Outra questão é a liquidez que, na visão de Cristina, está relacionada aos limites do mercado de capitais local. “A terceira questão é risco e retorno. Em países emergentes, a questão do risco é maior. E como entregar a equação de maneira consistente é o tema. Sem debater e achar saída para estes três temas, fica mais difícil mobilizar o capital para o clima.”
O sócio e diretor da Perfin Climate, empresa de investimentos independente brasileira que atua em áreas como infraestrutura, ações e Wealth Management, Alexandre Bossi, reforçou a visão da importância de achar uma boa equação de risco e retorno para atratividade do capital.

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“Nosso sonho na Perfin, com essa tese, é trazer capital que busca retorno, governança em escala para ajudar a resolver o problema climático. E para minha surpresa o investidor demonstra interesse”, afirma Bossi, lembrando que há cinco anos, a discussão era outra e que houve avanços. “Em 3 anos, muitas coisas boas ocorreram, interesse maior, não apenas em salvar o planeta, mas em retorno financeiro também. Tem ampla série de teses, mas todas endereçam o problema atual.”
O processo de mudança na construção de produtos voltados ao tema e do interesse do investidor foi também destacado por Anibal Wadih, sócio-gerente da GEF Capital. “Há uns anos não tinha ‘clima’ para clima no Brasil, e isto está mudando. A gestora tem braços no Brasil, na Índia e nos Estados Unidos. Vemos oportunidades para fazer dinheiro para o clima, como ocorre com saúde e educação.”
Durante o painel, com a presença de Guilherme Bragança, partner and Head of IR da JGP e Régia Capital, foram citados alguns cases da Régia, fruto da parceria entre BB Asset e JGP, cujo foco é investimento sustentável. Com R$ 9 bilhões de AUM, a Regia venceu um edital do BNDES com a Vale para gerir um fundo de minerais críticos que terá prazo de 10 anos. Outra iniciativa foi um FIDC que já tem R$ 100 milhões de largada – metade de recursos da Petrobras e metade de fundos da própria Régia – para financiar bioeconomia. “Na nossa visão, o copo estará quase transbordando em algum tempo. Não vemos que falta demanda por investimentos em ativos estruturados”, comentou o executivo ao citar os projetos da Régia.
O que falta, na visão de Bragança, é um pipeline robusto para dar escala a determinados investimentos. “A Regia foi criada com esta intenção. O canal de distribuição do BB, gigante, nos ajuda isto. Há cases sexys neste ambiente e o investidor tem interesse, sim, principalmente o internacional. Falta ‘achar o cavalo’”, afirma.
