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Empresas diversificam captação e miram no investidor renda fixa

Érica Polo

Legenda: Divulgação

Para baratear a captação num cenário de juro alto, as companhias abertas estão lançando mão de toda criatividade possível: desde a diversificação de ferramentas à de público-alvo, como transformar a linguagem dos departamentos de relações com investidores (RI) para aumentar o interesse da classe que prefere a renda fixa. A Medida Provisória (MP) do governo federal sobre IOF, contudo, ampliou o desafio.

A Raízen, por exemplo, está num momento de gerar mais valor para o acionista, e, para tal, vem buscando alongar e baratear a dívida. “Estamos olhando para vários instrumentos, seja de dívida ou de capital de giro, que são ou eram muito favoráveis até a implementação do IOF para o risco sacado”, disse Phillipe Casale, diretor de RI da Raízen, em um evento promovido pelo IBRI e pela Abrasca nesta segunda-feira (23) em São Paulo.


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“[A mudança] no risco sacado inviabilizou a operação. Então, esse foi mais um desafio. Em alguns dias, captamos quase R$ 6 billhões para poder suprir uma troca de operação que a gente teve que fazer por conta dessas volatilidades”, continuou o executivo. Num cenário econômico onde a companhia também somou desafios operacionais, a alavancagem (relação dívida líquida/ebitda) da Raízen está próxima a 3 vezes.

A captação por meio de debêntures e aproximar-se de investidores de outros perfis, participando inclusive de eventos fora do país, têm sido alternativas para as companhias. Mas esses movimentos exigem investir na transparência e melhorar a comunicação nos RIs, disseram executivos que participaram do encontro.

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Em fevereiro deste ano, a Raízen captou cerca de US$ 2 bilhões em ‘green notes’, com prazos de vencimento de dez e trinta anos, e de lá para cá reportou um prejuízo de R$ 4 bilhões. “Não necessariamente eles [investidores] estavam esperando isso, mas fomos lá explicar o que aconteceu e quais os planos daqui para a frente”, disse Casale. “Achei que ia tomar porrada de todos os lados, mas não aconteceu”. Em sua leitura, a transparência de explicar o momento da empresa e a previsibilidade contribuíram.

A percepção é similar para o diretor de RI da Caixa, Luiz Felipe Figueiredo de Andrade. É que a previsibilidade e a capacidade de comunicação clara, que transmita com consistência os planos da companhia ‘faça chuva ou faça sol’, acabam fazendo diferença em relação aos números apresentados num momento do tempo porque reforçam a confiança, observa.  

Luciana Oliveti, gerente de relações com investidores da Vale, observou que explicar as diferentes fontes de captação lá fora, contudo, é desafio adicional. Ela lembra que a Vale viveu um “gap” de nove anos sem emitir debêntures até a operação do ano passado – quando captou R$ 6 bilhões por meio de debêntures simples. Neste ano, voltou a captar (mais R$ 6 bilhões) por meio de títulos incentivados.

Casale contou que um movimento que vem ganhando força na Raízen é o ajuste de linguagem no RI para conquistar mais investidores de renda fixa. Segundo ele, é um perfil que costuma ter interesse, mas pouca profundidade sobre a companhia, e quanto mais “simples e direta” for a linguagem, melhor para conquistá-lo.

“A gente não precisa inventar muito a roda nos materiais. É apresentar rating, alavancagem, posição da dívida em moeda estrangeira e local, swaps. Muitas vezes ele olha a page [material, site] que você montou de forma direcionada, e ele não vai olhar o release [de divulgação de resultados]”, contou.

São investidores ‘menos aprofundados’ para obter dados que os de equity, contudo a informação precisa ser assertiva e entregue com transparência, disse.