Com aporte da Bewater, Trinus faz M&As, planeja emissão de LCI e CDB e reforça tecnologia
A Trinus, plataforma focada no segmento imobiliário que conecta incorporadores a investidores, já colocou na rua seus planos para a destinação dos recursos que recebeu em sua última rodada de captação. Foram R$ 43 milhões aportados pela gestora de Venture Capital Bewater na casa em dezembro passado. Parte relevante dos recursos vai reforçar os chamados multiagentes de inteligência artificial (IA) da plataforma, ajudando incorporadores na gestão dos negócios. O restante será dividido para aquisições (M&A) e para o patrimônio líquido (PL) de sua SCFI (Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento) – cuja licença está em análise pelo Banco Central.
Fundada em Goiânia há 16 anos, a holding Trinus Co. tem foco no mercado imobiliário desde a origem, mas ao longo do tempo vem ampliando sua forma de atuação. Após criar a plataforma Trinus, tirou do papel a TG Core Asset, gestora com quatro fundos imobiliários (FIIs) com quase R$ 5 bilhões de AUM, a primeira cliente da plataforma. A TG é gestora do maior FII de incorporação imobiliária da B3, o TG Ativo Real (TGAR11), com R$ 2,4 bilhões de patrimônio. Hoje, a plataforma, além da TG Core – seu primeiro cliente –, atende 70 gestoras. Além disso, nos últimos anos recebeu licença para atuar como DTVM, Sociedade de Crédito Direta (SCD), Instituição de Pagamento (IP) e, agora, aguarda a licença de SCFI. É neste contexto que os recursos estão sendo investidos.
Antecipe conflitos e proteja seus acordos em fusões e aquisições
“Ao todo, a Trinus já recebeu quatro rodadas de investimentos que acumulam R$ 120 milhões, sempre reforçando este papel de conectar incorporadores e investidores. Boa parte dos recursos da última rodada está sendo investida em nossos softwares para gerar ainda mais eficiência ao incorporador e permitir o acompanhamento das obras, entregas, distratos, o que é importante para atrair capital”, explica o fundador e CEO da Trinus, Diego Siqueira. São investimentos nos multiagentes de IA. “Colocamos uma espécie de copiloto para os incorporadores na gestão do software, que orienta e tira dúvidas. Por exemplo, sobre alavancagem com CRI, o melhor indexador, entre outras.” A plataforma, ao permitir acompanhamento dos principais KPIs dos projetos, “potencializa a capacidade desse incorporador de levantar capital”.
Com os recursos no caixa, a Trinus foi ao mercado buscar M&As. Um dos acordos foi com a CrediBlue, especialista em uma esteira de estruturação de operações de crédito digitalizada. Outra conquista foi a parceria estratégica com a Neoservice, que atua com monitoramento de recebíveis em operações de CRI e agora atua em parceria com a Trinus no atendimento a diversos players. "A Neoservice é líder de mercado de monitoramento de recebíveis, tinha 40% deste mercado, segundo a Uqbar, monitorando as emissões de CRI. Já a CrediBlue também atua no segmento de Crédito com Garantia Imobiliária, o home equity.” Sobre novas aquisições, o CEO da Trinus afirma que segue procurando oportunidades que façam sentido, principalmente na área tecnológica. “Como queremos escalar o negócio de tecnologia, o software principalmente, estamos conversando com outras empresas menores que possam contribuir com nosso ecossistema.”

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Outra iniciativa importante é o pedido feito ao Banco Central para atuar como SCFI, o que permitirá à Trinus emitir CDBs e LCIs. “Fomos avançando, primeiro com a licença para distribuir valores mobiliários (DTVM), depois como sociedade de crédito direto (SCD), como instituição de pagamento (IP) e agora solicitamos a licença de SCFI, falta só a de banco, mas hoje não temos interesse”, brinca Diego Siqueira. “Para a Trinus é importante podermos atuar no mercado de capitais de forma ampla, com serviços, custódia, emissão e distribuição.” As primeiras emissões de CDB e LCI podem ocorrer, segundo o CEO, no segundo semestre, após a fase de testes dos sistemas e a autorização a ser emitida pelo BC. “Parte do capital que recebemos vai para a SCFI.”
Na visão de Diego Siqueira, como a companhia tem muitos ativos em seu ecossistema, precisará de braços para distribuir os papeis, destacando que já há conversas com grandes plataformas, como XP e BTG, além de casas como Itaú e Bradesco. “Assim que finalizar todo o processo operacional dos sistemas, em curso, começamos a emitir. A ideia não é ter um balanço gigante carregando esses ativos, mas que tenhamos um pulmão de ativos aqui para girar o ecossistema”, comenta o CEO, acrescentando que algo entre R$ 200 milhões a R$ 300 bilhões é adequado na estratégia.
TG Core Asset
Na asset do grupo Trinus há quatro fundos principais. Além do TGAR11, listado na B3 e com R$ 2,7 bilhões de PL, há três outros produtos todos cetipados – TG Real Estate (TGRE), FII TG Renda Imobiliária (TGRI) e o TG Renda Urbana (TGRU), este último em fase de captação de recursos. Como está em período de silêncio, o CEO não deu detalhes do volume a ser levantado ou destinação exata. O que se sabe é que serão utilizados para a aquisição shoppings de rua da São Carlos (SCAR3), uma das principais incorporadoras do país. “Não posso dar detalhes, mas estamos com a oferta registrada e em período de road show.”
Sobre perspectivas para o mercado, o CEO da Trinus afirmou que as últimas mudanças do Conselho Monetário Nacional (CMN), que restringiram ainda mais quem pode emitir CRIs no mercado, são positivas. “O mercado estava muito criativo para aproveitar o benefício fiscal do CRI. Todo aquele capital que estava indo para esses ativos, agora tem que buscar ativos novos. E a gente que atua no mercado imobiliário direto, tem lastro de ativos imobiliários, acaba sendo uma destinação potencial para todo esse recurso”, explica o executivo. “Tem um mercado potencial muito grande de acessar capital. O Brasil tem 25 mil incorporadores espalhados em seu território. Começamos em Goiânia, mas hoje estamos em 120 cidades nos 26 estados, atuando no monitoramento de empreendimentos dos incorporadores e no acesso a capital.”


