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Convergência entre IA e digitalização de governos agrega valor ao mercado, diz Signal & Cipher

Amanda Meneses

Ian Beacraft, CEO da Signal & Cipher. Crédito: @RHara
Ian Beacraft, CEO da Signal & Cipher. Crédito: @RHara

Diante da ascensão cada vez maior da Inteligência Artificial (IA), a implementação e seu uso em diversos setores e perfis de empresa entra em voga. A ferramenta, inclusive, deve permitir uma integração com outras tecnologias, como o Drex, por exemplo, no entanto, isso deve acontecer a passos lentos.

Essa é a visão de Ian Beacraft, CEO da Signal & Cipher, empresa de consultoria focada em inovação e inteligência artificial, que neste ano inaugurou o primeiro escritório fora dos Estados Unidos, no Brasil. Durante painel no segundo dia do Anbima Summit 2025, realizado nesta quinta-feira (26) na capital paulista, o executivo falou sobre a convergência de diferentes tecnologias e sua aplicação pelo mercado.

“Se você observar o que aparece na imprensa, e esse hype em cima de IA, pode parecer que precisa acompanhar essa curva exponencial, que se a sua empresa não estiver crescendo nessa velocidade, você já está para trás e vai ser a vítima da disrupção de outra pessoa. Mas não acho que isso seja verdade”, disse o executivo. Ele aponta que nenhuma empresa consegue acompanhar essa inovação em tempo real, conforme surgem – lembrando, mais tarde, que, inclusive, a tecnologia não fazia parte do serviço financeiro até poucos anos.

O executivo lembrou que as competências técnicas que estão se tornando populares hoje só vão ser úteis por 16 meses, segundo estudos. “Ou seja, se você aprende algo novo, porque surgiu algo novo com IA, você só vai usar isso por 16 meses. É algo muito rápido. E só deve ficar cada vez mais curto esse período à medida que a tecnologia muda de maneira mais acelerada. E nós não estamos prontos para um mundo como esse”, apontou.

O valor do que é feito será constantemente definido pela forma como empresas e pessoas se adaptam, disse. Ou seja, o impacto que a organização pode ter será mais determinado pela sua capacidade de entender o que vai ser importante (e com qual velocidade é capaz de entender e aprender esses novos conhecimentos), aplicando-os. “A capacidade de adaptação será a principal competência dos próximos 20 anos”, disse.  

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Beacraft apontou que muitos ainda utilizam ferramentas como o ChatGPT como um “google avançado”, mas quando se passa a incluir informações sobre a empresa, seu modelo e funcionamento, as respostas se tornam mais precisas e muito mais interessantes.

O executivo mencionou ainda os avanços no mercado, como o Aladdin, sistema de tecnologia desenvolvido pela BlackRock que gerencia riscos e investimentos, e até o próprio Drex, do BC, e citou a integração dessas tecnologias por meio da IA. “Não só a IA vai mudar o mundo, como a blockchain também. Mas quando essas tecnologias convergem e começam a interagir umas com as outras para se potencializar, é quando vemos uma grande mudança no valor agregado”, opina. 

A Signal & Cipher cita, ainda, a integração ou interconectividade de tecnologias, como o uso de gêmeos digitais (simulação de ambiente ou processo), tokenização de ativos, digitalização de governos e data forecasting. “Quando você coloca isso num sistema de organização de ativos e de governança, de gêmeos digitais (representação digital de um objeto ou um processo real), se eu puder acessar esse gêmeo digital com o IA, posso interagir criando simulações próprias e, com a digitalização de governos, podemos fazer contratos inteligentes para fazer tokenização e novos produtos inspirados em análises em tempo real”, esclarece. “É assim que vamos agregar valor através da IA”.

Tratando da convergência de tecnologias, o CEO da Signal & Cipher lembrou que a visão ainda é segregada, mas que o valor das coisas vem da união. “Vejo muito valor surgindo disso e não é algo que vai levar três semanas, claro. Vai acontecer ao longo dos próximos anos, de maneira gradual, mas, de fato, será mais fácil enxergarmos essa convergência nos próximos anos”, citando a possibilidade de criação de contratos inteligentes com IA.

Durante a sessão de perguntas, Beacraft falou ainda sobre decisões enviesadas pela IA e disse que é possível mitigar esses resultados. Uma das soluções, por exemplo, é solicitar à ferramenta que atue como um “adversário” às suas ideias, trazendo possíveis problemas e “encontrando buracos” para tornar o argumento mais robusto. 

Além disso, na visão do executivo, mesmo as empresas menores podem utilizar a IA para expandir suas capacidades, e afirmou que elas serão as mais beneficiadas, visto que possuem equipes pequenas e processos mais lentos.