Após aquisições de FIIs, Patria deve chegar a cerca de R$ 28 bi de AUM em real estate e planeja fusão de fundos

O Patria, uma das gestoras líderes em investimentos alternativos na América Latina, deu mais um passo para reforçar sua posição dominante na classe de ativos. A casa, que recentemente adquiriu Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) da Genial e da Vectis, deve chegar a cerca de R$ 28 bilhões de ativos sob gestão e agora planeja uma fusão de fundos.
Em maio, o Patria anunciou a aquisição de seis fundos da Genial: o MALL11, um dos maiores FIIs de shopping do mercado; o BPFF11, Fundo de Fundos (FoF, em inglês); o PLCR11, fundo de CRIs; o SPTW11, de escritórios; o GLOG11, fundo de logística; e o PLCA11, fundo de CRAs, que adicionam, juntos, cerca de R$ 2,5 bilhões em ativos sob gestão à casa. Já na última semana, a gestora divulgou a compra da área imobiliária da gestora Vectis, adquirindo o VCJR11 - Vectis Juros Real, focado em CRIs, principalmente, e o VCRR11 - Vectis Renda Residencial, que somam R$ 1,6 bilhão em ativos sob gestão à gestora.
“Olhando a Assembleia de Transferência do BPFF11 e do PLCR11, os fundos da Genial que estamos pedindo para transferir para o Pátria, eles não só serão transferidos, como serão unificados aos fundos maiores da casa, ao RVBI11 e ao CVBI11, consecutivamente”, explica Rodrigo Abbud, sócio e head de Real Estate do Patria, dizendo que o RVBI11, sendo o fundo de fundos, vai unificar o BPFF11, e o CVBI11, sendo o fundo de crédito, vai unificar o PLCR11. “Outro movimento que começa a dar um sinal da Estratégia Pátria é que os fundos devem deixar de seguir uma nomenclatura VBI ou HG para começar a seguir uma nomenclatura Pátria. Alteraremos também os tickers, não teremos mais VBI, teremos cada vez mais Patria.”
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A casa, inclusive, iniciou o movimento de crescimento inorgânico há alguns anos, em 2022, passando por aquisições grandes como a do VBI e da operação de fundos imobiliários do Credit Suisse. Com a estratégia, a casa saiu de menos de R$ 500 milhões em 2022 para R$ 24 bi de AUM em ativos imobiliários em 2024.
O executivo do Patria conta que esses movimentos, na verdade, são resultados da execução de uma estratégia bem-feita que nasceu lá atrás. Desde 2021, quando a gestora faz o IPO na Nasdaq, ela possui o discurso de querer ser o player dominante de investimentos alternativos na América Latina.
“Dos R$ 24 bilhões que tenho sob gestão, tenho uma distribuição 80-20 entre tijolo e papel. E, no tijolo, eu sou muito forte em logística, em escritórios, em varejo, renda urbana. O que eu não tenho, por exemplo? Malls, que é uma classe de ativo muito dinâmica”, diz Abbud, explicando a compra dos fundos da Genial. “Para que a gente continue crescendo, ou se formos fazer algum movimento de crescimento, além do orgânico, onde já estamos bem-posicionados, deveríamos olhar para aquelas classes de ativos que nós não temos.”
A intenção do Patria é “disputar com os grandes” e assumir a liderança, o que explica a compra de produtos em estratégias do imobiliário nas quais ainda não possuía presença ou nas quais ela era ínfima. “Somos os únicos que não são afiliados a nenhuma instituição financeira, somos independentes, mas estamos brigando pela liderança. Tudo correndo bem após os fundos sendo transferidos para nós, vamos bater quase R$ 30 bi. Estaremos próximos de R$ 28,5 bi ou R$ 29 bi, dependendo do momento, de ativos sob gestão”, afirma o executivo.
O Patria agora vai ter 28 fundos sob gestão e, por ora, não está nos planos fazer novas aquisições, visto que a “prateleira está cheia” e não faz sentido ter fundos com estratégias similares que não precisam coexistir. “Se olharmos dentro do Real Estate, cada vez mais minha prateleira está completa e meu time está completo. Para que a gente faça algum outro movimento nesse sentido [de aquisição], tem que ser muito oportunístico”, diz o executivo.
A primeira coisa, segundo Abbud, é que é preciso “organizar a casa” e começar a simplificar a estrutura de fundos via consolidação. Para o executivo, há uma janela de oportunidade de aquisições e, eventualmente, quando o mercado permitir, a casa pode ir a mercado captar recursos, mas, por ora, a ordem é “trabalhar na casa, simplificar as estruturas e cada vez mais unificar os fundos”. A unificação dos fundos já adquiridos, no entanto, ainda não tem data definida.
