Campanha Grafeno Institucional

PUBLICIDADE

Anbima lança 'retrato de sustentabilidade', e aponta que pauta é relevante para 80% entre 206 agentes

Amanda Meneses

Apesar do momento macroeconômico turbulento, e enquanto o movimento anti-ESG tem ganhado força mundo afora, no Brasil, a pauta sobre sustentabilidade é relevante para parte significativa do mercado. É o que mostra a pesquisa Retrato da Sustentabilidade no Mercado de Capitais apresentada antecipadamente ao período que costuma sair pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) durante o segundo dia do Anbima Summit 2025, nesta quinta-feira (25). 

Segundo o levantamento, que contou com 206 respondentes, a agenda de sustentabilidade segue em alta, sendo importante para 80% do mercado. Da base participante, 74% são gestoras, 11% são bancos e 15% outros tipos de instituições financeiras. Do total de respondentes, 51% têm até R$ 500 milhões sob gestão, enquanto cerca de 4% têm mais de R$ 50 bilhões de patrimônio líquido (PL). Ainda no perfil da pesquisa, 55% dos respondentes apontam ser da alta gestão.


Aprenda a navegar pelo sistema tributário definido para os FIDCs no curso “Desvendando o Tributário de FIDC”


Segundo os dados, aumentou a porcentagem de gestoras que possuem ações práticas realizadas em relação à sustentabilidade, com aumento do número de players se organizando para tratar da agenda, de 22% para 23%. Além disso, passou de 18% para 22% a influência do ESG nos investimentos.

Na visão da Anbima, a pauta amadureceu, e 68% dos respondentes acredita que o tema ganhará relevância nos próximos 12 meses, enquanto só 4% enxergam redução dessa relevância no mesmo período. 

“Creio que existe também uma questão bastante focada aqui em ações práticas e na influência da agenda ESG na contratação de serviços, de parceiros, e até o efeito dos grandes gestores junto aos pequenos, puxando essa cadeia num processo contínuo de desenvolvimento”, comenta Luiz Pires, gerente de sustentabilidade e inovação na Anbima

Na prática, há um aumento da transparência, com 30% dessas organizações reportando fazer relatórios de sustentabilidade e desempenho ESG ao longo do tempo. “Alguns deles informam isso para os seus clientes, outros informam isso de uma forma um pouco mais aberta. Quase metade dos respondentes olha para a cadeia de valor de uma forma positiva, e isso é conseguir fazer uma perpetuação dos seus compromissos ao longo do tempo e ao longo das suas cadeias de relacionamento, da sua zona de influência direta e indireta”, aponta Pires. 

Além disso, 39% das organizações têm uma política específica para falar de sustentabilidade, investimento responsável e assuntos correlatos, e 16% delas tem uma política geral, documento que pode ser um código de ética ou política de investimentos. 

Campanha Vórtx Institucional

PUBLICIDADE

“O que queria destacar são dois dados, principalmente. Sobe de 37% para 42% as casas que adotam objetivos e metas ESG no processo de investimento, e que, de alguma forma, levam isso para um processo de reflexão sobre o que eu devo ou não devo fazer para o cumprimento do meu dever fiduciário”, aponta Pires, da Anbima. “Já começamos a ver algumas inovações, algumas evoluções, como vinculação de remuneração de líderes a resultados ESG, processo que já aconteceu em outras indústrias e chega agora na indústria de investimentos com algum fôlego e ganhando espaço.”

Em relação a perspectivas, nos próximos 12 meses, 1 em cada 3 instituições pretende estruturar fundos sustentáveis ou de impacto. E 1 em cada 4 instituições deve investir em ou estruturar títulos sustentáveis ou temáticos. 

Especialmente nas gestoras, o tema tem ganhado espaço. Inclusive, as casas com maior volume de ativos sob gestão são as mais envolvidas com ESG e dominam os perfis Emergente e Engajado. Já as instituições com menor patrimônio estão mais longe da agenda e se concentram nos perfis Desconfiado e Distante. 

“Como nem tudo são flores, enxergamos alguns desafios”, ponderou Pires, citando a conjuntura atual, que afetou a visão dos respondentes sobre se o ESG é bom para todos, indo de 88% em 2021 para 74% em 2025. No entanto, o executivo tem percebido, recorrentemente, que olhar para a gestão de riscos de uma forma mais abrangente tem trazido principalmente proteção de valor e gestoras tem incorporado isso nos riscos. 

Especialmente para as gestoras, para 51% delas, gestão de risco é o principal objetivo de critérios ESG, fazendo parte do processo de análise. “Existe uma clara percepção de proteção de valor ao longo do tempo. E 4 em cada 10 já deixaram de incluir, reduziram ou excluíram um ativo do portfólio em razão ESG nos últimos 12 meses”, comenta o executivo da Anbima.

Repercutindo os resultados da pesquisa, Sonia Consiglio, que atua como conselheira de adminitração, ressaltou que o tema segue relevante, considerando o público da pesquisa, considerado crítico e focado em resultado, “não é banal” e comemorou a questão da incorporação de critérios ESG na cadeira de valor, além das visões positivas dos respondentes para os próximos meses. Ela citou, no entanto, a questão da remuneração, cujo resultado ainda é baixo. 

“A remuneração variável, que esse público chegou a esse tema, é bacana, mas o lado meio vazio é que é só 9%. Acho baixo, porque é um público focado em meta”, disse, ressaltando que vê um desafio no tema. 

Carlos Takahashi, da BlackRock, também destacou os resultados otimistas e citou que as gestoras “estão fazendo o dever de casa”. “Vejo, ainda que tenha muita gente iniciando, dando os primeiros passos nessa jornada, a força que as grandes instituições têm para puxar essa jornada. Também é muito relevante o retrato do quanto esse tema está devidamente incorporado, que já se trata de convicção, não se trata mais de uma intenção esporádica”, pontuou.

Sônia, também ressaltou a importância das grandes gestoras. “As grandes casas puxam o mercado. Quanto mais dinheiro na mesa, cresce o engajamento”, esse dado mostra uma visão estratégica que remete ao início do PRI (Princípios para o Investimento Responsável), em 2006.