Unio Partners caminha para fechar 2ª M&A do ano e avança em mais três operações do agro

O ano de 2025 segue desafiador para quem trabalha assessorando processos de fusões e aquisições (M&A), repetindo um 2024 de discreta recuperação deste mercado. Incertezas globais pesam e adiam decisões de negócios. Na Unio Partners, contudo, o período tem sido produtivo e uma nova operação deve ser anunciada nos próximos dias, a segunda desde o final de 2024. A casa participou do processo de compra da Dermage pela Eurofarma, por um favor próximo de R$ 180 milhões. Na esteira para os próximos meses, há ainda outras três operações no principal foco de atuação da Unio Partners – o agronegócio – todos acima de R$ 3 bilhões de valor de companhia.
“Nós assessoramos a Eurofarma na compra da Dermage, uma das maiores empresas de dermocosméticos da América Latina. O próximo acordo é em outro segmento do mercado, de varejo, também em são Paulo e com um modelo diferente”, comenta Marco Dorigon, sócio-fundador da Unio Partners, em entrevista à Capital Aberto. Sem citar o nome das companhias envolvidas, Dorigon explicam que se trata da recompra, pelos fundadores, da participação que um fundo de investimento tinha na companhia. “Normalmente, os fundos acham outro comprador estratégico para aquele ativo, mas neste caso será uma recompra.”
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A Unio Partners nasceu em meio à pandemia, em março de 2020, e vem conquistando espaço em um business concentrado em grandes instituições, normalmente áreas ligadas a bancos. Fundada pelo trio Marco Dorigon, Marcelo Serro Azul e João Albanese, a casa tem hoje perto de R$ 49 bilhões sob gestão, no braço de wealth, e já transacionou mais de R$ 5 bilhões em M&A. Apesar das duas novas operações (M&A) serem no Sudeste, boa parte dos negócios foge do tradicional eixo Rio-São Paulo e com oportunidades garimpadas em regiões do agronegócio. É de onde devem vir, segundo Dorigon, os maiores negócios do ano, já na esteira da casa.

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“De uma forma geral, o momento é muito complicado. Não tem uma demanda muito grande por movimentos estratégicos, de M&A. Em momento de incerteza, todos têm menos predisposição a tomar movimentos de risco. Os movimentos de M&A, naturalmente, são de risco”, comenta, acrescentando que os três maiores projetos casa são do agronegócio, sendo que dois deles devem ser fechados ainda este ano. “A estratégia agro, sem dúvida nenhuma, está nos trazendo frutos. São projetos acima de R$ 3 bilhões de valor de companhia. Dois devem se materializar nos próximos oito meses.” Uma das transações é dentro do universo dos produtores de insumos para o agro e a outra de produção primária.
Sem citar nomes, o executivo explica que são projetos no Centro-Oeste e no Sudeste (Minas), todos do agro e envolvendo investimentos estratégicos. “A despeito do momento que o Brasil vive, que o mundo vive, o agro no Brasil ainda é um diferencial competitivo. Dificilmente, você vai encontrar nichos em que o Brasil tem um diferencial competitivo tão relevante quanto no agro.” Marco Dorigon acrescenta como importante nesta estratégia o fato de o agro “não casar muito no padrão que a Faria Lima está acostumada”, se referindo aos ciclos de alta e baixa naturais do setor, mas sempre apontando para cima. “Não dá para você olhar o agronegócio em uma janela tão curta como dois anos. Você não pode olhar o agro com pressão temporal para realizar um investimento.”
O argumento de Dorigon é o que sustenta as operações de M&A que estão sendo trabalhadas pela Unio Partners, de investimentos não oportunísticos no agronegócio. “São transações estruturais com investidores estratégicos, não com investidores financeiros, com fundos de investimento.” Dorigon destaca dois novos perfis de investidores que começam a entrar no agro de maneira mais estrutural: o estrangeiro, principalmente capital soberano, e o que chama de capital perpétuo local. “Você tem um capital perpétuo no Brasil hoje em dia, não é mais como era 20 anos atrás. Um exemplo é a Itaúsa, do Alfredo Setúbal, BW, do Moreira Salles, e a J&F, são famílias multibilionárias que distribuem o dividendo e tem seus braços de alocação e diversificação de capital. Funcionam quase como fundos soberanos”, afirma o sócio da Unio Partners, acrescentando que diferentemente da Faria Lima, é “um capital letargo que entra e pode ficar por muito tempo na companhia”.
