Estruturados têm espaço para avanço, mas ritmo depende do cenário macro

O futuro dos produtos estruturados ganhou espaço em debate nesta quarta-feira (07), durante painel de evento promovido pela TAG Investimentos. Os FIDCs, por exemplo, têm chamado a atenção de investidores, mas o ritmo do avanço desse tipo de produto está relacionado ao comportamento do cenário econômico – e do patamar de juros.
“Os estruturados têm bastante espaço para avançar, mas a evolução vai estar muito ligada ao cenário econômico”, comentou James Oliveira, sócio fundador e CIO da Vinland Capital, casa multiestratégia com R$ 12 bilhões de AuM. O painel contou ainda com a participação de representantes da Oceana Investimentos e da Bradesco Asset comentando estratégias de alocação.
Em um cenário que, daqui a pouco, o juro estabilize e mais para a frente a economia desacelere um pouco, esse mercado “tende a se alongar”, com busca por estruturados, continuou o gestor.
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“Então, no nosso caso, a gente busca estar preparado para qualquer dos cenários, com produtos conservadores de renda fixa com liquidez para curto prazo, tendo produtos com mais riscos, fundos estruturados ou de crédito. A gente quer se adequar se antecipando ao que pode acontecer. O importante é ter qualidade de análise para a tomada de decisão”, continua Oliveira.

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Gestores que participaram do painel disseram que o investimento em ferramentas de inteligência artificial tem sido um foco importante para a decisão de alocar. O uso de tecnologia apoia em gestão de risco e melhora a produtividade.
A Bradesco Asset tem desenvolvido ferramentas de IA em anos recentes. Uma delas lê documentos de bancos centrais (com foco no brasileiro e no Federal Reserve) e outra lê posicionamentos de gestoras para identificar mais rapidamente as tendências do mercado. Uma novidade agora é o treinamento, em curso, de IA para ajudar a entender escrituras de debêntures, por exemplo. O objetivo é melhorar a produtividade na parte da análise de crédito, contou Bruno Funchal, CEO da asset do banco.
Alexandre Rezende, sócio fundador da Oceana Investimentos, com foco em renda variável, acrescenta que as ferramentas tecnológicas têm contribuído para diferentes etapas no dia a dia. “A parte da coleta de dados, por exemplo, é chave. Nela, o uso de ferramentas é fundamental para a economia de tempo do time de análise”, disse. “Confrontamos nossas conclusões com o que parece ser consenso de mercado e então identificamos oportunidades”, continua.
Menos concentração nos EUA
Em outro painel, gestores de multimercados debateram alocação após o ‘Liberation Day’ americano. Bruno Serra, portfolio manager do Janeiro, da Itaú Asset, disse que o fundo comprou bolsa americana quando “fez preço”.
Já Fabiano Rios, sócio fundador e CIO da Absolute Investimentos, preferiu as bolsas europeias. “Achamos que a tendência de médio prazo é de diminuição de concentração de ativos americanos no mundo. Então achamos diferenciada posição comprada em bolsa europeia”, disse Rios. “Mas ainda gostamos muito de posição vendida em dólar, e mantivemos”.
