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Mudanças no EAD pesam nas ações de empresas de educação como Cogna e Yduqs

Jiane Carvalho

O mercado de ações repercute negativamente o novo marco regulatório para os cursos de ensino superior, divulgado na segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC),com novas regras para as modalidades presencial, semipresencial (hibrido) e a distância (EAD). A partir de agora, os cursos de direito, medicina, odontologia, enfermagem e psicologia só poderão ser ofertados exclusivamente na modalidade presencial. Outros cursos da área de saúde e licenciatura também não poderão ser ofertados a distância, mas as instituições educacionais poderão adotar o formato semipresencial. O efeito nas ações do setor foi imediato.

Durante a manhã, papeis da Cogna (COGN3), Yduqs (YDUQ3) lideraram a ponta negativa do Ibovespa com recuos superiores a 5%. Por volta do meio dia, Cogna caía 6%, a R$ 14,82; enquanto Yduqs registrava baixa de 5,83%, a R$ 2,90. O dia no vermelho também afetou companhias de educação que estão fora do Ibovespa. Ser Educaconal (SEER3) recuava de 2,7%, a R$ 8,76; e Ânima (ANINM3) tinha queda de 5,4%, a R$ 4,17, no mesmo horário. 

Na avaliação do BTG Pactual, embora já esperadas, e apesar do período de transição (ainda sem todos os detalhes), o novo marco tende a ser negativo para o setor. “Aumenta os custos com professores em um segmento historicamente sensível à inflação de custos e com dificuldades de repasse para as mensalidades. Jogadores mais expostos ao EAD serão mais impactados”, destaca relatório assinado pelos analistas Samuel Alves e Yan Cesquim. “Notavelmente, as empresas listadas têm maior participação relativa no EAD (67%) do que no presencial (32%). Assim, além de maiores custos, players com foco em EAD podem enfrentar dificuldades para manter sua base de alunos.” No relatório há uma ponderação sobre a Ânima, com menor exposição, e que “pode até ser beneficiada em termos relativo”.

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Relatório do JP Morgan também sugere dificuldades para as empresas do setor, após mudanças no EAD, destacando dois pontos: o limite de 30% para ensino a distância nos cursos presenciais; e a proibição do ensino a distância e semipresencial para determinados cursos, especialmente Enfermagem. “As instituições que utilizavam o limite máximo de 40% de EAD em seus cursos presenciais devem enfrentar um aumento de custos de cerca de 14%, assumindo que a hora/aula a distância custa 1/10 da aula presencial”, afirma relatório do JP Morgan encabeçado pelo analista Marcelo Santos. “Isso pode significar um impacto negativo de aproximadamente 6 pontos percentuais na margem bruta das empresas com margens de aproximadamente 60% nesses cursos, caso não haja reajuste de preços.”

Ainda no relatório, há menção às restrições em Enfermagem que devem afetar mais Cogna e Ser. Com base nos dados regulatórios de 2023, consta do relatório, a  maior exposição à Enfermagem entre as empresas analisadas está na Cogna (8% dos alunos de EAD); Ser (7%). Yduqs (1%) e Ânima (1%) têm exposição mais limitada. “Assumindo que o ticket médio de Enfermagem seja o dobro do dos demais cursos EAD, e considerando a exposição de receita ao EAD de cada empresa em 2024 (33% Cogna, 32% Yduqs, 19% Ser, 8% Ânima), estimamos um impacto potencial na receita consolidada de 4,9% para Cogna; 1,5% para Ser; 0,7% para Yduqs; e 0,1% para Ânima.”

 O relatório do JP Morgan conclui que é incerto o impacto da migração dos cursos do EAD para o modelo semipresencial. “Neste momento, não está claro se ou quanto os custos vão aumentar nos cursos que passarão para a nova modalidade semipresencial.”