JiveMauá dá mais um passo rumo ao varejo e lança seu primeiro FIDC de oferta ampla, o BossaNova90

A JiveMauá, casa conhecida por sua atuação no universo de ativos estressados – distressed & special sits – e crédito privado, já levantou junto aos investidores R$ 260 milhões para sua mais recente iniciativa focada no varejo – algo que só recentemente ganhou a atenção da gestora. Com um histórico construído atendendo clientes institucionais, singlefamily/multifamily office, além do universo ultra high net worth, há três anos a casa lançou o FIDC BossaNova360, para o público qualificado, e agora avança na estratégia do varejo com o FIDC BossaNova90, de oferta ampla.
Após a fase pré-operacional de janeiro, o FIDC de varejo da JiveMauá foi aberto ao público geral em 11 de fevereiro e tem apresentado um desempenho “muito bom” em termos de patrimônio líquido (PL) e número de cotistas. “O produto tem duas belezas. Ele capta muito bem, é um fato. E, ao mesmo tempo, é realmente democrático, porque a gente conseguiu levantar um número de cotistas importante”, comenta Samer Serhan, sócio responsável da área de crédito privado da JiveMauá. Os R$ 260 milhões de PL do FIDC Bossa90 foram alcançados com aportes de 5.500 cotistas.
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O produto lançado pela JiveMauá engrossa uma lista do mercado, ainda bastante seleta, de FIDCs para o varejo amplo, o que foi possível após a edição da CVM 175. O primeiro foi o FIDC Solis Pioneiro, da Solis Investimentos, lançado em meados do ano passado. O mais novo FIDC de varejo, da JiveMauá, chega ao mercado em um dos melhores momentos para os fundos estruturados. No ano passado, os FIDCs se consolidaram como mais uma alternativa ao financiamento tradicional baseado no crédito bancário.

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Em dezembro de 2024, os FIDCs somavam R$ 589 bilhões em PL, um aumento de 32,6% em comparação a dezembro de 2023, segundo dados da Anbima. O número de fundos também cresceu: eram 2.288 em 2023 contra 2.778 no ano passado, incremento de 21,41%. Com Selic a 14,75% ao ano, crédito caro e restritivo, tudo indica que 2025 deve ser mais um ano do FIDC. É neste contexto que mais um produto de varejo chega ao mercado. Na trajetória da JiveMaúa, contudo, outro fator contribuiu para o movimento.
“Nosso cliente sempre foi o institucional e a alta renda, mas desde que a XP comprou uma posição minoritária na gestora, entendemos que fazia sentido ter produtos que nos aproximassem mais da pessoa física, varejo, importante na XP. Foi quando em 2022 criamos o FIDC BossaNova360, voltado ao investidor qualificado”, relembra Serhan. “O crédito embarcado no produto era o mais próximo possível da fronteira do distressed, special sits, que conhecemos. Empresas com bons projetos, mas pouco acesso à capital. Não é um distressed e ao mesmo tempo não é uma empresa atendida pelos grandes bancos.” O Bossa360 tem liquidez restrita (360 dias) e hoje acumula R$ 1,4 bi de PL distribuído entre 11 mil cotistas.
Após três anos aprendendo o “comportamento do passivo, da pessoa física, ainda no universo dos investidores qualificados” e das mudanças da legislação implementadas pela CVM 175, a JiveMauá seguiu seu plano de ampliar a base de clientes potenciais. O Bossa90, cumprindo o determinado pelo regulador para que o grande varejo tenha acesso a um FIDC, tem liquidez menor, de 90 dias, e apenas crédito performado.
Do PL do fundo, 45% é investido no Bossa360, 15% em debêntures, 25% em outros FIDCs, cota sênior, e o restante é caixa. Boa parte das debêntures são prospectadas, originadas e estruturadas na própria casa. O FIDC Bossa90 é aberto e tem cota única. Outra regra instituída para permitir fundos estruturados para o varejo foi a obrigatoriedade de divulgação de laminada mensal e limite de concentração máxima por emissor, de até 10%.
“Nós acreditamos muito no produto FIDC, principalmente neste cenário de juro alto e crédito escasso. São fundos que se encaixam bem na necessidade das empresas e dos investidores, além de terem benefícios tributários, sem come-cotas e com 15% de imposto”, explica Samer Serhan. “No dia em que abrimos, entraram R$ 5 milhões de recursos do varejo. E segue crescendo, tudo muito rápido.”
Na visão do sócio da JiveMauá, o FIDC Bossa90 deve bater rapidamente nos R$ 300 milhões e, “com tranquilidade e segurança” ir até R$ 500 milhões de PL. A área da casa voltada ao crédito privado, informa o sócio, deve encerrar o primeiro semestre com R$ 3 bilhões de ativos sob gestão. “A vertical, como um todo, tem capacidade, tranquilamente, de crescer até R$ 4 bilhões sob gestão sem perder um parafuso ou uma porca no meio da corrida. E em termos de capacidade de investimento, a gente consegue esse R$ 1 bilhão fazendo alocações com base no que a gente tem de pipeline de investimento.”


