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XP refuta acusação de atuar em “esquema de pirâmide” e diz que processará Grizzly Research

Jiane Carvalho

(Foto: Adobe Stock)

A XP negou nesta quarta-feira (12), por meio de nota, qualquer irregularidade na operação, que estaria potencializando seus lucros de forma artificial. A acusação consta de relatório da Grizzly Research, casa que se define como uma empresa focada em produzir insights de pesquisa diferenciados sobre empresas de capital aberto por meio de “due diligence aprofundada”. Desde que o relatório passou a ser de conhecimento público, as ações da XP negociadas na Nasdaq passaram a registrar forte queda.

A XP disse que tomou conhecimento de “informações falsas, incorretas e imprecisas” divulgadas pela Grizzly Research e que “reforça seu comprometimento com a ética, a transparência, a conformidade regulatória, a governança e o cumprimento da lei.” A XP acrescentou na nota que irá tomar “todas as medidas legais cabíveis contra a Grizzly Research”.


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No centro da acusação está um fundo, o Gladius FIM CP IE (Gladius), que obteve um retorno de mais de 2.419% nos últimos cinco anos, com uma volatilidade considerada pela casa de análise “incrivelmente baixa”. Outro fundo citado no relatório, afiliado ao Gladius, é o ColiseuFIM CP IE (Coliseu). Ambos têm, segundo a Grizzly Research, desempenhos “superiores aos próprios lucros da XP”. Sem Gladius e Coliseu, a XP “seria uma empresa não lucrativa”.

Entendendo a rentabilidade, segundo o relatório

O segredo da rentabilidade do Gladius está em um produto chamado Certificado de Operações Estruturadas (COE) que seria, conforme afirmam os analistas, “produto de investimento predatório que a XP comercializa agressivamente para seus clientes de varejo no Brasil”.

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No relatório, há a afirmação de que foram consultados ex-funcionários da XP e pessoas no Brasil que conhecem a estrutura do Gladius. Eles confirmaram que o fundo está, “de maneira indevida, pagando os prêmios de novos COEs vendidos à XP como lucros”. E ainda: “segundo ex-funcionários da XP, o esquema só continua funcionando enquanto a XP consegue vender mais COEs”. Assim que o fluxo de entrada para de crescer, o sistema entra em colapso e a XP pode se tornar responsável por obrigações financeiras massivas que não conseguirá cumprir, afirma o relatório que compara o modelo de atuação a um “esquema Ponzi semelhante ao de Madoff”.

“Nossa suspeita de que o Gladius está utilizando meios ilícitos para gerar seus retornos extraordinários se fortalece ao analisarmos outros fundos brasileiros do mesmo segmento. Fundos comparáveis de concorrentes da XP apresentam apenas retornos medianos, sem nenhuma semelhança com os ganhos do Gladius.”

A XP Inc. abriu seu capital em dezembro de 2019 na Nasdaq, em Nova York. Desde a abertura até antes do relatório publicado, o que ocorreu nesta quarta-feira (12), os papéis caiam 38%. Hoje, por volta das 16h32, as ações da XP Inc. na Nasdaq caíam cerca de 5,72% (em dólar), negociadas a US$ 14,10.

Segundo Eduardo Silva, presidente do Instituto Empresa que monitora o caso XP, o fato de a denúncia vir do mercado norte-americano é bastante favorável aos investidores brasileiros que adquiriram os papéis diretamente na Nasdaq ou via ADRs na B3. “A atuação de órgãos reguladores estrangeiros em casos que afetam investidores brasileiros representa uma camada extra de proteção. Enquanto no Brasil a fiscalização pode ser limitada, nos Estados Unidos, estão sujeitas a rígidos padrões de compliance”, lembra.

Silva observa que o mercado americano conta com o sistema de class action, um mecanismo mais eficiente para investidores que buscam reparação por eventuais danos. Diferente dos processos judiciais individuais ou arbitragens no Brasil, que podem ser longos e onerosos, a ação coletiva permite que múltiplos investidores sejam representados em um único processo, aumentando as chances de ressarcimento e garantindo maior poder de barganha diante das empresas infratoras.

No mercado brasileiro, a Comissão de valores Mobiliários pode ser convocada a apurar os fatos, quando provocada por alguma empresa ou investidor, ou mesmo atuar quando há suspeitas levantadas no noticiário.

Confira o relatório da Grizzly na íntegra.