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Plano de reestruturação da Azul pode diluir ações em até 136%, diz Goldman Sachs

Jiane Carvalho

A companhia aérea Azul (AZUL4) concluiu no dia 28 de janeiro o processo de reestruturação da dívida com credores, fabricantes de equipamentos e arrendadores de aeronaves. A empresa informou na mesma ocasião ter concluído a emissão de “notas superprioritárias" no valor de US$ 525 milhões, com vencimento em 2030.  O processo de reestruturação da Azul, informa a companhia, melhorou sua liquidez e geração de caixa. Desde o anúncio da fusão da Azul com a Gol, uma preocupação recorrente nestes grandes movimentos é a proteção dos acionistas minoritários. O modelo adotado pela Azul para reestruturar seu passivo prevê emissão de ações, o que, na prática, irá diluir os acionistas que já têm papéis da aérea.

Segundo cálculos do Goldman Sachs, em relatório assinado por Bruno Amorim e João Frizo, a diluição pode ser de 27%, na melhor das hipóteses, ou chegar a 136%. No primeiro cálculo apresentado no relatório do banco, é considerada a reestruturação com arrendadores e OEMs (fabricantes de equipamentos) com a eliminação deaproximadamente US$ 557 milhões em obrigações de emissão de ações, em troca de 94 milhões de ações AZUL4. Este processo deve ser concluído neste primeiro trimestre. Serão eliminados US$ 244 milhões em dívida com arrendadores/OEMs, em troca de considerações comerciais não divulgadas. “Melhoria no fluxo de caixa de aproximadamente US$ 300 milhões ao longo de 2025/2026/2027, o que permitiu à empresa acessar um financiamento adicional de US$ 100 milhões”, afirmam os analistas. “Com base no valor de mercado atual da Azul (US$ 264 milhões) e no número de ações (perto de 348 milhões), a emissão de 94 milhões de ações para arrendadores/OEMs representa uma diluição de 27%.


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Os papéis da Azul na sexta-feira (31) estavam sendo negociados a R$ 4,60, uma alta no ano próxima de 26%, porém longe de recuperar o recuo acumulado em 12 meses. Há 12 meses, os papéis da aérea eram negociados na casa de R$ 13,40, ou seja, há uma queda acumulada de 65,67%.  

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No segundo cálculo apresentado pelo relatório do Goldman Sachs, a diluição pode ser muito maior, considerando também a reestruturação com detentores de títulos. Parte do acordado inclui a conversão de US$ 784 milhões de títulos de dívida de 2029 e 2030 em ações preferenciais, com prazos e percentuais escalonados. Por exemplo: 35% do valor principal será convertido em ações preferenciais até 30 de abril, com um desconto de 15% sobre o preço médio ponderado por volume (VWAP) de 30 dias.

Neste cálculo, afirma o relatório, a diluição das ações será maior. “No total (as duas operações), o processo deve gerar aproximadamente 475 milhões de novas ações, resultando em uma diluição total de algo próximo a 136%. Os analistas reconhecem, ao final do relatório, que “esses acordos melhoram a estrutura de capital e a liquidez no curto prazo. Além disso, a reestruturação reduz a alavancagem da empresa (embora às custas de significativa diluição para os acionistas atuais) e deve melhorar o fluxo de caixa nos próximos anos.” O Goldman mantém a classificação Neutra para as ações da Azul.

O Instituto Empresa, que defende o direito de minoritários, acompanha de perto todos os acordos envolvendo a fusão Azul e Gol que podem afetar acionistas. “Todas as decisões relacionadas à possível fusão deverão passar por muitas instâncias, inclusive Assembleias Gerais das Companhias. Infelizmente, contudo, novos arranjos societários acabam por diluir os minoritários”, comenta Eduardo Silva, presidente do Instituto. “A questão que se põe é sobre a existência de alternativas para a sobrevivência das companhias num cenário que parece muito adverso para a indústria mundial da aviação.”

Sobre a possibilidade de que os minoritários questionem o processo pela magnitude da diluição, o executivo lembra que o Instituto, em caráter permanente, reúne procurações de investidores para representá-los perante as Companhias. “O processo de fusão será longo e precisará ser acompanhado. Investidores, sobretudo quando Pessoas Físicas (CPFs) não possuem tempo e nem condição de fazê-lo, costumam, em regra, ser os principais prejudicados.” Sobre uma possível OPA como saída para minoritários insatisfeitos, afirma: “Aparentemente, todas as possibilidades estão postas. Mas, muito provavelmente, caminhos que imponham mais custos serão evitados.”