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Fundos de pensão querem ampliar empréstimo a participantes dos planos em 2025, indica Mercer

Érica Polo

Maurício Martinelli, líder da área de investimentos da Mercer

Com o atual patamar de juros no país, os fundos de pensão devem seguir majoritariamente conservadores em 2025 – mas há algumas alterações estratégicas. Do patrimônio total de R$ 1,2 trilhão, 81,6% estavam alocados em renda fixa e 10,3% em renda variável em 2024, no período entre janeiro e setembro de 2024. Os dados são da Abrapp, associação representante das entidades fechadas de previdência complementar, e acabam de sair do forno. Apesar da conjuntura, um estudo recente da Mercer captou mudanças em decisões de alocação neste ano.

A consultoria ouviu 54 entidades as quais, juntas, têm R$ 314 bilhões sob gestão. Uma dessas definições é aumentar o volume de operações de empréstimos destinados aos participantes dos fundos de pensão, um movimento pretendido por 28% dos gestores que responderam à pesquisa.

Essa estratégia acaba por evidenciar ganhos nas duas pontas: para o plano, o retorno é interessante, bem como na ponta tomadora do crédito, o custo tende a ser mais baixo que o do crédito consignado. Maurício Martinelli, líder da área de investimentos da Mercer, destaca que os cálculos relacionados a esses ganhos dependem de algumas variáveis, mas é possível entregar diretrizes médias.

“De acordo com a nossa experiência e leituras de mercado feitas nos últimos três anos, considerando taxas prefixadas, atreladas à inflação e pós-fixadas, convertendo-as em percentual do CDI, a taxa giraria em torno de 160% do CDI (retorno para os planos)”, disse. “Trata-se de uma média, e que pode variar consideravelmente dependendo do plano”, reforça o executivo.

Ele observa que não é simples estipular um valor médio de taxa que os programas de empréstimos cobram de seus participantes e que, por consequência, remuneram os planos, já que várias das entidades utilizam suas metas atuariais como parâmetro ou mesmo taxas prefixadas. O risco, pode-se dizer, é nulo, já que o tomador tem um saldo para fazer frente aos pagamentos em caso de problemas.


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Para quem toma o crédito, por sua vez, trata-se de negócio vantajoso visto que os juros podem girar, em média, em torno de 80% do consignado público. “É preciso levar em consideração a variedade de programas de empréstimos e a grande gama de instituições que fornecem crédito para pessoa física”, acrescenta.

Consideradas as entidades que pretendem aumentar esse tipo de operação, o total de dinheiro novo disponível para os participantes dos fundos representaria volume próximo a R$ 400 milhões. “Depende, vale lembrar, do participante do fundo de pensão querer tomar o recurso”, reforça. Ele diz que há um limite legal para esses empréstimos, de 15%.

A pesquisa indica, ainda, que a totalidade dos planos de perfil mais conservador mapeados pela consultoria têm hoje mais de 90% de seus recursos destinados à renda fixa. Participaram do relatório entidades de Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal. O levantamento considerou planos da modalidade Benefícios Definidos (BD), Contribuição Variável (CV) e Contribuição Definida (CD).

Exposição a ativos no exterior

Outro movimento identificado pela Mercer é a decisão de ampliar a exposição ao exterior. Há limite legal de 10%. Há planos de redirecionar alocações da bolsa brasileira para bolsas globais, como MSCI e S&P, os quais estão entre as preferências. Não se trata de um movimento volumoso em recursos, mas responde à necessidade de diversificação dos investimentos – 15% a 25% dos gestores desses fundos (a depender do perfil do plano) mostraram a intenção de aumentar a exposição fora do país.

Martinelli reitera, ainda, que a tendência de destinar parte dos recursos ao exterior é mais qualitativa, e mostra o aumento da percepção dos gestores sobre a necessidade de buscar oportunidades em outras moedas, ciclo econômico distinto e, ainda, segmentos pouco ou nada representados na B3.

“A bolsa brasileira é muito concentrada em commodities e no setor financeiro. Por isso, por mais que as empresas tenham entregado bons resultados, o cenário, com a combinação de uma atividade chinesa menos pujante e a alta das taxas de juros locais, deve prejudicar a performance das companhias no curto prazo, além da grande incerteza sobre o cenário fiscal do país”, avalia.

O levantamento mostra, ademais, que investimentos estruturados, mais especificamente os fundos multimercado, seguidos da parcela do segmento imobiliário, são os que mais perdem diante do aumento de alocação na renda fixa.

Os dados de setembro da Abrapp mostram que os fundos de pensão vêm aumentando a exposição à renda fixa – títulos públicos, créditos privados e depósitos, além dos fundos de renda fixa. Em 2019, dado mais antigo apresentado no documento, a fatia era de 72,9%; em 2023, alcançava 79,1%; até chegar a 81,6% no período entre janeiro e setembro do ano passado.

Já a renda variável perdeu espaço anualmente considerado o mesmo período observado: correspondia a 19,6% do total da alocação em 2019; passou a 12,3% em 2023; até chegar a 10,3% no período entre janeiro e setembro de 2024, indica o documento recém-divulgado pela associação representativa.