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Conselhos pretendem reduzir debates sobre diversidade neste ano, revela pesquisa do IBGC

Amanda Meneses

Mesmo com um ambiente político e macroeconômico global incerto, a maioria dos conselheiros e executivos (69,9%), segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), está com uma perspectiva positiva em relação ao desempenho de suas organizações nos próximos 12 meses, e para 53,6% deles a perspectiva também é positiva em relação à capacidade das organizações se anteciparem e se adaptarem a choques externos nesse período. Por outro lado, o estudo mostra que o tema “diversidade e inclusão” é uma discussão que se pretende reduzir nos conselhos este ano. 

No estudo, 45% afirmam ainda que a intenção de melhorar a governança nos próximos 12 meses é “provável”, seguidos por 41,8% que consideraram “muito provável”, totalizando 86,8% da amostra, enquanto 43,6% afirmaram que as práticas relativas à estrutura e procedimentos do conselho são as mais prováveis de serem aprimoradas. Na sequência, estão as práticas associadas ao compliance e integridade (41,3%) e relacionamento entre sócios (36,7%).


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No entanto, existem alguns desafios para as implementações, como a percepção de incerteza sobre a relação entre seus custos e benefícios (41,3%). Para 31% dos respondentes, o desafio está no fato de haver um entendimento, entre os principais grupos de influência, de que a governança já se encontra em um nível adequado, sem necessidade de aprimoramento.

Negócios

Dos respondentes, 34,4% têm uma avaliação “neutra” do ambiente de negócios, seguidos por 32,1% dos que o avaliam como “bom”. Para 4,9% deles, o ambiente de negócios foi considerado “muito bom”. Por outro lado, 24,9% classificam o ambiente de negócios como “ruim” e 3,7% como “muito ruim”.

Eles ponderam, no entanto, que há alguns fatores que poderiam colocar em risco esse ambiente de negócios, a carga tributária em primeiro lugar (58,7%), risco de inflação (50,1%), e corrupção (32,4%) ficaram com o pódio.

“Em relação à própria empresa, chama atenção que há uma perspectiva aparentemente positiva. Ou seja, isso nos faz lembrar daquele viés de otimismo que pode ocorrer em boa parte dos conselhos de administração. Olhando para dentro de casa, talvez consigamos ressaltar mais os pontos positivos, apesar de um ambiente externo mais desafiador”, comenta Danilo Gregório, gerente de conhecimento e relações institucionais do IBGC, em evento online realizado pelo instituto nesta quinta-feira (20). “Inclusive é mencionado aqui que a capacidade de adaptação a choques externos é boa para a maioria dos respondentes.”

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A maioria dos respondentes é composta por membros de empresas de capital fechado (65,6%) e cerca de 15,5% de companhias listadas em bolsa, com uma grande participação de representantes de pequenas e médias empresas.

A pesquisa, por meio da aplicação de um questionário com 349 respostas de profissionais de diferentes organizações, entre eles conselheiros (entre conselheiros de administração, fiscais e consultivos) e diretores executivos, foi realizada entre novembro e dezembro de 2024. Por isso, o IBGC ressalta que como o cenário se alterou de lá para cá, pode ser que as percepções também tenham mudado.

Menos diversidade

Se por um lado, os conselhos pretendem discutir com maior frequência em 2025 inovação (56,7% dos respondentes), avanço da inteligência artificial (55,4%) e gestão de riscos (51,9%), por outro, temas como diversidade e inclusão (15,8%), educação continuada do conselho de administração (13,2%) e impactos do ambiente político nacional (12,6%) devem ter menos frequência nas reuniões.

Um movimento anti-diversidade advindo de ações iniciadas nos EUA após a ascensão de Donald Trump tem influenciado o mercado. Depois da eleição do republicano, muitas empresas anunciaram o fim de suas áreas de D&I e isso tem atingido companhias ao redor do mundo.

“Confesso que recebi com um pouco de susto em conversas recentemente, em função da WCD, o sentimento das pessoas em relação ao Trump. As pessoas, de fato, estão muito apreensivas. Não que eu não esteja, mas acho que a gente precisa filtrar o que é narrativa e o que é, de fato, o dia a dia da empresa”, comenta Juliana Buchaim, conselheira do Banco ABC Brasil e co-chair da WCD durante o evento. “Se você tem uma política de diversidade e inclusão, talvez você tenha mais medo de ser vocal em função do que tem acontecido nos EUA e que ainda não acontece aqui, de liability, de ações legais em relação a esse tema. E é por isso que as empresas também estão tirando suas áreas.”

Para Juliana, as empresas reagem a isso, mas não significa que necessariamente houve uma mudança de tendência. A executiva acredita que a sustentabilidade veio para ficar, mas “em diversidade e inclusão, acho que a gente pode ter um retrocesso em função do receio das narrativas”, diz, argumentando que o mercado precisa lidar com isso com alguma normalidade e não deixar com que essas narrativas tomem conta das ações que são importantes e pertinentes para a gestão de risco de uma companhia.

Devido a esse cenário macroeconômico, parte das empresas tem recuado no quesito diversidade. Ana Novaes, conselheira de administração, destaca, no entanto, que diversidade e inclusão é uma estratégia de longo prazo das companhias e a preocupação macro é o dia a dia das empresas, portanto, um não deve excluir o outro.