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Sem inovação, empresas não sobrevivem aos próximos 10 anos, dizem CEOs de Serviços Financeiros

Amanda Meneses

Lindomar Schmoller, sócio e líder de Serviços Financeiros da PwC Brasil

Executivos do alto escalão do setor de serviços financeiros estão mais otimistas com a economia global e local de seus países. Segundo a 28ª Global CEO Survey, pesquisa que ouviu 4,7 mil líderes em mais de 100 países, incluindo o Brasil, realizada pela PwC, 64% dos executivos globais do setor projetam uma aceleração da economia global nos próximos 12 meses, enquanto no Brasil esse percentual é de 65%. O percentual está um pouco abaixo da média nacional de 68%, mas acima da média mundial de 58%.

Os líderes brasileiros do setor também estão otimistas em relação ao crescimento local. A expectativa de aceleração da economia no próprio país é expressa por 65% dos entrevistados, de 60% em 2024. O estudo compara a visão dos CEOs do setor de serviços financeiros no Brasil e globalmente, com a média das respostas de CEOs de outros setores tanto locais quanto de outros países.  

A pesquisa foi realizada no final do ano passado. Embora tenha alguma “precificação” de eventos como Trump, não inclui as primeiras medidas que foram adotadas pelo Republicano, por exemplo. 

O otimismo dos CEOs do setor com a economia, segundo os executivos da PwC, é explicado pelo crescimento no Brasil. “A gente também já vinha percebendo uma perspectiva de economia e de PIB no Brasil que só foram sendo revistas para cima. O crescimento do PIB durante seis meses foi para cima. Alguns outros setores, quando a gente olha a média dos setores no Brasil, têm uma perspectiva de crescimento do país até maior do que o próprio sistema financeiro”, comenta Lindomar Schmoller, sócio e líder de Serviços Financeiros da PwC Brasil.

“A expectativa do PIB revista para cima, até os balanços dos bancos, que temos acompanhado os últimos resultados, e o que está sendo divulgado nos últimos dias corroboram isso. Os resultados realmente vieram muito fortes”, complementa o executivo.

Questionado sobre a visão positiva dos CEOs, Schmoller ressalta que o cenário mudou um pouco do final do ano passado para agora, mas que é preciso fazer uma análise do impacto que a alta de juros tem para a economia como um todo e para o setor de serviços financeiros em específico. “Um aumento de receita com taxas de juros elevadas obviamente pode favorecer um pouco mais a indústria financeira do que o restante da economia. Claro, pode ter uma contração de margens e de lucratividade, mas do ponto de vista de expansão etc., não deixa de ser um cenário desfavorável. Mas acho que o cenário pode ter mudado em relação ao momento da pesquisa”, aponta.


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Ele ressalta ainda que juros altos no Brasil não são novidade, especialmente comparando com o restante do mundo. “Navegar nesse mar de taxas de juros elevadas é algo que o setor já convive há muito tempo, em ciclos muito diferentes.”

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Segundo a pesquisa, há também um descolamento entre a confiança no crescimento de receita do setor de serviços financeiros no Brasil comparado com outros setores localmente, e mesmo com a perspectiva global. 62% dos CEOs de serviços financeiros estão muito ou extremamente confiantes de que haverá um aumento de receita nos próximos 12 meses, contra 46% no setor de serviços financeiros globais. Já a médio prazo, nos próximos três anos, essa expectativa no Brasil (57%) já se aproxima da média do que são os outros setores (53%) e do que é a perspectiva global (53%).

Entre os motivos, segundo a PwC, estão a redução da inadimplência no setor financeiro, que tem aumentado a rentabilidade das empresas do segmento, sem perspectiva de alteração da empregabilidade no curto prazo, e a sinalização do governo em relação à expansão de programas de crédito e fomento ao consumo, favorecendo o ambiente de serviços financeiros, trazendo garantia, e expandindo o volume de produtos, cita Willer Marcondes, sócio e líder de Consultoria em Serviços Financeiros da Strategy&, divisão estratégica da PwC Brasil.

Willer Marcondes, sócio e líder de Consultoria em Serviços Financeiros da Strategy&, divisão estratégica da PwC Brasil

Outro destaque é que na pesquisa deste ano, 38% dos CEOs de Serviços Financeiros também disseram que as suas empresas não seriam viáveis nos próximos dez anos se não se reinventarem, um percentual abaixo dos 51% registrado em 2024. Ou seja, essa incerteza diminui bastante, isso porque as empresas do setor estão realizando maiores esforços para se reinventar no mercado. Há uma intersecção de setores e as organizações vêm fazendo parcerias de uma maneira mais acelerada, segundo a PwC. 

Além disso, toda discussão de tecnologias disruptivas, de inteligência artificial generativa, vem amadurecendo nas empresas e essas incertezas vão diminuindo em relação a isso. “O pessoal vem experimentando, fazendo investimentos, testando, integrando essas tecnologias nos negócios. Isso pode de alguma maneira explicar por que essa incerteza diminuiu nesse recorte do ano anterior para esse ano”, diz Schmoller. 

Esse, inclusive, é um dos riscos vistos pelos CEOs aos seus negócios. Riscos cibernéticos estão entre os principais, especialmente entre os CEOs de serviços financeiros no Brasil (43%), seguidos por instabilidade macroeconômica (32%) e disrupção tecnológica (27%). Para o setor financeiro global esses percentuais são de 31%, 33% e 24%, respectivamente. 

“É muito na linha do uso da tecnologia mesmo. O setor começa a entender de fato o impacto nas perspectivas, e vê que ele chega não para, necessariamente, fazer uma disrupção no setor, mas implementar avanços e de fato consolidar. Essa preocupação diminuiu, mas ainda é relevante. 38% ainda veem o risco do negócio no longo prazo”, ressalta Marcondes.

Visto isso, muitos líderes de serviços financeiros no Brasil reconheceram a necessidade de reinventar seus modelos de negócios. A queda na visão de viabilidade do negócio em dez anos ocorreu justamente por uma série de implementações nas empresas. Segundo a pesquisa, 68% dos serviços financeiros no Brasil buscaram uma nova base de clientes, 49% desenvolveu produtos ou serviços inovadores, 38% investiu em novas estratégias de crescimento, 38% fez parcerias com outras organizações, e 35% implementou novos modelos de precificação. Já em relação ao setor de serviços financeiros globalmente, esses percentuais foram de 34%, 39%, 25%, 30% e 25%. 

A PwC destaca que nessas ações que os CEOs implementaram nos últimos cinco anos, o setor financeiro no Brasil é superior em todos os aspectos, em todas as ações. Ou seja, o setor financeiro no país é mais proativo no que se refere a essa agenda da transformação, da reinvenção. “Quando a gente compara isso com médias globais, pegando o primeiro item da busca de uma nova base de clientes, é mais do que o dobro do que a média global. Claro, tem uma explicação aqui. Temos experimentado a agenda de Open Finance, de Open Insurance. E essa busca de uma base de clientes adicional é importante nesse momento da economia, especialmente do setor aqui no Brasil”, diz Schmoller.