Buena Vista coloca mais dois ETFs na prateleira atrelados a Bitcoin e ao Russel 2000

Small Caps são empresas de menor capitalização de mercado e, normalmente, maior potencial de crescimento e retorno aos acionistas. Bitcoin, o primeiro e mais valioso ativo digital do mercado, além de um 2024 com halving e aprovação de ETF da cripto nos Estados Unidos, deve avançar sob a tutela do governo Donald Trump. Estas são as duas novas teses, empacotadas em um fundo de índice (ETF), que a Buena Vista Capital escolheu para ampliar seu portfólio de produtos listados na B3. Os fundos Buena Vista Neos Bitcoin High Income ETF (COIN11) e o Buena Vista Neos Russel 2000 High Income ETF (IWMI11) foram lançados nesta sexta-feira (13) na bolsa.
Com os novos produtos, a Buena Vista chega a quatro ETFs no mercado, todos com uma característica em comum, escolhida pela gestora para fincar o pé no mercado brasileiro de fundos listados. São produtos com dividendos, algo possível desde janeiro de 2023, quando a B3 permitiu o pagamento de dividendos diretamente na conta do cliente. Os dois primeiros fundos da Buena Vista foram o ETF SPYI11, que acompanha o índice NEOSSPYI, seguindo o desempenho das 500 maiores companhias abertas dos EUA, e o ETF QQQI11, que replica a carteira do Nasdaq-100 com as 100 maiores empresas não-financeiras listadas. O SPYI11 foi um dos primeiros ETFs do mercado brasileiro com pagamentos de dividendos, de novembro de 2023, estratégia que a Buena Vista segue perseguindo.
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“O que fizemos no nosso primeiro ETF é comum nos demais e tem feito muito sucesso. O SPYI11 compra as empresas do S&P 500, individualmente, faz a mesma estratégia de covered call (chamada coberta) em que vende opções de compra para proteger o portfólio, sem posições short (venda a descoberto). Assim reduz o risco”, explica Renato Nobile, gestor e analista da Buena Vista Capital. “Isto gera um prêmio elevado, paga mensalmente como dividendo. Está dando muito certo e por isto incrementamos o portfólio.” O ETF SPYI11 já tem na base 10.100 cotistas. A Buena Vista tem participação em uma gestora americana, a NEOS, que tem uma equipe voltada para mercado de opções, o que facilita a montagem dos ETFs com este modelo.

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O segundo ETF de dividendos da casa, o QQQI11, em seis meses já atingiu 5.340 cotistas. “Ele tem um ritmo mais rápido de crescimento e eu atribuo a alguns fatores. Lançamos o primeiro e o investidor viu que funciona. E o segundo ponto é que o QQQI11 é focado em empresas de tecnologia, que vão muito bem”, comenta Nobile. Na média, informa o gestor, o QQQI11 paga 1,20% ao mês, e o SPYI11 perto de 1%. O executivo acrescenta que os ETFs vão bem também pela valorização da cota. O SPY começou negociado a R$ 94,80 e hoje roda perto de R$ 122.
Sobre o lançamento dos novos ETFs, Renato Nobile explica que as condições de mercado favorecem a escolha dos ativos subjacentes. “Como a gente tem a NEOS, com mais de US$ 4 bilhões de ativos, normalmente lançamos primeiro lá fora e como estavam indo bem e vimos apelo para o mercado local trouxemos o modelo”, explica. O IWMI11 é um ETF que compra Russel 2000, índice que reúne empresas com menor capitalização de mercado, geralmente entre US$ 300 milhões e US$ 2 bilhões, onde estão os maiores potenciais de crescimento e retorno para o acionista, normalmente. “A volatilidade é um pouco maior e a meta de dividendo é entre 1,15% e 1,35% ao mês”, diz Nobile. “Demos também um pouco de sorte porque já vínhamos trabalhando para lançar o produto há um tempo, mas agora ele chega ao mercado em uma janela muito boa com juros caindo nos Estados Unidos e o Trump ganhado que tende a ser mais protecionista”, explica.
Sobre o outro ETF lançado, o COIN11, o discurso segue na mesma direção. “Não haveria momento melhor”, afirma. Além de o Bitcoin ter tido um ano de halving, de aprovação do ETF da cripto pela SEC americana, Trump no poder significa apoio a este mercado. O lançamento dos dois novos ETFs da Buena Vista está sendo coordenado pela Vórtx, que também foi parceira da casa nos primeiros dois ETFs da casa no Brasil.
Sobre a forma de atuar da Buena Vista, Nobile lembra que a visão da casa foi baseada em estudo do mercado americano. Globalmente, afirma, 80% dos ETFs são dominados por três instituições - BlackRock, Vanguard e State Street - e os outros 20% que têm trilhões de dólares são disputados por muitas gestoras, cada uma com a sua expertise. “No Brasil, que tem um mercado ainda muito pequeno, e a tendência deles é trabalhar com produtos mais tradicionais, com Ibovespa, S&P, setor financeiro. A Buena Vista entra no nicho de produtos diferenciados, que complementem a oferta de ETFs tradicionais. Temos expertise em produtos diferenciados”, comenta Nobile, lembrando que os primeiros 4 ETFs são de dividendos, mas que os próximos não necessariamente serão.
Nos ETFs já lançados pela Buena Vista, a maior parte dos investidores é pessoa física, mas há também institucionais, como fundos. “Como nos primeiro ETF ta completando só um ano, agora que os institucionais ficam mais seguros de alocar, deve crescer. “A gente vê como uma oportunidade muito grande pela frente, não tem a menor dúvida que a gente vai chegar no patamar, ajustada a proporção, igual os Estados Unidos que hoje o fluxo de entrada em ETFs é maior do que fundos tradicionais.”
