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Governança avança em pequenas companhias, indica IBGC

Érica Polo

Danilo Gregório, gerente de conhecimento e relações institucionais do IBGC
Danilo Gregório, gerente de conhecimento e relações institucionais do IBGC

Pesquisa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), divulgada nesta terça (05/11), mostra que houve avanço significativo de implementação de governança em companhias de pequeno porte entre 2018 e 2023 no país. De um universo total de 680 questionários respondidos por 595 empresas de capital fechado de todos os portes no período, a pontuação média que avaliou métricas de boas práticas de governança entre as companhias de menor porte aumentou 52,9% - de 19,1 pontos para 29,2 pontos no período.

Danilo Gregório, gerente de conhecimento e relações institucionais do IBGC, classificou como surpreendente o avanço das companhias de menor porte. O questionário avaliou a evolução da governança nas empresas de capital fechado durante o período já citado distribuídas pelo país, contudo mais de 70% delas estão localizadas no Sudeste e Sul. Ao todo, houve “evolução modesta” do universo observado, já que a pontuação total média da amostra de respondentes saiu de 34 pontos, em 2018, para 37,2 pontos no ano passado.

A pesquisa também mostrou que 25,4% dos 680 questionários respondidos indicam que apenas 2% dos participantes foram classificados como em estágio avançado. Do restante, 25,4% ainda estão em estágio embrionário, 34,3% em fase inicial e, 29,4%, básico. “É importante lembrar que as métricas foram inspiradas nas recomendações do IBGC, que elevam a barra de governança de uma companhia. A gente não busca as práticas mais comuns, mas buscamos defender as melhores práticas”, disse.

Gregório disse que as companhias se destacaram em relação às práticas recomendadas na dimensão avaliada “sócios”, com pontuação 45,3 pontos. O menor desempenho foi em “conselho”, com pontuação média de 26,4 pontos. Ele lembra que não é possível fazer explicação profunda sobre as diferenças porque dependeria da avaliação do contexto individual da companhia.

“Nosso objetivo não foi adentrar nas especificidades de cada empresa”, disse. A métrica foi criada para que as companhias pudessem realizar um autodiagnóstico e, desse modo, observar o que faz sentido aplicar dentro de seu universo para obter melhorias.


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Ele citou, ainda, que houve um aumento de adesão de práticas visando conduta e conflitos de interesse. A média de canais de denúncia implementados saiu de 55,3% em 2018 para 73,3% no ano passado. Já a instalação de comitês de conduta e ética cresceu de 31,1% para 52,6% no mesmo período. 

Monica Neves, integrante do conselho de administração do grupo Santa Casa de BH, participou do evento online de apresentação da pesquisa, a qual considerou um “espelho” da instalação de boas práticas no país. “É algo que deve ser tratado dentro das companhias como projeto a implementar. São métricas que pressupõem conhecimento”, disse. A executiva fez um paralelo, afirmando que as métricas contribuem para “ter a visão da floresta toda antes de escolher a trilha” individual a seguir.

Startups

O IBGC elaborou o mesmo estudo junto a startups, que responderam 191 questionários entre 2023 e o primeiro semestre deste ano. A amostra reuniu projetos espalhados por todo o país, contudo, a maior parte sediada em São Paulo e Santa Catarina.

Segundo Gregório, a métrica seguiu características baseadas na publicação do IBGC sobre governança para startups que estabeleceu quatro ciclos de vida: ideação, validação, tração escala. Em princípio, disse, há maior desafio para convencer startups a responderem métricas em comparação a companhias estabelecidas, uma causa para o menor volume de amostra.

Entre os destaques, a pesquisa mostra que poucas startups possuem regras claras e formalizadas para a saída dos sócios. Na fase de ideação, apenas 12% em ideação possuem regras claras e formalizadas para a retirada de sócios. Em relação à propriedade intelectual, apenas 25% da amostra formaliza o entendimento que ela é de propriedade da startup.

Já na fase de validação houve um avanço nos registros de propriedade intelectual, mas 49% delas indicam que estão se preparando para dar entrada no registro. Apenas 14% das startups neste estágio têm o acordo de sócios assinado. 

Na fase de tração, ele destaca pontos positivos, como 88% da amostra tem modelo de contrato com os clientes, enquanto 63% delas já discutiram e tem claro o alinhamento para a entrada de novos sócios ou investidores. Contudo, apenas 32% realizam planejamento estratégico e, 24%, mantêm atualizadas todas as demonstrações financeiras, indica a pesquisa do IBGC.

Entre os pontos de alerta nessa fase estão as definições de regras de saída de sócios, que não estão formalizadas para 59% delas. Ademais, 61% indicam não possuir conselho consultivo ou de administração.

Mais uma informação destacada durante a apresentação foi que, na fase de escala, a implementação de conselhos está em 51% das startups. “Chama a atenção que apenas 3% da amostra possui um plano de sucessão para todas as posições chave. Deveria haver, é um ponto importante a ser tratado”, alerta o executivo do IBGC.