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VIX brasileiro desperta interesse de gestoras

Amanda Meneses

O VIX brasileiro, embora esteja completando sete meses desde sua divulgação pela B3, tem um histórico de quase 3 anos de testes, iniciados em 2021. Durante este período ampliado, o índice não só espelhou a volatilidade do VIX original norte-americano como permitiu extrair o “medo” do mercado brasileiro. Segundo a B3, o VIX brasileiro tem, inclusive, sido utilizado por gestoras em substituição ao tradicional do S&P por permitir medir o sentimento no mercado local.

O VIX segue um raciocínio de filtro. No mercado de derivativos, ele acompanha opções do Ibovespa, pega os dois primeiros vencimentos, pega o strike pré-determinado e calcula a volatilidade, variável definida por players de mercado. “Você pode definir uma volatilidade falando o seguinte, ‘eu estou mais ansiosa, acho que a volatilidade vai ser maior por conta de aspectos externos, etc.’. Você coloca o seu modelo que medirá a probabilidade de o Ibovespa estar em um patamar mais alto ou mais baixo no futuro, em um intervalo maior”, esclarece Henio Scheidt, gerente de índices na B3. “Se eu sou mais otimista, acho que a volatilidade vai ser menor. Isto é o que a gente consegue extrair do VIX, qual é a volatilidade esperada para daqui a 30 dias do mercado brasileiro.”


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O VIX brasileiro também tem acompanhado bem o índice norte-americano. No estudo do VXBR para o lançamento, a correlação entre o VIX no mercado local e o VIX no mercado americano era de 0,72, considerada muito alta. Essa correlação vai de -1 a 1, sendo 1 muito correlacionado e -1 descorrelacionado. “Quando pegamos desde a série histórica completa, e nos últimos meses, ele continuou acompanhando na mesma magnitude as oscilações do mercado. Ele está conseguindo, da mesma forma que o VIX no mercado americano, contemplar ou internalizar a expectativa da volatilidade nos próximos 30 dias do mercado brasileiro”, diz Scheidt.

Segundo o porta-voz da B3, apesar do pouco tempo de divulgação, quase sete meses, o índice já desperta interesse, só precisando de um tempo de maturação para cair totalmente nas graças do mercado. “Mesmo com esse tempo mais curto, escutamos muitos players brasileiros super interessados no índice, e já usando para os seus modelos internos. Eles deixaram de usar o VIX no mercado americano para passar a usar o VIX no mercado local”, disse Scheidt, citando que um aspecto que ainda impede a ampla utilização é a própria maturação do VIX. “Por exemplo, a gente não pegou ainda uma janela de um estresse muito alto no mercado.”

O executivo da B3 menciona que o mercado já pegou janelas de um estresse até moderado, mas que o VIX ganha muita relevância enquanto tem momentos de pico e ganha mais conhecimento do público em geral, além de, ao longo do tempo, termos a criação de produtos financeiros atrelados a ele. “Um produto financeiro atrelado ao VIX, por exemplo, no mercado americano. Você tem até ETF seguindo o VIX. Aqui no mercado brasileiro, a gente entende que é questão de tempo para ter essa maturação”, disse. “Lançamos faz seis meses e vamos ter, ao longo do tempo, mais exemplos de como ele está se comportando. E assim que as coisas ganharem um pouco mais de rodagem, não tenho dúvida de que vão surgir produtos, como derivativos, futuros, ETFs, etc. Aí você começa a criar um ecossistema.”