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Renner vai se antecipar e aderir voluntariamente à norma IFRS S1

Amanda Meneses

Fonte: Lojas Renner
Fonte: Lojas Renner

Em meio a uma série de novas regulamentações, incluindo a IFRS S1 do padrão International Sustainability Standards Board (ISSB), algumas empresas têm buscado se antecipar ao período mandatório e aderido voluntariamente às regras, como a mineradora Vale e as Lojas Renner. Fatores como um maior tempo de adaptação são questões importantes que levaram as companhias a se antecipar ao mercado.

“Acho que, independentemente de quem adotar ou não esse ano, precisa começar o projeto internamente. Se vai comunicar que vai fazer a adoção antecipada, é um detalhe, mas o projeto precisa iniciar esse ano”, comenta Alexsandro Tavares, gerente sênior de controladoria da Renner, durante painel do ESG Week do Ibracon. “Olhando tudo que está envolvido, se nós decidíssemos, por exemplo, não adotar este ano, nós começaríamos o projeto da mesma forma, internamente, já nos preparando, envolvendo as áreas para que, no momento certo, uma vez aprovado, a gente pudesse fazer a adoção já bem avançado.” 

Para o executivo, esse é um aspecto importante para as empresas avaliarem internamente, até porque tem uma questão de engajamento de recursos necessários que precisam estar alocados dentro desse projeto, o que deve ser visto antecipadamente.


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Assim que as normas, juntamente com a resolução 193 da Comissão de Valores Mobiliários (CV) saíram, as Lojas Renner iniciaram um trabalho interno para estudar a adoção, unindo as áreas de controladoria e sustentabilidade para montar um diagnóstico, com o auxílio de uma consultoria. “Em dezembro, já começamos a botar a mão na massa, introduzir a consultoria. Definimos como seria a estratégia desse diagnóstico, a gente queria ter clareza de tudo que nós divulgamos, de tudo que temos, onde é que nós estávamos, qual seria o gap junto ao que está previsto na norma S1 e S2. Em cima desses gaps, nós iríamos avaliar qual seria o esforço”, comenta Tavares.

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Durante o painel, as discussões sobre os desafios tiveram como foco o conceito de materialidade financeira que é contemplado pela norma. Tanto o executivo da Renner quanto os membros do Ibracon acreditam que essa é uma barreira a ser ultrapassada.

“É uma grande novidade, então as empresas, até mais maduras nos processos de report, não tinham essa visão de materialidade financeira e, por consequência, não tinham os cálculos financeiros dos impactos”, destaca Clayton Codo, membro do GT Sustentabilidade e ESG do Ibracon. “Precisa-se ter um cálculo sobre esses impactos e eu acho que esse é o principal desafio, quantificar esses impactos e depois fazer uma conexão de médio e longo prazo com as informações financeiras que é a tarefa mais difícil nesse momento para quem está buscando a implementação.”

Na avaliação de Tavares, da Renner, essa ainda é uma “zona cinza”, uma vez que a avaliação da materialidade tem que ser baseada na natureza e na magnitude da informação. Desta forma, não se pode especificar um limite quantitativo uniforme para fazer o julgamento, mas também há a ponderação de que a análise da relevância da informação tem que ser caso a caso. Isto é, levar em consideração o contexto da empresa, qual a sua estratégia e o ambiente ao qual está exposta. 

“Um exemplo, aqui no Rio Grande do Sul em razão das enchentes, deste efeito extremo climático, a CVM orientou através de um ofício circular que as empresas divulgassem no segundo trimestre os impactos e, fazendo uma avaliação, olhamos e dizemos, mas não é material no nosso caso, assim como tiveram outras empresas que também avaliaram esses impactos dos efeitos e também concluíram em suas notas explicativas que não era material. Mas mesmo não sendo material do ponto de vista quantitativo, era uma informação qualitativa para o investidor, ele precisava saber que não teve impacto”, conta o executivo das Lojas Renner.

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