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Kinea põe na rua primeiro Fiagro com hedge cambial do mercado

Jiane Carvalho

A Kinea Investimentos está tirando do papel o Kinea Agro Income USD Fiagro (KDOL), um produto com características pouco vistas no universo dos Fundo de Investimento em Cadeias Agroindustriais (Fiagro). Diferentemente da primeira tentativa da Kinea de lançar o KDOL, abortada no começo do ano por conta das condições adversas para os Fiagros, desta vez os ventos favoráveis ajudam a pôr de pé a proposta. No começo do ano, quando seria lançado, houve uma série de recuperações judiciais (RJ) de empresas do agronegócio que assustaram investidores e levaram alguns fundos a perder rentabilidade e investidores.

A melhora no ambiente para os Fiagros nos últimos meses e o dólar ganhando espaço frente a outras moedas, principalmente o real,  animaram a Kinea a tirar o KDOL do papel. A principal característica do fundo, que terá cotas negociadas na bolsa com o ticker KDOL11, é ser o primeiro Fiagro do mercado brasileiro com hedge cambial. O valor das cotas e o pagamento mensal de dividendos serão corrigidos pelo câmbio, além de um percentual de retorno estimado em 6% ao ano. A visão de que o agronegócio é uma atividade altamente dolarizada foi um dos racionais que explicam a criação de um Fiagro com hedge. Em 2022, o segmento foi responsável por US$ 148 bilhões em exportações na balança comercial.

Após abortar a primeira tentativa, a Kinea, além de esperar por melhores condições de mercado, também reviu a estratégia junto às plataformas de distribuição. “A proposta de captação foi ajustada, ficou menor. Eles reduziram até porque é um produto novo, com características únicas e precisa de tempo para o investidor entender a proposta”, comentou uma fonte que preferiu não se identificar. O objetivo é levantar R$ 160 milhões, mas com potencial para chegar em R$ 200 milhões. A Kinea tem outros dois Fiagros no mercado – KNCA11 e KOPA11 - que, juntos, possuem patrimônio líquido de R$ 2,6 bilhões.

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Outra característica pouco vista em Fiagros é o prazo de encerramento do fundo, algo mais comum nos universo dos Fundos de Investimento em Participações (FIPs). Os recursos serão devolvidos ao investidor ao final de sete anos com amortizações mensais na reta final, como ocorre com os FIPs na fase de desinvestimento. A estratégia permite que os valores devolvidos na forma de amortizações não sejam tributados. A carteira do KDOL será composta de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e de Cédulas do Produtor Rural (CPRs) financeiras, compradas via Fundos de Investimentos em Direitos Creditórios (FIDCs). O fundo se define como um Fiagro high grade, que busca papéis de menor risco e com uma carteira mais concentrada, composta por poucos ativos e de grandes empresas.

Um estudo da Kinea, com dados de 2010 até 2023, comparou o retorno histórico do dólar acrescido de uma taxa de 6% ao ano, com o retorno de outros indexadores de referências para os investidores locais. O retorno acumulado da variação cambial acrescida de 6%, na simulação, foi de 552,0% (13,9% ao ano), superando os principais benchmarks, como o IMA-B (380,1%), CDI (264,8%), IPCA (129,9%) e IBOV (76,9%). A captação do KDOL termina no dia 26 deste mês e, caso o objetivo não seja alcançado, haverá uma segunda tranche em setembro. Embora o produto seja para o varejo, investidor geral, tem sido vista uma demanda por outros públicos. “A gente percebe uma demanda cross board, que inclui investidores high yield, que entendem melhor a questão fiscal, das isenções e da proteção cambial”, comenta a fonte que acompanha a oferta inicial do Fiagro da Kinea.