Santander dá start na temporada de balanço para bancões com viés positivo
Dando início à temporada de balanços do segundo trimestre para os grandes bancos, o Santander divulgou nesta quarta-feira (24) seus resultados, apresentando um lucro líquido gerencial recorrente de R$ 3,3 bilhões, avanço de 44% sobre igual período do ano passado. Segundo analistas, o banco apresentou resultados sólidos e ligeiramente acima do consenso, mantendo uma recuperação consistente.
“Apesar de um NII (Margem Financeira líquida) mais modesto e de um crescimento trimestre a trimestre praticamente estável, o banco conseguiu reduzir sua provisão para perdas”, disseram os analistas da XP Bernardo Guttmann, Matheus Guimarães, e Rafael Nobre, em relatório.
O lucro do Santander Brasil no 2º trimestre aumentou 10% frente ao anterior, com um ROE de 15,5%, 4,3 p.p. acima do reportado no mesmo período do ano anterior, correspondendo às estimativas mais otimistas do Itaú BBA. A margem financeira líquida (NII) atingiu R$ 14,7 bilhões, aumento de 10,6% anualmente, mas com ligeira queda de 0,3% na comparação trimestral.
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“A carteira total de empréstimos aumentou 2% em termos trimestrais (+8% anualmente), impulsionada pelo financiamento ao consumo e corporativo”, disseram os analistas Pedro Leduc, Mateus Raffaelli e William Barraranjard, em relatório. “As receitas totais aumentaram 1% trimestre a trimestre e 12% ano a ano, lideradas pelos serviços, um sólido aumento de 6% na base trimestral e 18% na anual. O NII total estável no trimestre foi o único ponto negativo, depois de uma comparação difícil no 1º tri.”
Para Matheus Nascimento, analista da Levante Inside Corp, os resultados foram positivos e vieram acima de sua expectativa em termos de Lucro Líquido e ROE, com NPL em linha.

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“O destaque ficou na captação e originação de crédito focado em varejo. Margem com clientes reportada foi positiva, no entanto, com margem com mercado ficando bem abaixo. Carteira proprietária do banco sofreu com a volatilidade do mercado nos últimos trimestres”, afirma Nascimento.
Para Milton Rabelo, analista da VG Research, os números também vieram ligeiramente acima das expectativas e sinalizam uma evolução consistente nas operações do banco no Brasil.
“Houve evolução em boa parte das linhas, com lucros ascendentes, evolução na rentabilidade, diminuição das PDDs, retração de créditos inadimplentes, além de boa performance das receitas de tarifas”, aponta o analista. “Por outro lado, a dinâmica da margem financeira ainda apresenta alguns pontos de atenção e o resultado trimestral foi negativamente afetado pela má performance das operações de tesouraria.”
Para Nascimento, o start da temporada de balanços para os bancões foi positivo e o analista estima que a perspectiva para Itaú e Banco do Brasil se mantenha favorável, especialmente pela qualidade das carteiras de crédito destes players, enquanto Bradesco segue sob revisão, sendo um resultado aguardado pelo mercado para mensurar as mudanças estruturais na companhia. “Diria que Itaú e BTG Pactual são nomes que podem surpreender positivamente, dada a mencionada qualidade da carteira do Itaú e em operações de IB e Treasury do BTG são triggers que ancoram a boa expectativa para este trimestre.”
Já Rabelo comenta que a margem com o mercado, que são as operações de tesouraria, do Santander, mostraram uma performance negativa diante da volatilidade do mercado no segundo trimestre do ano e que, apesar de cada banco ter a sua própria dinâmica, é possível que a volatilidade no período prejudique as operações de tesouraria de outras instituições financeiras.
“Cada instituição vai ter a sua dinâmica de resultados, porém as perspectivas do mercado bancário para 2024, de forma geral, são positivas. Espera-se a continuidade de bons resultados do Itaú e Banco do Brasil, ao passo que os resultados do Santander e do Bradesco devem mostrar evolução ao longo do ano. Também se espera uma dinâmica positiva de resultados por partes de neobanks como Nubank e Inter para o ano em curso”, diz o analista da VG.
